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Uma despedida em Tbilisi

Aniversariante deste 4 de julho, o defensor Ned Zelic, ex-Borussia Dormund, falou com exclusividade a Trivela sobre o título georgiano conquistado pelo Dinamo Tbilisi, seu último clube na carreira. O australiano, que completa 37 anos, pendurou as chuteiras há algumas semanas e conversou conosco após retornar da Áustria onde comentou a final da Eurocopa para uma TV de seu país. Confira como foi esse bate-papo com um dos futebolistas da Oceania com melhor reputação na Europa nos anos 90.

Parece simples para o Dinamo de Tbilisi ganhar troféus na Geórgia, por exemplo, entre 1990 e 99 ganharam o titulo nacional todos os anos. Como foi ser campeão na última temporada?
Foi um grande sentimento vencer o campeonato e não foi assim tão fácil. Esse foi o primeiro troféu do clube desde 2005, então, todos ficaram felizes com o título.

Como foi trabalhar com o treinador Dusan Uhrin?
Fantástico técnico, foi eleito o treinador do século na República Tcheca e todos o respeitavam muito.

Como são as partidas da Liga georgiana?
A parte técnica é de alto nível, os jogadores tem uma habilidade natural. A parte tática precisa melhorar e isso só pode acontecer com grandes treinadores explicando aos jogadores como reagir em certas situações embora todos os treinadores tenham diferentes filosofias e idéias táticas.

De que forma você vê o progresso do futebol no país hoje?
Eu vejo de forma muito positiva o futebol na Geórgia e desenvolverá no futuro porque existem muitos talentos com boa habilidade técnica, bons treinadores e o sucesso da seleção seria importante para confirmar isso tudo.

E a vida em Tbilisi?
É uma cidade fantástica! Eu fui muito feliz lá, um lugar muito excitante. Sentar com os amigos em muitos cafés na parte antiga da cidade no verão são momentos que eu nunca esquecerei.

Por que você preferiu encerrar sua carreira na Geórgia ao invés da Austrália, onde é ídolo?
Eu joguei um ano na Austrália, em 2005, daí fui para Holanda por um curto período e lá apareceu a oferta do Dínamo Tbilisi e eu aceitei. Foi um lugar muito interessante para fechar minha carreira de maneira até tardia.

O que precisa melhorar na A-League australiana?
É uma liga que tem tido muito sucesso, bons públicos vindo para os jogos, excelentes estádios, muitas pessoas assistindo pela TV, partidas excitantes, mas uma coisa que precisa melhorar é trazer estrangeiros de mais qualidade. Não muitos, pois eu acredito que deveríamos dar espaço para os nossos jovens talentos. O ideal é um ou dois estrangeiros por time, mas que façam a diferença nos jogos.

Imagino que deve ter sido muito especial trabalhar com o treinador Ottmar Hitzfeld no inesquecível Borussia Dortmund dos anos 90.
Foi muito bom estar com Hitzfeld, um dos melhores técnicos do mundo. Ele é muito bom para lidar com os jogadores. Eu tinha a sensação de que ele poderia ler a mente dos jogadores, sabia exatamente o que nós pensávamos e sentíamos dentro e fora de campo. Me deu grande suporte e confiança, especialmente quando eu cheguei ao clube, me deu a chance de jogar no time principal mesmo com minha pouca idade, é um treinador fora-de-série.

Ainda tem contato com o zagueiro brasileiro Júlio César, que jogou com você em Dortmund?
Infelizmente não. Tem muito tempo que não nos vemos, ele era um dos meus grandes amigos no clube, tenho grande respeito por ele tanto como jogador quanto pessoa, ele é um verdadeiro ‘gentleman’.

E com o atacante suíço Stéphane Chapuisat, um dos maiores artilheiros estrangeiros da Bundesliga?
Também foi um grande amigo e faz tempo que não o vejo. Era um fantástico driblador. Lembro quando cheguei ao Borussia, no meu primeiro treino ele já me colocou em situação difícil com seus dribles. Chapuisat também era muito completo, sua finalização era mortal.

Michael Ballack ficaria fácil na reserva de Rummenigge e Andreas Möller?
Com certeza. Rummenigge e Moller tinham mais habilidade técnica. Eles driblavam melhor e com suas habilidades com a bola conseguiam lances geniais em qualquer situação em campo. Ballack tem problemas quando é duramente marcado, perde a bola rapidamente e muito frequentemente. Ele é melhor como cabeceador e muito perigoso quando está próximo do gol. Mas eu prefiro muito mais Rummenigge e Moller, o futebol deles era mais excitante de se assistir.

Acha que a Bundesliga está mudando muito em relação a década passada?
Tem mudado principalmente o sistema tático. Estão usando muito o 4-4-2 e o 4-3-3, antes todos jogavam no 3-5-2 com um libero e um ‘playmaker’, um camisa 10 a moda antiga que atuava atrás dos atacantes. Não existem mais genuínos ‘playmaker’ por aí, o jogo está cada vez mais rápido, o alto nível físico sempre foi importante na Alemanha, mas agora mais ênfase está sendo colocada na tática e tem mais treino com bola. Sempre existiram grandes estrangeiros na Bundesliga. Na minha época Júlio César, Paulo Sousa, Chapuisat e outros, hoje Ribery, Toni etc. Isso não mudou.

Tem acompanhado os jogos da Austrália nas Eliminatórias Asiáticas?
Sempre! Amo meu país e espero assistir a Austrália na próxima Copa do Mundo. O técnico Pim Verbeek tem feito o que foi pedido, nós estamos na fase final das eliminatórias e eu acredito que ele tem qualidade suficiente como treinador e conhecimento dos nossos adversários asiáticos para conseguirmos a classificação para o Mundial.

Aquela final da Copa das Confederações entre Brasil e Austrália, em 97, foi um das melhores apresentações sob o comando do Zagallo e a dupla Romário-Ronaldo funcionou perfeitamente. Imagino que você não tenha boas lembranças daquela partida que terminou 6 a 0 para nós.
Romário e Ronaldo estavam fantásticos naquele dia, mas nós não tínhamos chances de pará-los porque Viduka foi expulso com 20 minutos. Já é difícil enfrentar o Brasil e com um a menos se torna quase impossível fazer alguma coisa. Eu lembro que empatamos em 0 a 0 com o Brasil na fase de grupos daquele torneio, para nós foi um grande resultado, mas muitos jogadores brasileiros não estavam felizes após o jogo. Infelizmente fomos goleados na final.

Quais os atacantes mais complicados que já marcou?
Os mais difíceis foram Maradona, Ronaldo, Baggio, Cantona, Romário, Batistuta e Chapuisat nos treinos…..(risos).
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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