Toulalan: Um meia moderno

As últimas temporadas consolidaram o Lyon como o melhor clube da França. A fórmula do sucesso do pentacampeão nacional, todos conhecem. Não é mistério a maneira como a equipe se porta no mercado europeu. Sem muito alarde e excessos, o presidente Jean-Michel Aulas busca os nomes certos para substituir aqueles que foram vendidos. Assim ocorreu quando Michael Essien se transferiu para o Chelsea e, mais recentemente, quando a saída de Mahamadou Diarra era praticamente certa.

Antes mesmo de liberá-lo para o Real Madrid, Aulas providenciou a contratação de uma peça de reposição para o malinês. Ela atende por Jérémy Toulalan, mais uma revelação do centro de formação de atletas do Nantes, La Joneliere. O interesse lionês por Toulalan não é tão recente assim. Ainda na preparação para a temporada 2005/06, o time tentou adquiri-lo, entretanto, os Canários não foram seduzidos por suas propostas e, desse modo, mantiveram o talento do meio-campista ao seu lado por mais ano, tempo suficiente para que ele fosse decisivo na manutenção do clube na Ligue 1.

Feito isso, Toulalan partiu para o Lyon, onde, como o próprio diz, terá que suar muito para manter a sua aparente titularidade. Novos desafios e um anseio por conquistas, é claro, fazem parte dessa nova etapa de sua carreira. Conquistas que não são muitas nesses poucos anos como profissional, aliás. A primeira com a camisa dos lioneses não demorou muito. Ela veio depois da vitória na disputa do Troféu dos Campeões contra o PSG, quando venceram nos pênaltis.

Substituto de Diarra?

A princípio, Toulalan parece ser o escolhido para substituir o novo volante do Real Madrid. Até o momento, ele foi titular em todas as cinco partidas do OL nessa temporada. Em três delas, atuou ao lado do próprio Diarra, mostrando um entrosamento inesperado por todos. Mas, com a despedida da estrela de Mali, ele passou a ter como companheiro na meia cancha o não menos competente Tiago.

Alinhando com o português, ele passou a exercer a função de primeiro volante, diferentemente do que ocorreu nos três primeiros compromissos. Assim, Toulalan possui menos liberdade para participar das ações ofensivas, tarefa que cabe ao seu companheiro de setor. Mais preso, ele, de certa forma, se limita a iniciar os ataques lioneses, o que faz muito bem, em virtude da excelente qualidade de passe com que conta.

Uma inversão de postos entre os dois volantes – variação natural do futebol – não parece ser uma idéia que deva ser levada muito a sério por causa da incontrolável vontade de Tiago em querer avançar sempre. No que diz respeito a Toulalan, o treinador Gérard Houllier não precisa se preocupar. Ele mostrou no Nantes e nos Bleuets, seleções francesas de base, ter um ótimo senso de quando deve ou não aparecer como elemento-surpresa na defesa adversária.

Apesar de ostentar quase todas as características de um volante moderno, Toulalan ainda precisar melhorar em certos aspectos. Como possui um estilo cadenciado, ele encontra um pouco de dificuldade quando tem que dar um pouco mais de dinamicidade ao time. Essa falta de velocidade também pode comprometê-lo numa situação na qual ele é incumbido de marcar de perto um atacante velocista, por exemplo. Um trabalho nesse sentido seria ótimo.

Por isso, talvez Toulalan não seja o substituto ideal para Diarra. Não que ele não tenha qualidade suficiente para isso. Pelo contrário, isso ele possui de sobra. Contudo, falta-lhe maior força no combate aos adversários, o que sobrava ao seu antecessor. Essa macieza com que ele se apresenta em campo não condiz com o perfil da maioria dos primeiros volantes. Devido a isso possivelmente, o OL trouxe Alou Diarra, ex-Lens, para alimentar ainda mais a disputa pela posição.

Futuro na seleção francesa

A mudança de ares não aumentará tão somente o apetite de Toulalan, que usufruirá da melhor cozinha francesa, mas também a sua exposição. No Lyon, ele estará muito mais em evidência e, assim, caso faça por merecer, oportunidades para servir aos Bleus serão maiores. Nesse período pós-Copa, ele foi lembrado por Raymond Domenech em sua primeira convocação, porém, pouco pôde mostrar.

Fatalmente, outras chances virão com o processo de renovação pelo qual a França iniciou. No último Europeu sub-21, ele mostrou que o peso da responsabilidade de defender o país não é amedrontante. E embora o escrete tenha sido eliminado pela Holanda nas semifinais, ele e outros companheiros foram indicados para a seleção do campeonato.

Humilde como é, Toulalan terá esperteza para não se iludir com tudo o que o futebol lhe oferecerá daqui em diante e, com certeza, deverá fazer as escolhas corretas em sua carreira, para, desse modo, deixar de ser apenas uma promessa e se tornar um dos melhores meios-de-campo da Europa, como prevê seu treinador Gérrard Houllier.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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