Turcomenistão: ascensão dos “cavalos negros”

A vitória do Turcomenistão sobre Hong Kong por 3 a 0, ocorrida há pouco mais de dois anos, deu início a uma grande festa que tomou conta das ruas da capital do país, Ashgabat. Esse resultado credenciara o time à disputa da terceira fase das Eliminatórias Asiáticas para a Copa de 2010, já que no confronto de ida, o placar acabou em branco. A seqüência de bons resultados se refletiu no ranking de seleções organizado pela FIFA. Um mês depois desse resultado, foi considerada a melhor seleção asiática pela máxima entidade do futebol mundial.

No entanto, a sequência de bons resultados não se manteve: na próxima fase das Eliminatórias, a seleção turcomena somou apenas um ponto nos seis jogos que disputou no grupo que contava também com a Jordânia, a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Mais uma despedida melancólica do país que um dia sonha em classificar-se para a Copa do Mundo.

O Turcomenistão, também conhecido como Turquemenistão ou Turcomênia e que significa “País dos Túrquicos” na língua persa, está localizado na Ásia Central, entre o Irã, o Afeganistão, o Cazaquistão, o Uzbequistão e o Mar Cáspio. Fazia parte da União Soviética e obteve sua independência no final 1991, juntamente com outras ex-repúblicas soviéticas. Até 2006 era governado por um ex-membro do Partido Comunista daquele país. Saparmurat Niyazov tornou-se um ditador com excessivo culto à sua personalidade, sendo apelidado por ele mesmo de Turkmenbashi (Pai dos Turcomenos). Apesar de sua morte, ainda é possível ver muitos quadros, estátuas e homenagens reverenciando-o num passeio pelas ruas de Ashgabat.

Inevitável passado soviético

A exemplo de outras ex-repúblicas soviéticas, o Turcomenistão é uma seleção jovem no cenário mundial. A federação de futebol do país foi fundada em 1992 e, no mesmo ano, a seleção estreou com uma derrota para o Cazaquistão por 1 a 0. Já no ano seguinte, a equipe foi vice-campeã da ECO Cup, um torneio disputado entre seleções que fazem parte de um bloco econômico denominado Organização de Cooperação Econômica (Em inglês, ECO), onde também fazem parte o Irã, a Turquia e diversos países da Ásia Central cuja maioria da população é muçulmana. Após esse feito, a equipe sempre foi eliminada nas primeiras fases, tanto nas Eliminatórias para a Copa do Mundo quanto nas Eliminatórias para a Copa da Ásia.

Em 2004, no entanto, a história foi diferente: a seleção alviverde classificou-se para a Copa da Ásia disputada na China e caiu no mesmo grupo que a Arábia Saudita, o Iraque e o Uzbequistão. Com apenas um ponto em três jogos, os turcomenos deram adeus ao torneio na primeira fase. Mesmo assim, o único ponto conquistado (o empate em 2 a 2 contra a Arábia Saudita) foi motivo de celebração por duas razões: gerou uma grande motivação nos atletas do país por terem empatado contra uma seleção que havia ido à Copa de 2002 e deixou o país em terceiro lugar no grupo na frente da própria Arábia Saudita, que perdeu seus dois jogos porém marcou um gol a menos que o Turcomenistão, terminando assim em último lugar no grupo.

Para o próximo ano, porém, as perspectivas são melhores: a seleção turcomena disputará em fevereiro a “Challenge Cup”, que reunirá os times com pior colocação nas três zonas em que estão classificados os países da AFC (Confederação Asiática de Futebol). O campeão dessa competição assegura uma vaga direta à Copa da Ásia de 2011, que será disputada no Catar.

Liga reduzida e “cavalos-negros”

O Campeonato Nacional do país conta com apenas oito times, que jogam no sistema de todos contra todos em turno e returno de Abril até Novembro. O campeão turcomeno desse ano foi o FC Ashgabat, cuja sede fica na capital do país. Aliás, dos nove times que participam do Campeonato quatro estão localizados na capital do país. E na lista histórica dos campeões nacionais, apenas duas equipes de fora de Ashgabat conseguiram ganhar um Campeonato: o Shagadam Turkmenbashy e o Nebitchi Balkanabat.

Os principais jogadores do país são os atacantes Vladimir Bayramov, que joga no Tobol, atual vice-campeão do Cazaquistão e Vyacheslav Krendelev, que joga no russo Metallurg Lipetsk. A promessa do futebol turcomeno é o meio-campista Ruslan Mingazov, que com apenas 17 anos saiu do país para tentar a sorte no futebol da Letônia, atuando pelo Skonto Riga.

Chama a atenção o cavalo que fica na parte superior do escudo da Federação de Futebol do país e que serve de apelido para a Seleção do Turcomenistão: Os Cavalos Negros. O cavalo é da raça Akhal-Teke, que se originou no território onde fica atualmente o país e que também está presente no brasão da República. Trata-se de um cavalo que, além de veloz, é muito indicado para caminhadas a longas distâncias, pois ele consegue se manter por algum tempo sem comida e bebida.

Para se ter uma idéia da importância do cavalo na cultura turcomena, a ele é reservado um feriado nacional que é comemorado no último sábado de Abril. Nesse dia, são realizadas diversas corridas com esse tipo de cavalo e outras cerimônias, como peças de teatro e concursos musicais. Em 2004, o falecido presidente Niyazov construiu um hipódromo de 25 milhões de dólares somente para promover as corridas em homenagem ao cavalo, que por sinal é idolatrado no país.

Agora é esperar até o ano que vem para ver se a seleção do Turcomenistão irá incorporar o espírito dos belíssimos Akhal-Teke para poder ir se classificar a mais uma Copa da Ásia. Se depender da torcida turcomena que adora, além dos eqüinos, o futebol, os “Cavalos Negros” dos estádios também farão bonito.

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Equipe Trivela

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