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Mané revela como desafiou técnico e convenceu Senegal a esquecer polêmica em final da CAN

Camisa 10 dos Leões da Teranga não abandonou campo e foi responsável por trazer jogadores de volta para decisão contra Marrocos

A final da Copa Africana de Nações (CAN) foi palco de uma das histórias mais mirabolantes do futebol na história recente. Para conquistar o título sobre o Marrocos na casa do país sede, Senegal chegou a abandonar o jogo após irritação com arbitragem. E coube a Sadio Mané convencer seus companheiros a voltarem a campo.

Tudo começou na reta final do 2º tempo, quando os Leões da Teranga marcaram um gol com Ismaïla Sarr aproveitando rebote de cabeça dentro da área. Entretanto, antes mesmo da bola entrar, o árbitro Ndala Ngambo já havia apitado falta de Aboulaye Seck sobre Achraf Hakimi, num lance bem discutível.

A um minuto do fim do tempo regulamentar, o VAR chamou o juiz no monitor para avaliar um possível pênalti de El Hadji Malick Diouf em cima de Brahim Díaz. Por mais que os senegaleses tenham reclamado que o craque marroquino tenha forçado a queda, a arbitragem assinalou a infração.

Irritados com as decisões contrárias de Ngambo, os atletas foram embora do gramado a pedido do técnico Pape Thiaw. O único que não se dirigiu aos vestiários foi o camisa 10 dos Leões da Teranga, que revelou os bastidores de como conseguiu reverter o protesto da seleção após 10 minutos de paralisação.

Ciente de que a Federação Senegalesa de Futebol (FSF) poderia ser punida severamente em caso de abandono, Mané conversou com Claude Leroy, antigo treinador de Senegal e comentarista do “Canal+ Afrique”. Ele aconselhou o atacante do Al-Nassr a fazer com que os Leões da Teranga terminassem a partida jogando.

— O Sadio veio me perguntar o que faria no lugar dele, e eu lhe disse: “peça aos seus colegas para voltarem ao campo”, só isso — declarou Leroy à “AFP”.

Mané, líder de Senegal dentro e fora de campo

Mané liderou volta da seleção senegalesa após desistência temporária contra Marrocos (Foto: IconSport)
Mané liderou volta da seleção senegalesa após desistência temporária contra Marrocos (Foto: IconSport)

Sadio Mané então foi para o interior do estádio para buscar o restante da seleção senegalesa. Ao “Canal+ Afrique”, o camisa 10 dos Leões da Teranga reforçou a importância de não manchar a imagem do futebol africano, cuja decisão estava sendo acompanhada por todo o globo.

— Eu disse: “aconteça o que acontecer, temos de jogar. Eles marquem ou não, vamos jogar”. Tínhamos de jogar e, no fim, fomos recompensados — declarou Mané.

No retorno, Díaz foi para a cobrança e tentou uma cavadinha, mas Edouard Mendy fez a defesa. A intervenção do goleiro senegalês foi fundamental para levar o duelo para a prorrogação. Idrissa Gueye assistiu Pape Gueye, que não desperdiçou e acabou punindo os Leões do Atlas.

Já na zona mista, Mané ressaltou a importância da final da CAN ser definida até o último lance, independentemente do resultado. O atacante de 33 anos destacou a evolução do futebol no continente e minimizou as polêmicas de arbitragem, que foram tema de discussão ao longo do torneio.

— O futebol africano não merecia um final assim. Estamos progredindo muito e o mundo inteiro estava nos vendo. Por isso, pedi aos meus colegas para voltarmos ao campo. Falei “ganhamos como homens, perdemos como homens” — pontuou Sadio Mané.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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