Túnel do tempo trouxe um grande clássico, com seis gols

 O grande clássico de Prudente foi uma volta ao passado, um túnel do tempo que levou os que gostam de futebol aos anos 70. Não apenas pelos seis gols, mas principalmente pela presença de três tipos de jogador que as mudanças táticas e o desenvolvimento da preparação física tem afastado do futebol moderno.

O primeiro é o 10 clássico, que ontem vestia 83. Um 83 que permite a maldade de se dizer que é o peso sonhado por Daniel Carvalho. Não importa. Mesmo acima do peso, ele mostrou toque de bola e velocidade em espaço curto. Fez jogadas que Neto cansou de fazer, pegando a bola e ganhando do marcador, em pouco espaço. E marcou, de falta, o primeiro gol.

Daniel Carvalho ganhou o duelo com Jadson, muito mais elétrico e também muito mais ineficiente. Com Daniel armando bem, o Palmeiras pôde se fortalecer atrás com João Vitor, Marcio Araújo e Marcos Assunção. Bem protegido, com boa armação e com Maikon Leite atuando bem aberto, dominou o São Paulo.

O empate veio com uma grande jogada de Casemiro – que está jogando bem – e a conclusão de Cícero. O desempate veio logo depois, para dar justiça ao que se via em campo.

E o gol palmeirense chegou como uma ode ao futebol antigo. Barcos é um centroavante dos velhos tempos, com boa presença na área e, além disso – um plus a mais, como dizem alguns amigos – tem boa técnica. Dominou uma bola difícil de dominar, livrou-se do fraco Paulo Miranda, aproveitou-se do afobamento de Piris e fez um golaço. Um gol que perde espaço hoje em dia, com o maravilhoso futebol do Barça, em que o centroavante não existe.

Com Jadson improdutivo, era possível pensar em sua saída para a entrada de um volante com mais pegada, como Rodrigo Caio, e a subida de Casemiro para jogar ao lado de Cícero. Leão preferiu radicalizar.

E comprou seu bilhete na máquina do tempo, mandando o time de volta em um 4-3-3 que muita gente acharia anacrônico. Reabilitou a figura do ponta-esquerda, com Fernandinho.

Foi muito criticado, pois o novo jogador perdeu as três primeiras jogadas, de forma bisonha, quando o jogo estava empatado, depois que Willian Jose converteu o pênalti sofrido por Cortez. Foi o segundo pênalti que o lateral conseguiu no campeonato.

Mesmo com Fernandinho mal, o São Paulo foi dominando o jogo. Principalmente porque Daniel Carvalho não agüentou mais. Deixou de produzir e municiar o ataque. Mas a troca de Casemiro por Rodrigo Caio ajudou o Palmeiras, que trocou Daniel por Patrick e passou a ser um time mais equilibrado em campo, com suas linhas agrupadas. O São Paulo tinha muito espaço entre a defesa e o ataque. O Palmeiras vinha e era parado com faltas.

Foi na cobrança de uma delas que Barcos fez o terceiro. Bem colocado, aproveitou-se do erro de Rhodolfo e da falta de cobertura de Cortez, para fazer o que o bom centroavante mais gosta de fazer: gol com simplicidade.

A reação do São Pauo veio do menos produtivo passageiro desse trem nostálgico que nos levava ao futebol do passado. Fernandinho driblou, avançou, acertou um canudo, empatou o jogo e pegou moral para infernizar a defesa verde, que o parou com três faltas seguidas. Do outro lado, as faltas eram em Barcos. Denis, que falhara no primeiro gol, fez uma defesa espetacular no chute de Assunção.

É lógico que os torcedores pessimistas podem se lamentar: o armador do Palmeiras é gordinho e não agüenta, o zagueiro do São Paulo é baixo na altura e nos padrões técnicos, Jadson esta devendo, o Palmeiras joga muito atrás etc etc etc. Sempre há algo a se lamentar, mas também é bom exaltar o clássico que veio do passado e terminou com seis gols, um meia clássico, um centroavante e um ponta

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Equipe Trivela

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