Van Basten: carreira breve, mas brilhante

Quem vê a lista de glórias de Marco van Basten pode não acreditar que ele disputou sua última partida oficial aos 28 anos de idade. O holandês, mesmo prejudicado por problemas crônicos no tornozelo, foi o maior atacante de sua geração. Basta lembrar o golaço marcado na vitória por 2 a 0 da Oranje sobre a União Soviética na final da Eurocopa em 1988, quando ele acertou um voleio quase sem ângulo para bater o goleiro Dasaev. Aquele título permanece como o maior feito do futebol holandês – algo que hoje Van Basten tenta igualar como treinador, levando a equipe à Euro 2008.

Natural de Utrecht, Van Basten foi levado à prática do futebol pelo pai, ex-jogador. Começou no time local, o Elinkwijk, e logo conquistou espaço nas seleções de base da Holanda. O Feyenoord tentou, mas quem o levou para suas filas foi o Ajax, em 1981. No ano seguinte, Van Basten, então com 17, estreou no time principal. Não poderia ter sido mais emblemático, substituindo ninguém menos que Johan Cruyff. Logo de cara, balançou as redes.

O envolvimento no time cresceu gradativamente, após a saída de Wim Kieft, até então principal atacante do elenco. Foram 9 gols em 20 partidas na temporada 1982/3, quando o Ajax se sagrou bicampeão. Na campanha seguinte, a explosão definitiva: artilheiro da Eredivisie com 28 gols em 26 jogos. A artilharia se repetiu em 1984/5, com 22 gols e mais um título, e em 1985/6, com absurdos 37 gols em 26 partidas, que lhe valeram a Chuteira de Ouro.

Os problemas físicos começaram a se manifestar na temporada 1986/7, mas uma cirurgia no tornozelo que o afastou por três meses dos campos não o impediu de terminar como artilheiro do campeonato pela quarta vez consecutiva e ainda marcar o gol do título da Recopa contra o Lokomotive Leipzig.

No final daquela temporada, Van Basten se transferiu para o Milan, como símbolo das ambições de Silvio Berlusconi de reerguer um clube que vinha de duas passagens recentes pela segunda divisão. Depois de um começo promissor, voltou a parar por problemas no tornozelo. Ficou sem jogar por seis meses, mas retornou em um momento crucial da temporada e marcou um gol decisivo na vitória contra o Napoli, que colocou o Milan em vantagem para chegar ao 'scudetto', depois confirmado.

No verão europeu de 1988, Van Basten comandou o renascimento da seleção holandesa, que se sagrou campeã continental depois de ficar fora das duas Copas do Mundo anteriores. Ele marcou os três gols da vitória por 3 a 1 sobre a Inglaterra na primeira fase, selou os 2 a 1 em cima da Alemanha Ocidental nas semifinais – jogo de forte significado simbólico após a derrota na final do Mundial de 1974 – antes da vitória histórica sobre a URSS na decisão.

Depois da Eurocopa, Van Basten passou a ter a companhia de dois compatriotas no Milan: Gullit e Rijkaard. O trio fez do clube 'rossonero' bicampeão europeu e mundial, e Van Basten marcou 56 gols em 88 partidas oficiais – sendo 38 em 59 partidas pela Série A. Foi uma época de reconhecimentos individuais, com duas Bolas de Ouro, em 1988 e 1989.

A temporada fraca em 1990/1, vencida pela Sampdoria, levou à troca de treinador – Fabio Capello no lugar de Arrigo Sacchi, cujas relações com Van Basten andavam deterioradas. No primeiro ano com Capello, o atacante de Utrecht foi artilheiro (25 gols) e iniciou uma seqüência de três títulos italianos.

Em 1992, Van Basten alcançou seu auge, coroado com a terceira Bola de Ouro. Marcou quatro gols em uma goleada de 5 a 1 pelo Napoli, na Série A, e repetiu o feito contra o IFK Gotemburgo na Liga dos Campeões. No fim do ano, operou novamente o tornozelo e demorou mais do que o previsto para retornar. De volta, ficou fora de várias partidas, pensando na final da LC contra o Olympique de Marselha, mas naquela altura já era apenas sombra de si mesmo e nada pôde fazer para evitar a derrota por 1 a 0.

Em junho de 1993, Van Basten passou por nova cirurgia. Foram dois anos tentando em vão recuperar a condição de jogo, até se decidir pela aposentadoria. Adriano Galliani, vice-presidente do Milan, resumiu o sentimento do clube: “O futebol perdeu seu Leonardo da Vinci”.
 

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Equipe Trivela

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