Toronto Croatia: geopolítica em campo

Més que um club. Esse é o slogan que o Barcelona faz questão de espalhar pelo mundo. O lema tem a intenção de mostrar que os culés não são apenas um time de futebol, mas sim os representantes diretos do orgulho catalão, tantas vezes ferido pelo General Franco, antigo ditador da Espanha. Mas se o Barcelona acha que é més que um club, ele definitivamente não conhece o Toronto Croatia, atual campeão canadense.

Como o próprio nome diz, o Toronto é a equipe da colônia croata no Canadá. O seu principal rival é o Serbian White Eagles, time de origem sérvia, ex-“amiguinha” da Croácia na colcha de retalhos e etnias que era a Iugoslávia.

A história do vencedor da última edição da Canadian Nacional Soccer League começou a ser escrita após a Segunda Guerra Mundial, quando o país recebeu imigrantes croatas contrários ao regime comunista iugoslavo e que queriam a independência de sua nação.

Em 1956, esses imigrantes se reuniram para fundar o Croatian National Sports Club Toronto Croatia, com a intenção de transformar a equipe em uma bandeira favorável ao nacionalismo croata –o país só conseguiria sua independência em 1991, após uma sangrenta guerra separatista.

Dentro de campo

Os primeiros títulos nacionais do Toronto Croatia demoraram para acontecer, mas quando chegaram, foram em seqüência. Campeão canadense pela primeira vez em 1970, o clube voltaria a levantar o troféu em 1971, 72 e 73, em seu único tetracampeonato.

O sucesso na liga canadense levou a equipe a se fundir com outro time de Toronto, os Metros, para disputar a NASL (North American Soccer League), dos Estados Unidos, que contava com o todo poderoso New York Cosmos. A maior estrela do time nesse período de American Dream foi o craque português Eusébio, já em final de carreira.

A experiência do Croatia na NASL durou pouco, mesmo com o título de 1976, já que uma fusão com outro time descaracterizava o seu cunho nacionalista. A parceira, iniciada em 1975, foi rompida em 78, quando a equipe “estrangeira” retornou à liga canadense e ao jejum de títulos, que só seria quebrado em 92.

Cinco anos depois, foi criada a Canadian Professional Soccer League, com a intenção de ser o principal campeonato do futebol canadense. Em 1998, o Croatia se juntou a ela., que é dividida em duas conferências: uma com times nacionais, e outra com equipes “de colônia”, como o Italia Shooters e o Portuguese Supra, além do Serbian White Eagles, seu rival, um verdadeiro inimigo na esfera geopolítica.

Para comemorar os seus 50 anos, em 2006, o Toronto realizou uma excursão às suas origens e visitou Bósnia-Herzegovina e Croácia para alguns amistosos –enfrentou o time B do Dínamo Zagreb, o NK Siroki Brijeb e o NK Primorac Belgrado. No ano seguinte, participou e venceu a primeira edição da Copa do Mundo de clubes croatas ao bater o Canberra FC (ex-Croatia), da Austrália, por 3 a 1 na decisão.

O último Nacional

Com um elenco formado predominantemente por atletas de nacionalidade croata, o Toronto conquistou em 2007 o seu décimo título canadense. O elenco contava com apenas um canadense com participação regular, o goleiro George Azcurra.

Para chegar ao título, o Croatia precisou “engolir” encerrar a temporada regular atrás do Serbian White Eagles. O “troco” foi dado na final da competição. Em duas partidas disputadas em 24 horas, o Toronto conseguiu um placar agregado de 4 a 1 e sagrou-se campeão, justamente sobre o seu grande rival.

O maior destaque do time foi o croata Tihomir Maletic, escolhido como o “estreante do ano”. O jogador, que marcou nove gols na temporada, já havia mostrado o seu instinto goleador no ano anterior, quando fez 36 tentos pelo Osijek, da segunda divisão da Croácia.

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Equipe Trivela

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