Uzbequistão: evolução evidente

 

Por Rodolfo Zavati

Em 2011, o Uzbequistão realizou a melhor participação de sua história em Copas da Ásia, chegando pela primeira vez entre os quatro finalistas. Apesar da eliminação humilhante nas semifinais, numa partida em que os uzbeques foram derrotados por um maiúsculo 6 a 0 diante da Austrália, a boa campanha no principal torneio asiático de seleções atesta a evolução do recente futebol uzbeque.

Uma das quinze repúblicas que compunham a antiga URSS, a República do Uzbequistão possui cerca de 27,5 milhões de habitantes (44ª nação mais populosa do mundo), distribuídos numa área que corresponde, aproximadamente, aos estados de São Paulo e Paraná juntos. Ao contrário de algumas ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central, o país não é uma nação transcontinental, ou seja, a totalidade de seu território está localizada na Ásia, não extendendo uma pequena porção à Europa, como nos casos de Azerbaijão e Cazaquistão. Sua capital, centro econômico e cidade mais populosa é Tashkent.

Embora não seja uma república islâmica, os muçulmanos sunitas são a maioria religiosa. O idioma oficial é o uzbeque, uma língua turcomana originária do uigur, mas que recebeu influências russas, persas e árabes. De clima árido, o país não possui saída para o mar. Na economia, o Uzbequistão é um dos maiores exportadores de algodão do mundo, só perdendo para os Estados Unidos e a Índia.

Historicamente, o território ocupou lugar de destaque no “Grande Jogo”, termo que caracterizava a rivalidade estratégica entre o Império Britânico e a Rússia Czarista pela supremacia da Ásia Central, a partir do século XIX. Conquistado pelo Império Russo, foi agrupado com as demais posses turcomanas dos russos, sob o nome de Turquestão. Em 1924, após Stálin comandar a redefinição das fronteiras soviéticas na Ásia Central, é criada a R.S.S. do Uzbequistão. A independência ocorreu em 1991, com a dissolução da União Soviética.

Durante a URSS, nenhum jogador de origem uzbeque disputou uma Copa pela seleção vermelha; na antiga liga unificada, apenas o Pakhtakor Tashkent conseguiu chegar à divisão principal, disputudando por 22 vezes e tendo dois sextos lugares como melhores resultados. Com a independência, surgiria a necessidade de uma nova seleção. Filiada à AFC enquanto algumas ex-repúblicas soviéticas da Ásia (como o Azerbaijão) preferiram fazer parte da UEFA, fez seu primeiro amistoso em 1992: um 2 a 2, contra o também recém-independente Tajiquistão. Já em 94, os novatos conquistaram o ouro nos Jogos Asiáticos. Em 1996, veio a primeira classificação para Copa da Ásia, competição que os uzbeques se tornariam assíduos participantes, se qualificando para todas as edições desde então.

Situação atual

Após fazer bons papéis e cair nas quartas nas duas últimas Copas da Ásia (em 2004 e 2007), os “Lobos Brancos” tiveram seu melhor desempenho em 2011, em janeiro, no Qatar. Primeiro lugar num grupo que tinha os donos da casa e mais China e Kuwait, os uzbeques passaram pela Jordânia no primeiro mata-mata. Na semi, o 0 a 6 imposto pela Austrália ofuscou a boa campanha. Na disputa pelo terceiro lugar, nova derrota; porém, desta vez, um honroso 2 a 3 para os coreanos.

A equipe ainda é frágil, o que se comprova com o placar elástico imposto pela Austrália – rodada e com jogadores que atuam na Europa. A base da seleção atua no futebol local; as exeções são alguns isolados na Coréia do Sul, China, Qatar e Azerbaijão. A rodagem européia se limita aos jogadores de times russos de pequeno porte. A grande esperança do futebol uzbeque era o meia Ilyos Zeytulayev, que jogou nas categorias de base da Juventus e era visto como uma promessa. Profissionalizado, rodou sem se firmar por clubes da Itália e hoje, aos 26 anos, está no Virtus Lanciano (da terceira divisão italiana) e fora das convocações do técnico Vadim Abramov. Atualmente, os principais jogadores são o meia Djeparov, do coreano FC Seoul e o centroavante Shatskikh, que joga no ucraniano Arsenal de Kiev; o primeiro foi eleito melhor jogador da Ásia em 2008, enquanto o segundo fez sucesso no Dínamo Kiev, onde marcou quase 150 gols numa passagem de quase dez anos.

Entretanto, a seleção vem evoluíndo gradualmente e já pode projetar concorrer ser uma das presenças asiáticas na próxima Copa do Mundo. Em 2006, passou perto: em dois jogos controversos, perderam para o Bahrein numa respecagem que valia o direito de enfrentar Trinidad & Tobago, pela vaga na Alemanha. Atualmente, num cenário de quatro ou cinco lugares destinados à AFC, em que Japão, Coréia do Sul e Austrália dispontam como favoritos absolutos, o Uzbequistão deve encarar em igualdade de condições as seleções árabes, Irã, China e Coreia do Norte pela quarta vaga, ou, ao menos, a repescagem contra o vencedor da Oceania. Portanto, não será uma zebra absurda ver os uzbeques em gramados brasileiros em 2014.

No Brasil, aliás, pode-se dizer que o futebol do Uzbequistão ganhou as manchetes graças ao Bunyodkor. O time, fundado em 2005 por milionários do setor petrolífero, abriu o bolso para contar com o meia Rivaldo e os técnicos Zico e Felipão, além de anunciar negociações com Samuel Eto'o – numa jogada de marketing que repercutiu no mundo todo.

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