“Treinamos ao lado do vulcão”
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Apesar da excelente vitória no clássico com o Deportivo Fas no último final de semana, o tradicional Deportivo Águila continua fora do G4 na liga de El Salvador (Clausura 2009). A vitória valeu para apagar uma sequência negativa de quatro derrotas consecutivas. Para falar do momento da equipe de San Miguel, contactamos o atacante Oliveira, vice-artilheiro do Apertura 2008. Além de acreditar na classificação que ainda pode ser conquistada nas duas rodadas que restam, ele revela um detalhe inusitado.
“Nosso centro de treinamento fica ao lado do vulcão Chaparrastique, a vista é bonita, mas ao mesmo tempo assustadora”. Confira nas linhas abaixo!
Percebe-se que quando você chegou ao Deportivo Águila no ano passado, o elenco estava passando por uma reformulação e mesmo assim vocês chegaram às semifinais. Mas nesse ano o time mostrou dificuldades. Qual foi o problema?
O maior problema foi a troca de treinador, que veio com um esquema de jogo diferente daquele que estávamos acostumados e isso nos custou um pouco a se adaptar. Somente agora a equipe parece estar se encaixando no esquema do novo técnico, pena que um pouco tardiamente.
Seu atual técnico, Pablo Centrone, tem muita experiência e rodou por varias partes da América.
Em geral, o grupo demorou um pouco para se adaptar ao esquema de jogo dele. Sem contar que temos três brasileiros e é a primeira vez que trabalhamos com um treinador argentino e sempre tem aquela rivalidade (risos), mas no geral temos nos dado bem apesar de ele ter um estilo linha dura, diferente do treinador anterior que era meio paizão do grupo. Em geral temos aproveitado sua experiência e seu conhecimento adquiridos com sua rodagem pelo mundo.
Você ainda acredita que dá pra chegar entre os quatro primeiros e se classificar? Quais as equipes que estão mais em forma no momento?
Claro que acredito, estamos treinando forte para isso e temos esse objetivo. As equipes que estão bem no momento são o atual campeão Metapán, o Nejapa, o Chalatenango, o Firpo, nós do Aguila e o CD Fas (Club Deportivo Futbolistas Asociados Santanecos).
A torcida de vocês é a mais fanática do país?
Sim, a nossa torcida é uma loucura! Esta sempre presente nos estádios, nos acompanha em massa, é como se sempre jogássemos em casa. Podemos comparar essa torcida com a do Flamengo em proporções menores devido ao tamanho do país.
O futebol de El Salvador é cadenciado ou correria?
O futebol Salvadorenho é de muita correria e pegada, mas com a vinda frequente de brasileiros, argentinos já se pode notar uma melhor técnica e a tendência é que melhore ainda mais com esse intercâmbio de jogadores e treinadores sul-americanos.
A maioria dos estádios estão bem cuidados? Os gramados são bons?
Esse tema é outro ponto que deve ser melhorado aqui: os estádios. Estão caminhando para essa melhora. Por exemplo, o Vista Hermosa acaba de inaugurar seu próprio estádio e outras equipes devem seguir o mesmo caminho.
Imagino que o Chalatenango seja a equipe que você mais odeia. Eles eliminaram vocês no ano passado e te impediram de brigar pela artilharia. Eles são conhecidos por ser o time mais difícil de ser batido quando joga em casa. É dureza jogar lá em Chalatenango?
Na verdade o que me impediu de seguir brigando pela artilharia foi uma lesão que tive no dedo do pé esquerdo que me deixou afastado dos gramados por 7 partidas antes daquela eliminação. O ‘Chalate’ jogando em casa é uma equipe forte, o campo deles não é muito bom, o que dificulta um pouco tocar a bola. Os jogos lá acontecem às 3 horas da tarde e o calor é insuportável naquela cidade, então por essa somatória de fatores é difícil mesmo jogar em Chalate.
Você trabalhou no ano passado com o técnico peruano Agustín Castillo. Ele ganhou muitos títulos e tem muita moral aí. Que tipo de treinador ele é?
Um dos melhores treinadores com quem já trabalhei. Sabe tudo de futebol, apaixonado pelo que faz, é um motivador nato, tem sempre o controle do grupo. Como pessoa também é excepcional e para finalizar basta ver os números, ele foi cinco vezes campeão nacional aqui.
É interessante notar que cada equipe da liga de El Salvador pertence a uma cidade diferente. Quais são os clássicos aí?
Águila e Vista Hermosa é um clássico regional por serem cidades vizinhas (San Miguel e San Francisco Gotera), mas o maior clássico do país é Águila e CD Fas (recordistas de títulos nacionais).
Como você avalia a seleção e o que seus companheiros de clube contam dos jogos de El Salvador pelas Eliminatórias?
Após 28 anos sem disputar uma Copa do Mundo, o país tem novamente uma expectativa de ir ao Mundial, a seleção vive um ótimo momento e esta no hexagonal. Tenho seis companheiros na seleção e os vejo motivados para irem a Copa, mas sabem que são jogos difíceis, principalmente contra EUA e Mexico, que são as grandes potências aqui das Américas central e do norte apesar de o México não estar bem.
E como é viver perto do vulcão Chaparrastique aí em San Miguel? A população teme que ele entre novamente em erupção depois de mais de 30 anos que isso não acontece?
Bem tranquilo (risos), o nosso centro de treinamento fica ao lado do vulcão, a vista é bonita, mas ao mesmo tempo assustadora para nós que não estamos acostumados. As pessoas aqui não parecem se preocupar muito com esse assunto.