Alemanha

Federação Alemã explica motivos para trocar Adidas por Nike

Tesoureiro da Federação Alemã de Futebol (DFB) afirmou que proposta de antiga parceira comercial não foi competitiva

A história do futebol alemão foi marcada na última quinta-feira (21), quando a Federação Alemã de Futebol (DFB) divulgou o fim de contrato com a Adidas, fornecedora de material esportivo da seleção local há mais de 70 anos e que será trocada pela Nike a partir de 2027. Em entrevista publicada no site alemão Capital, Stephan Grunwald, tesoureiro da DFB, explicou os motivos que levaram a essa mudança. Entre as principais razões, a licitação transparente e a melhor oferta comercial feita pela empresa norte-americana foram os pilares para a mudança.

Pela primeira vez na história, a Federação Alemã de futebol realizou um processo de licitação aberta para definir sua nova parceira comercial de fornecimento de material esportivo. Segundo relatado por Grunwald, o processo iniciou em janeiro e todos os participantes foram informados por meio de uma extensa documentação.

O tesoureiro da DFB explica que mesmo que o novo contrato passe a valer somente em 2027, é importante comunicar os fabricantes com antecedência, já que outras associações, como a da França, por exemplo, também vão lançar propostas para novos fornecedores e as empresas devem saber disso antecipadamente para saber como se posicionar corretamente no mercado.

Oferta da Adidas não foi competitiva

O tesoureiro da DFB afirmou que as propostas apresentadas pela Nike e pela Adidas eram muito distantes em termos comerciais e que a Federação Alemã optou pela troca da fornecedora. Perguntado sobre um possível rumor de que a empresa norte-americana pagaria o dobro do que é atualmente pago pela alemã, algo em torno de 100 milhões de euros (R$ 545 milhões de reais) por ano, Grunwald não confirmou, nem negou tal afirmativa.

Segundo o dirigente da DFB os valores apresentados pelas duas licitantes era muito distante e não houve condições da entidade escolher outra opção para o fornecimento esportivo de suas equipes a partir de 2027 que não fosse pela Nike.

— A oferta da Adidas não foi competitiva no final. A diferença entre os licitantes era considerável. A DFB não teria deixado a Adidas por causa de uma diferença de 2 milhões de euros por ano — afirmou Grunwald.

No passado, a DFB tinha cláusulas de correspondência em seus contratos na qual a atual fornecedora de material esportivo poderia contra-atacar ofertas realizadas por empresas concorrentes. Entretanto, a disparidade entre as propostas de Nike e Adidas foi muito grande, além do fato do prazo para apresentação ter sido encerrado na última sexta-feira.

Grunwald afirmou que quando a diferença entre as licitantes chega a dez ou 15% de diferença, é possível haver uma reavaliação dos contratos antes da definição pela empresa vencedora da licitação. No caso dos valores colocados pela Nike e Adidas no que diz respeito ao fornecimento para a DFB, a diferença é muito maior do que isso.

— Como mencionado, as propostas tiveram que ser apresentadas na última sexta-feira (15). Nesses procedimentos licitatórios, a questão é sempre a distância entre os licitantes. Se a diferença for de dez ou 15%, por exemplo, as renegociações podem fazer sentido – mas não na escala envolvida neste caso — disse o tesoureiro da Federação Alemã.

Crise financeira na DFB e pagamento de impostos em atraso culminaram em mudança

As recentes decepções da seleção da Alemanha na Copa do Mundo, bem como na Eurocopa, tem cobrado o seu preço na DFB, que vive uma crise financeira além do atraso no pagamento de impostos. Grunwald explica que mediante a todas as propostas apresentadas na licitação, não poderia simplesmente manter a parceria com a Adidas alegando longa parceria, lealdade e confiança, já que o momento econômico da entidade é ruim.

Mesmo que quisesse manter a parceria com a empresa alemã por mais um tempo, as propostas apresentadas não justificavam a permanência com a fornecedora local.

— Se tivéssemos adjudicado o contrato à Adidas com as ofertas que estavam em cima da mesa e justificado isso com argumentos como a longa parceria, a confiança e a lealdade, provavelmente já teria tido o Ministério Público na casa hoje. Não devemos colocar um terceiro numa posição pior do que um parceiro existente, mesmo que estejamos associados a ele há muito tempo — afirmou Grunwald.

Grunwald critica a postura dos políticos alemães

A notícia de que a Federação Alemã de Futebol trocaria sua fornecedora de material esportivo foi amplamente divulgada no país e causou a revolta de políticos do país, que alegam “falta de patriotismo” na mudança da Adidas pela Nike. Contudo, a resistência dos parlamentares foi rebatida por Grunwald, já que a DFB realizou um procedimento transparente e que visava a melhor solução financeira para a entidade.

O tesoureiro da entidade máxima do futebol na Alemanha ainda reitera que o fisco do país revogou o estatuto de organização sem fins lucrativos da DFB por suspeita de fraude e que agora os políticos do país não teriam o direito de reclamar sobre a escolha do novo parceiro comercial, já que tudo foi feito de forma legal e foi a melhor escolha do ponto de vista financeiro.

— O fisco revogou o estatuto de organização sem fins lucrativos da DFB de anos anteriores porque nos acusaram de fraude. Em consequência, estamos agora a conduzir um procedimento transparente. E depois os políticos exigem com toda a seriedade que deixemos de fora a melhor oferta econômica porque não gostamos do resultado do concurso — criticou Grunwald

Por que a Federação Alemã trocou a Adidas pela Nike?

  • Fornecedora da Alemanha há mais de 70 anos, a DFB abriu licitação para troca do seu fornecedor pela primeira vez na história e avaliou que comercialmente a proposta da Nike era muito melhor;
  • A diferença entre as propostas apresentadas pelas empresas norte-americana e alemã eram muito grandes e do ponto de vista financeiro, a escolha pela Nike era praticamente óbvia.
  • A Federação Alemã de Futebol passa por uma crise financeira por conta dos maus resultados da seleção em campo nas Copas do Mundo e também na Eurocopa;
  • Stephan Grunwald, tesoureiro da DFB criticou os políticos que foram contra a decisão da troca na fornecedora de material esportivo;
  • Parlamentares na Alemanha consideraram a mudança um ato anti-patriota.
Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Esse é Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia e da Trivela. Jornalista especializado em Marketing digital é também narrador do Portal Futebol Interior e da RP2Marketing.
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