Túlio de Melo: “Objetivo do Lille é terminar no pódio da Ligue 1”
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Túlio de Melo balançou as redes no empate em 2 a 2 do Lille com o Levski Sofia na semana passada, em jogo válido pela quarta rodada da Liga Europa. Jogando pelo LOSC desde 2008, o brasileiro de 25 anos também já atuou por Le Mans (FRA), Aalborg (DIN) e Atlético Mineiro. No Le Mans, ele foi o primeiro brasileiro a atuar pelo clube francês.
Em entrevista exclusiva à Trivela, Túlio de Melo disse como foi sua adaptação na Europa, jogando na Dinamarca e França. Contou, ainda, que o Lille tem como meta terminar entre os três primeiros do Campeonato Francês, já que na temporada passada a equipe foi a quarta colocada e na temporada retrasada ficou em quinto na Ligue 1.
Você nasceu em Montes Claros e foi revelado pelo Atlético Mineiro. Como você foi parar no Galo?
Eu fui visto por um olheiro quando jogava no Ateneu, de Montes Claros, e recebi um convite para fazer um teste no Atlético. Saí de casa aos 11 anos para morar em Belo Horizonte e jogar no Atlético Mineiro. Fiquei dos 11 aos 19 anos no Galo. A minha base no futebol foi feita no Atlético Mineiro.
Como foi a sua passagem pelo Galo?
Foi muito boa. Em todas as categorias que passei fiz muitos gols, fui artilheiro e fiz grandes amigos lá. Foi excelente fazer a base em um grande clube como o Atlético Mineiro. Claro que tem algumas dificuldades, que é sair de casa cedo, morar longe da família, ter que se virar sozinho, resolver os próprios problemas. Mas acho que tudo isso faz você crescer, ganhar experiência e maturidade mais rápido.
E depois você foi para a Dinamarca…
Fui jogar na Dinamarca quando eu tinha 19 anos. Fiz teste lá e deu tudo certo. No início, assinei um contrato de seis meses e renovei por mais seis meses.
Como é atuar em um país em que o clima, idioma e futebol são diferentes do Brasil?
É realmente muito diferente. O clima então nem se fala. É um inverno rigoroso que não conhecemos em nenhum Estado do Brasil. Com certeza, o clima foi a maior dificuldade no início. Apesar da maioria da população falar o inglês, a língua oficial é o dinamarquês. Não tinha nem idéia, nunca tinha ouvido nada parecido. Mas tirando isso, achei que as pessoas são bem receptivas. Os dinamarqueses gostam de brasileiros.
Foi difícil se adaptar ao futebol dinamarquês?
É um futebol de muita força. Acho que o meu biotipo me ajudou. Quando eu estava no Brasil, as pessoas falavam que eu tinha o perfil para jogar na Europa. Mesmo assim, senti muita diferença nas dividias e até em relação aos juízes que não dão falta em qualquer entrada. A tendência é o árbitro deixar o jogo seguir. Mas isso são coisas que a gente tem que se adaptar. Quando cheguei no país, até tinha uma pequena noção porque um outro brasileiro, o Thiago Junio, que jogou comigo no Atlético, estava no Aalborg e ele me explicou: “Você pode se preparar que aqui os juizes não vão dar tanta falta como no Brasil. E aqui o futebol é técnico e de força. Não é como no Brasil onde se visa mais a habilidade”. Fiquei na casa dele nos primeiros dias
Depois você foi para o Le Mans. Como foi se adaptar na França?
Em relação ao clima, não tive problema porque o primeiro país que eu vivi na Europa foi a Dinamarca, que é um lugar mais frio que a França. Achei mais fácil de aprender o idioma pelo fato do francês também ter origem latina. Em relação ao futebol, por mais que seja considerado de muita força, é mais jogado do que o dinamarquês. Na França, o futebol não para. Eu diria que é mais dinâmico e tático do que no Brasil.
E foi no Le Mans que você começou a fazer o seu nome na Europa?
Posso dizer que sim. Foi o meu primeiro clube de maior expressão na Europa. Tive bons resultados e consegui vencer jogos com equipes de ponta. Foi o time que me mostrou para o futebol europeu.
No Le Mans você atuou junto com Grafite. Como foi ter atuado com ele?
Foi um aprendizado enorme. É um amigo de verdade que eu fiz no futebol. Além de um excelente jogador, é uma excelente pessoa. Só há coisas boas para falar dele. Sempre admirei a humildade dele, um jogador que já esteve no São Paulo, Goiás.
Alguns jogadores brasileiros chegam na Europa por meio da Escandinávia. Você acha que esse é um caminho bom a se seguir?
O mais difícil é você chegar na Escandinávia e se adaptar. A mudança de clima e cultura é muito brusca. Um jogador que se adapta ao futebol da Escandinávia e tem habilidade técnica se adapta em qualquer clube da Europa. Qualquer lugar, com exceção da Rússia, é mais ameno que na Escandinávia.
No Palermo, você ficou pouco tempo.
Tinha assinado um pré-contrato com o Palermo. Um mês antes de eu chegar no clube, toda a diretoria e membros técnicos que tinham me contratado foram demitidos Na pré-temporada, fiz o meu trabalho e até fui o artilheiro. Mas houve problemas de cumprimento de contrato. Então achei que não fazia sentido continuar em um clube que em que o contrato não fosse cumprido desde o início. Conversei com eles e expliquei a situação. Como tinha um outro clube que estava interessado e acabei indo para o Lille.
O fato de você ter já jogado na França foi determinate para você ir para o Lille?
O determinante foi que o técnico [Rudi Garcia] que estava no Lille tinha me treinado no Le Mans. Ele, que me conhecia, tinha confiança no meu trabalho e acreditava no meu potencial, pediu a minha contratação para a diretoria do Lille.
Quais as expectativas do Lille nessa temporada?
Nossa meta é sempre progredir. Na temporada passada, ficamos em quarto. Na retrasada, terminamos em quinto. Quinto, quarto… Esperamos fazer melhor que nos anos anteriores. O ideal seria pelo menos terminar no pódio.
Em 2008, você veio para o Brasil para fazer tratamento na Toca da Raposa.
Fiz um tratamento na Toca da Raposa porque eu conhecia o fisioterapeuta. Depois, voltei de novo para o Brasil e fiz tratamento com um fisioterapeuta do Atlético Mineiro. A gente procura quem a gente conhece. A medicina brasileira está muito avançada. Tanto que muitos jogadores preferem se tratar no Brasil.
Você acha que tem chance de ser convocado para a Seleção Brasileira?
Tenho esperança, principalmente agora com Mano Menezes. Ele está convocando vários que estão na Europa e que não necessariamente se destacaram no Brasil. Sempre tentarei fazer o meu melhor. Quando você está bem, as coisas vêm naturalmente. É importante eu continuar marcando gols e o time terminar em uma boa colocação no campeonato.
Você tem planos para o futuro?
Gostaria de fazer um bom campeonato e quem sabe me transferir para um time de maior expressão. A Inglaterra é um país que me agrada bastante. Acho que tenho um perfil para me adaptar bem lá.