Adidas toma decisão importante sobre uniforme da Alemanha
Fornecedora de material esportivo vai retirar o número 44 do kit do atual uniforme por semelhança com símbolo nazista
A Adidas anunciou que vai retirar o número 44 das opções dos uniformes da seleção da Alemanha. Segundo a fornecedora de materiais esportivos, a tipografia utilizada lembra muito a runa SS, símbolo proibido que por muito tempo representou o Esquadrão de Proteção (“Schutzstaffel”) de Hitler.
Oliver Brüggen, um dos representantes da Adidas, concedeu entrevista ao jornal alemão Bild para prestar esclarecimentos sobre a decisão. Durante sua fala, o porta-voz afirma que a empresa defende a diversidade e fazem campanhas recorrentes contra a xenofobia, antissemitismo e o ódio, rejeitando qualquer sugestão de apologia ao passado do país.
“Vamos bloquear o número 44 o mais rápido possível. A Adidas emprega pessoas de cerca de 100 países, nossa empresa defende a promoção da diversidade e inclusão e, como empresa, fazemos campanha ativa contra a xenofobia, o antissemitismo, a violência e o ódio em todos. Qualquer tentativa de promover visões excludentes não faz parte dos nossos valores como marca e rejeitamos firmemente qualquer sugestão de que essa tenha sido a nossa intenção. Nossa empresa se destaca pela promoção da diversidade e inclusão”, disse.
Por que a Adidas vai inutilizar o número 44 de sua camisa?
- A tipografia utilizada nos números do atual uniforme se parece muito com o símbolo da SS, uma organização paramilitar ligada ao Partido Nazista e a Adolf Hitler na Alemanha;
- Segundo o porta-voz da empresa, Oliver Brüggen, a Adidas faz campanhas ativas contra o antissemitismo e defende a diversidade e inclusão na sociedade;
- No entendimento da Adidas, o símbolo não pode estar ligada a nenhum símbolo que possa remeter ao passado obscuro do país durante a Segunda Guerra Mundial.
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Seleção da Alemanha rompeu com a Adidas?
Após 74 anos parceria, a Federação Alemã de Futebol não vai renovar seu contrato com a Adidas e a partir de 2027 será patrocinada pela Nike. Stephan Grunwald, tesoureiro da DFB, explicou os motivos que levaram a essa mudança em entrevista publicada no portal alemão Capital. Entre as principais razões, a licitação transparente e a melhor oferta comercial feita pela empresa norte-americana foram os pilares para a mudança.
Segundo o responsável pela parte financeira da entidade máxima do futebol alemão, o valor apresentado pelas duas licitantes era muito diferente, em temos competitivos, a oferta da Nike era muito melhor.
— A oferta da Adidas não foi competitiva no final. A diferença entre os licitantes era considerável. A DFB não teria deixado a Adidas por conta de uma diferença de 2 milhões de euros por ano — afirmou Grunwald.
Passando por uma crise financeira por conta do baixo rendimento da seleção nas últimas Copas do Mundo e Eurocopas, a troca do seu patrocinador foi um passo importante para melhorar o rendimento do futebol alemão no futuro. Não foram revelados os valores oferecidos pela Nike para se tornar a fornecedora da Federação Alemã, mas rumores indicam que a empresa norte-americana pagaria o dobro do que atualmente é pago pela Adidas, algo em torno de 100 milhões de euros (R$ 543 milhões de reais).
Relação da Adidas com o regime nazista
Apesar dos esforços atuais da Adidas, a empresa teve uma relação com o regime em sua fundação. O criador da marca, Adi Dassler, integrou o partido nazista e era um entusiasta dos seus ideais, assim como seu irmão Rudolf Dassler, fundador da Puma, e outros muitos executivos europeus.
As atividades físicas foram um importante pilar na estratégia militar de Hilter, que acreditava que o corpo dos jovens alemães poderiam se tornar soldados perfeitos em menos de dois anos, segundo seu relato no Mein Kampf, livro onde propagou os ideais nazistas. A disposição do então governo alemão em investir nos esportes pavimentou o caminho para tais relações.



