A estratégia do Bayern em uma final de altíssimo nível
A decisão da Liga dos Campeões 2012/13 ficará para a história. Não apenas pelo show dado pelas torcidas em Wembley ou pelo gol histórico de Arjen Robben aos 44 minutos do segundo tempo. A partida foi um grande exemplo da intensidade demonstrada por Bayern Munique e Borussia Dortmund ao longo da temporada. A vitória por 2 a 1 dos bávaros pode até parecer magra pela quantidade de chances, mas condiz pelo empenho defensivo dos dois lados.
Ao Bayern, pesou o excelente nos lados do campo, aproveitando a velocidade de seus pontas e explorando as costas dos laterais do Dortmund. Robben e Ribéry participaram dos dois gols da equipe de Jupp Heynckes e foram decisivos na estratégia para a vitória. De sua posse de bola dos bávaros no campo de ataque, 60% se concentrou nos flancos. Philipp Lahm e David Alaba, os laterais do time, só deram menos toques que Bastian Schweinsteiger e Dante.

Para pôr em prática seu jogo, porém, o Bayern teve que ter paciência. O Dortmund fez um primeiro tempo sufocante, especialmente pela forte marcação no campo de ataque. Os bávaros mal conseguiram chegar ao ataque e só deram o primeiro chute a gol aos 26 minutos de jogo. A partir de então, a equipe passou a encontrar maiores brechas na defesa aurinegra, especialmente quando partia em contra-ataques ou apostava no jogo aéreo.

Das 17 finalizações do Bayern, 11 nasceram em enfiadas de bola ou em cruzamentos. O primeiro gol nasceu justamente a partir de um contragolpe puxado por Ribéry, que passou para Robben servir Mario Mandzukic. Já o segundo foi gerado em uma bola aérea dominada por Ribéry, que culminou no tento decisivo de Robben. E se não saíram mais gols, os méritos são todos de Roman Weidenfeller, capaz de nove defesas, muitas delas espetaculares. Mandzukic, em particular, foi o mais eficiente, exigindo três milagres do arqueiro.
Já no trabalho defensivo, o Bayern não foi tão seguro quanto em outras ocasiões da temporada. A postura mais incisiva do Dortmund acuou a equipe de Jupp Heynckes durante a maior parte do jogo e Marco Reus incomodou bastante, criando quatro chances para seus companheiros e sofrendo o pênalti que originou o tento de Ilkay Gündogan. Dante foi bem menos efetivo do que no restante da temporada e acabou ofuscado por Jêróme Boateng, responsável por nove desarmes.
Além disso, Manuel Neuer teve uma atuação fora de série. Poucas vezes na temporada o goleiro foi tão exigido e correspondeu de maneira excelente. Foram seis defesas do camisa 1, seguro demais também nos cruzamentos. E, tão importante quanto seu trabalho defensivo, foi a participação na saída de jogo. Neuer efetuou 18 passes, mais que Mandzukic, e foi o segundo jogador que mais fez lançamentos, atrás apenas de Boateng.
Graças a Neuer, o Bayern conseguiu suportar a pressão do Dortmund e abrir o caminho para o título. Na base da técnica e da objetividade, construiu seus dois gols em Wembley. Virtudes de uma equipe completa, tanto no ataque quanto na defesa, capaz de marcar 148 gols e sofrer apenas 30 na temporada. Merecidamente, dona de uma temporada memorável.



