Inglaterra

Novo técnico, velhos vícios: Início da era Xabi Alonso no Chelsea preocupa mais do que anima

Mercado confuso, saídas relevantes e indefinições no elenco desafiam planejamento do espanhol à frente dos Blues

Xabi Alonso ainda nem comandou o Chelsea em uma partida oficial, mas o clima de empolgação que cercou sua chegada já começa a dar espaço para uma sensação de apreensão. O espanhol inicia os trabalhos em um dos maiores clubes da Inglaterra carregando prestígio, respaldo da torcida e a expectativa de reorganizar uma instituição que, nos últimos anos, acumulou investimentos bilionários sem conseguir construir um projeto esportivo sólido.

O problema é que, nas primeiras semanas da chamada “Era Xabi Alonso”, os sinais emitidos pelo mercado apontam muito mais para incertezas do que para uma reconstrução consistente.

Contratações da Premier League 2026/27: Veja rumores e o vai e vem do mercado

Contratações da Premier League 2026/27: Veja rumores e o vai e vem do mercado

Leia →

A estreia do treinador acontecerá no início de agosto, durante a excursão de pré-temporada pela Ásia. O primeiro compromisso oficial será em 24 de agosto, diante do Fulham, no Craven Cottage, pela rodada inaugural da Premier League. Até lá, porém, o Chelsea ainda parece distante de oferecer ao novo comandante um elenco mais equilibrado do que aquele que encerrou a temporada passada.

A contratação de Alonso representava mais do que uma simples troca no banco de reservas. O ex-técnico do Bayer Leverkusen e do Real Madrid chegou como manager, função que amplia sua influência para além das quatro linhas. Em teoria, ele participaria ativamente das decisões esportivas, ajudando a definir contratações, saídas e os rumos do planejamento do clube.

Para uma torcida cada vez mais frustrada com a gestão da BlueCo, essa era justamente a principal esperança: alguém capaz de colocar ordem em um projeto que, muitas vezes, parece agir sem direção.

Até aqui, entretanto, a realidade está longe desse cenário.

Chelsea e seu mercado que cria mais problemas do que soluções

Cucurella foi vendido para o Real Madrid
Cucurella foi vendido para o Real Madrid (Foto: Harvey Murphy / News Images / IMAGO)

O movimento mais difícil de explicar foi a venda de Marc Cucurella. O lateral espanhol vinha de uma temporada extremamente consistente e chegava à Copa do Mundo vivendo um dos melhores momentos da carreira. Ainda assim, o Chelsea optou por negociá-lo logo nos primeiros dias do torneio por 55 milhões de euros — valor inferior ao que desembolsou para tirá-lo do Brighton em 2022.

A decisão se mostrou ainda mais questionável conforme a competição avançou. Cucurella cresceu justamente no mata-mata, foi protagonista em partidas importantes, recebeu elogios pela segurança defensiva e voltou a ser tratado como um dos melhores laterais esquerdos do futebol mundial. É difícil não imaginar que, se o clube londrino tivesse esperado apenas algumas semanas, conseguiria uma venda financeiramente mais vantajosa.

E o problema não termina na negociação. Afinal, até agora, os Blues sequer conseguiram encontrar um substituto.

O principal alvo é Pep Chavarría, do Rayo Vallecano. O Chelsea acreditava que poderia fechar o negócio por cerca de 15 milhões de libras, mas o clube espanhol faz jogo duro e exige o pagamento integral da multa rescisória, superior a 40 milhões de libras. As conversas esfriaram, e o elenco segue sem reposição para uma das posições mais importantes do sistema defensivo.

Mesmo que a negociação avance, trata-se de uma aposta. Chavarría fez boa temporada na Espanha, mas chega aos 28 anos sem experiência em um clube de elite europeia. Ou seja, dificilmente seria uma reposição imediata do nível de Cucurella.

Outro movimento que gerou estranheza foi a venda de Andrey Santos para o Manchester United por 50 milhões de libras. É verdade que o brasileiro ainda não havia conseguido se firmar como titular absoluto e estava longe de justificar todo o potencial projetado quando chegou ao clube. Ainda assim, negociá-lo justamente para um rival direto da Premier League chama atenção, principalmente porque o time londrino não anunciou nenhuma reposição para o setor.

Mais do que perder jogadores, o Chelsea parece estar diminuindo alternativas em um elenco que já apresentava carências em diversas posições.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Plantel de Xabi Alonso segue cercado de incógnitas

Enzo Fernández tem futuro indefinido no Chelsea
Enzo Fernández tem futuro indefinido no Chelsea (Foto: Godfrey Pitt / Action Plus / IMAGO)

Se as saídas levantam questionamentos, a situação dos jogadores que permanecem também está longe de transmitir tranquilidade. O maior exemplo é Enzo Fernández.

O argentino disputará neste domingo (19) sua segunda final consecutiva de Copa do Mundo antes de voltar a discutir o futuro no Chelsea. Nos últimos dias, o Real Madrid — clube frequentemente apontado como o destino dos sonhos do meio-campista — divulgou uma nota afirmando que não negocia nem pretende negociar sua contratação. Ainda assim, isso não encerra o assunto.

As declarações dadas por Enzo ao fim da última temporada deixaram evidente um certo desgaste com o momento vivido no clube londrino. O discurso foi interpretado por muitos torcedores como um sinal de insatisfação. Agora resta entender como será seu retorno após o Mundial.

Xabi Alonso já afirmou que pretende contar com o camisa 8, algo absolutamente natural. Mesmo em meio às oscilações do Chelsea, Enzo continua sendo uma das principais referências técnicas do elenco e também uma liderança importante dentro do grupo. Mas a simples necessidade de discutir seu futuro já evidencia o tamanho da instabilidade que cerca o ambiente.

E as dúvidas não param por aí. Segundo a imprensa britânica, Trevoh Chalobah segue negociando com o Como, e os Blues não fazem questão de impedir uma transferência caso a proposta atinja os valores desejados. O problema é que, novamente, não existe uma reposição encaminhada.

O nome de Maxence Lacroix, do Crystal Palace, apareceu recentemente como um jogador que agrada ao departamento de futebol. Porém, até o momento, não há qualquer negociação concreta em andamento.

Enquanto isso, outras situações permanecem indefinidas. Axel Disasi retorna após empréstimo sem garantia de permanência, assim como Nicolas Jackson. Liam Delap não conseguiu convencer na última temporada, enquanto Marc Guiu ainda busca afirmação. Nenhum desses casos parece próximo de uma solução definitiva.

São muitas perguntas e poucas respostas para um plantel que já precisava passar por ajustes importantes.

Xabi Alonso terá muito mais trabalho do que imaginava

Xabi Alonso, novo técnico do Chelsea
Xabi Alonso, novo técnico do Chelsea (Foto: Manu Reino / DeFodi Images / IMAGO)

Até o momento, a única contratação confirmada pelo Chelsea para a temporada 2026/27 foi Marco Palestra, lateral de 21 anos comprado por 55 milhões de euros junto à Atalanta. É um número que contrasta com a quantidade de problemas que o clube precisa resolver antes do início da Premier League.

Naturalmente, ainda há tempo para mudanças. A janela permanece aberta, negociações podem acelerar e o cenário pode ser completamente diferente quando a bola rolar oficialmente.

Mas o que preocupa não é somente a lentidão. A impressão transmitida pelas primeiras movimentações é de que o Chelsea continua reagindo aos acontecimentos, e não conduzindo seu próprio planejamento. Vende antes de garantir reposições, negocia ativos importantes sem maximizar seu valor de mercado e segue acumulando indefinições em posições-chave do elenco.

Era justamente esse tipo de desorganização que a chegada de Xabi Alonso prometia combater.

Por isso, embora seja cedo para qualquer julgamento sobre o trabalho do espanhol, é impossível ignorar que seu ponto de partida está longe do ideal. Em vez de encontrar uma base sólida sobre a qual pudesse implementar suas ideias, o novo manager herda um grupo recheado de dúvidas, um mercado ainda sem direção clara e uma torcida que voltou a olhar para a diretoria com desconfiança.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo