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A Irlanda conquistou uma vitória gigante em Dublin e faz a Alemanha se preocupar

Polônia e Irlanda são seleções de respeito na Europa. Forças intermediárias no continente, mas de ampla tradição. Mesmo assim, poucos imaginavam que a Alemanha demoraria tanto para garantir seu lugar na Euro 2016 – ainda mais em um momento de destaque da seleção, logo após o tetracampeonato mundial. É verdade que só um desastre leva o time de Joachim Löw à repescagem, em cenário distante de parecer factível. Independente disso, prorrogar a definição até a última rodada não é nada honroso para o Nationalelf. Nesta quinta, os alemães caíram em Dublin para a Irlanda por 1 a 0. Adiam a comemoração justamente por causa do confronto diante dos rivais mais pesados. Resultado heroico dos irlandeses, que agora só dependem de si para conquistar a classificação.

A Alemanha permanece na liderança do Grupo D, com 19 pontos. Só um a mais que Polônia e Irlanda, igualadas logo abaixo na tabela. Para que os dois países ficassem com a vaga direta e mandassem os alemães para a repescagem, precisariam empatar na rodada final em Varsóvia, além de torcer para a Geórgia surpreender o Nationalelf em Leipzig. Possibilidade que só permanece aberta por causa do critério de desempate. No confronto direto triplo, a Alemanha conquistou apenas quatro pontos em quatro jogos contra irlandeses e poloneses, à frente no quesito. Desempenho ruim para uma seleção de tanto peso, que perdeu na visita à Polônia e só empatou com a Irlanda em casa.

Cabe ponderar o processo de renovação que o Nationalelf atravessa. O time perdeu peças importantes desde a Copa do Mundo, sobretudo Lahm e Klose. Mas nada justifica o relaxamento a partir de então. A equipe venceu apenas sete jogos dos 13 que disputou desde a final no Maracanã. Considerando ainda que dois desses triunfos vieram contra Gibraltar, o número perde ainda mais força. E, entre os adversários nos tropeços, estão também equipes menos expressivas como Austrália e Estados Unidos.

Olhando a escalação, o time da Alemanha segue excelente. Ginter e Hector começam a se firmar nas laterais, Kroos e Gündogan formam a dupla de volantes e a linha de frente contou com Reus, Götze, Özil e Thomas Müller. Um time bastante leve, que manteve o domínio da posse de bola, mas não conseguia abrir espaços diante da sólida defesa irlandesa. Acabou derrotado graças a um contra-ataque perfeito do time da casa. Em lançamento que veio do goleiro Rudolph, Shane Long aproveitou a desatenção da defesa para invadir a área sozinho e fuzilar Neuer. Valeu três pontos primordiais a sua seleção.

Na rodada final, apesar das chances que a matemática aponta, o que deve ocorrer mesmo é uma decisão em Varsóvia. O empate por 0 a 0 beneficia a Polônia, enquanto dois ou mais gols para cada lado deixa a vaga com a Irlanda. Já a Alemanha deverá cumprir tabela contra a fraca Geórgia, sabendo que tem muito a melhorar. A falta de consistência diante de adversários maiores preocupa bastante. Até porque na Euro, o nível dos desafios do Nationalelf crescerá consideravelmente. E a perda de imponência tira força daqueles que deveriam pintar desde já como um dos grandes favoritos ao título continental.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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