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Bayern Munique: A redenção dos melhores do mundo

No futebol, assim como na vida, nada é mais perigoso do que juntar a oportunidade com o oportunista. Mas o oportunista em questão não é Lewandowski, ou Mandzukic, ou alguém dentro de campo. Geralmente é algum cretino sentado na poltrona, cornetando meio mundo de gente e criando teses que geralmente circulam em variáveis da frase “ganhou é bestial, perdeu é uma besta”. A história é contada pelos vencedores, que sempre fazem tudo certo. Os perdedores são sempre “amarelões”, e isso já foi falado aqui quando o Borussia Dortmund ressurgiu das cinzas após um jogo vagabundo e passou pelo Málaga nas quartas de final.

Agora foi a vez do Bayern Munique sepultar esse discurso, que era embasado derrota sangrenta do ano passado e nos tropeços da seleção alemã nas últimas competições internacionais. Robben, que perdeu o pênalti na prorrogação e depois se recusou a cobrar na disputa por penais, foi o boi de piranha. Com justiça. Não teve personalidade, sentiu a porrada e murchou também na Eurocopa. Se lesionou pela milionésima vez na carreira e fazia uma temporada discreta, no banco de reservas, até Toni Kroos se machucar. Voltou. Fez gols nos dois jogos contra o Barcelona, na semifinal, e agora decidiu na final. Na comemoração, soltou os demônios. Com total justiça, diga-se.

Justiça, aliás, é a palavra que melhor expressa esse título. Uma justiça histórica com uma geração de jogadores fantásticos, que em sua maioria chega aos 30 anos no auge da carreira. Lahm, Schweinsteiger, Robben e Ribéry formam a espinha dorsal de um time que ainda conta com jovens como Alaba, Kroos e o recém-contratado Götze. Um timaço, o melhor do mundo no momento, e que ajuda a seleção alemã a tomar da Espanha aos poucos o título de favorita ao título mundial em 2014.

No jogo, Robben foi decisivo, mas Ribéry foi mais: no primeiro gol, estava cercado por três adversários, mas descolou um passe para o holandês cruzar para Mandzukic. No segundo, toque de calcanhar. Brilhante, fantástico. Capaz de colocar o francês, melhor jogador da Bundesliga, na lista dos melhores do mundo em 2013. Em terceiro, atrás de Messi e Cristiano Ronaldo. Talvez não entre por falta de marketing, mas jamais por falta de merecimento.

A conquista, aliás, foi valorizada pela postura do Borussia Dortmund, que ao contrário do que fez o Chelsea no ano passado, encarou o Bayern de frente durante todo o jogo. Perdeu, é verdade, mas mostrou que a filosofia de jogo da equipe é espetacular. Jürgen Klopp, que montou esse time, colocou de vez seu nome entre os principais treinadores da Europa e a expectativa é que, com a grana da venda de Götze e da premiação da Liga dos Campeões, reforços sejam contratados para fortalecer um elenco que não tem tantas peças de reposição assim. Nomes como Bernard e Christian Eriksen, cogitados nos últimos dias, devem desembarcar em breve.

Por fim é impossível escapar do clichê de que o futebol alemão venceu. Não só por voltar a conquistar a Liga dos Campeões após 12 anos, mas também por voltar a mostrar um time que não se chama Bayern Munique capaz de peitar os outros gigantes europeus de igual para igual, mesmo com apenas metade do poderio financeiro. É a prova de que, com trabalho e planejamento, é possível parar de chorar pitangas e se orgulhar, mesmo sem a taça.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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