Vidangossy: Fábrica de Mathías
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Nos últimos tempos, se chamar Mathías, em território chileno, geralmente já provoca furor. Fernández – ou Matigol, se preferir – é o maior ídolo do futebol local desde Iván Zamorano e Marcelo Salas. E Vidangossy, outro jovem valor a surgir nas ‘bajas’ chilenas, tem tudo para produzir algum impacto em sua próxima temporada, onde pode, se não repassado por empréstimo (se cogita o Recreativo de Huelva) vestir a camisa amarela do Villarreal. Ao lado de quem? Matías Fernández.
Antes mesmo de cavar um espaço na seleção principal, Mathías Vidangossy conseguiu reputação nacional e internacional pelo que tem feito na sub-20 chilena em 2007. Ao lado de Arturo Vidal, Alexis Sánchez, Nicolás Medina e Mauricio Isla, principais destaques da “roja”, foi quarto colocado no Sul-americano Sub-20. O melhor estava por vir: Vidangossy tem sido um dos destaques chilenos no Mundial sub-20, onde já está entre os semifinalistas.
Meia bastante ofensivo, Vidangossy pode atuar como um enganche, como interior – fazendo o papel de meia externo, ou até mesmo como atacante de movimentação. Em qualquer das funções, é capaz de utilizar técnica e velocidade, suas principais virtudes, embora normalmente confesse ter mais familiaridade com os lados do campo, em sistema habitual de três entre quatro clubes espanhóis. Jogar na Espanha, aliás, sempre foi um desejo de “la saeta”, a flecha, como os chilenos o chamam. Pela função em campo, o chileno está mais para arco do que flecha.
Vidangossy, que hoje tem quase 1,80 m, já foi dispensado pela Universidad Católica por ter baixa estatura. O jogador que hoje é uma das maiores promessas entre uma série de ótimos jovens jogadores chilenos que surgem na atualidade, chegou a largar o futebol quando adolescente. Nestor Isella, treinador, e Sergio Valdés, agente, o levaram ao Unión Española, Bastou pouco mais de um ano para Mathías Vidangossy estrear entre os profissionais. Rapidamente, também foi campeão do Torneo Apertura do Chile em 2005.
Na Sub-20
Mas foi de fato com a seleção sub-20 que Vidangossy se projetou. Com atuações regularmente boas durante o Sul-Americano da categoria, especialmente contra a Bolívia, atraiu o interesse do Villarreal da Espanha. Por seu passe, os espanhóis pagaram cerca de 1 milhão de euros, quantia irrisória para os padrões europeus de transferências. Tivessem esperado alguns meses mais, os ‘amarillos’ certamente pagariam muito mais pelo negócio.
No Mundial sub-20, ainda em atividade no Canadá, a força chilena tem se concentrado no meio-campo. Na organização de jogadas, desponta ao lado de Sanchez o nome de Mathías Vidangossy, autor de um gol e outra assistência, mas essencialmente de bom futebol, aquele que os amantes do esporte admiram assistir.
Maturidade
Como a quase qualquer jovem de talento, falta a Vidangossy ter mais regularidade ao longo das partidas. Momentos de brilho são interrompidos com hiatos de ociosidade, especialmente no Mundial Sub-20. Para brilhar na Europa, Mathias precisará de mais constância, além de amadurecer profissionalmente e, dentro de campo, aprofundar sua capacidade de desempenhar mais de uma função. O cartaz construído até aqui não deve dar ao chileno a chance de chegar ao Villarreal – ou ao Recreativo, caso seja emprestado – com uma titularidade imediata.
Além de ter atingido as evidências há não muito tempo, “la saeta” também tem se focado mais na seleção de base, o que naturalmente lhe prejudica no time principal. Mais que a irregularidade em alguns momentos e o selecionado sub-20, Mathias Vidangossy tem a concorrência como fator de extrema dificuldade.
Mark González, Jorge Valdívia, Matías Fernández, Rodrigo Tello, Luis Jiménez, David Pizarro e Alexis Sánchez são alguns dos concorrentes no meio-campo da seleção chilena, que ainda não tem um treinador após a saída de Nelson Acosta. O novo comandante da “roja” deverá observar Vidangossy, como fizeram os dirigentes do Villarreal. O futuro, ao menos nesse caso, premiou a ousadia. E capacidade, além de nome, Mathías Vidangossy tem.