Top 10: sul-americanos que fracassaram no Brasil

 

Contratar jogadores sul-americanos é uma rotina no futebol brasileiro há muito tempo. Muitos deles tiveram sucesso destacado, como Pedro Rocha, Darío Pereyra, Carlos Tevez, Carlos Gamarra, Hugo de León, Ramos Delgado, Elias Figueroa, Diego Lugano, entre outros. Mais fácil do que listas os sucessos é listas os fracassos. São dezenas de jogadores que foram contratados com nome, conquistas, mas fracassaram de forma retumbante por aqui.

Escolher dez nomes para a lista foi uma tarefa árdua. Em conversas na redação, trocas de e-mails e consultas com outros jornalistas, surgiram tantos nomes que quase o top 10 virou top 100. Os nomes citados foram tão interessantes que resolvemos colocá-los como complemento (confira ao lado).

Entre os dez escolhidos, jogadores que chegaram ao país com a expectativa de serem astros ou, ao menos, de brilharem. Alguns deles foram contratados custando muito e não duraram nem dez jogos. Confira a lista:

 

10. Edgar Baez (Santos)

O Santos queria contratar o atacante da seleção paraguaia, o famoso Baez. Foi até o Racing, clube do jogador, e o contratou em 1996. Só que depois percebeu que o contratado era, na verdade, Edgar Baez, não Richart Baez, que era quem o time queria. O jogador, na época, estava no Japão, atuando pelo Avispa Fukuoka.

Depois de constatado o erro, o contrato já estava assinado e Edgar Baez foi a campo. Como era de se esperar, o jogador não correspondeu às expectativas da diretoria e da comissão técnica. Em duas temporadas, em 1996 e 1997, entrou em campo 28 vezes e marcou sete gols.

 

9. José Luis Sierra (São Paulo)

A sua chegada ao São Paulo ilustra o grau de expectativa que José Luis Sierra chegou ao São Paulo. O chileno, que jogou no Unión Española em 1988 e tinha passado pelo Valladolid (1989/90), da Espanha, chegou ao Morumbi em 1995 de helicóptero.

Meia canhoto e habilidoso, destacou-se no clube chileno e, depois de fracassar na Espanha, voltou ao time para liderar a equipe ao título chileno. Na Libertadores, destacou-se jogando justamente contra o São Paulo e acabou no Morumbi, mas sua passagem foi para ser esquecida. Não foi o camisa 10 que o time procurava, fez poucos jogos e deixou o clube no ano seguinte, 1996.

 

8. Sergio Goycochea (Internacional)

Um dos destaques da Argentina na Copa do Mundo de 1990, o goleiro Sergio Goycochea veio para o Internacional em 1995. A chegada foi com status de estrela, mas o desempenho do pegador de pênaltis foi abaixo do esperado.

Primeiro, porque a expectativa foi de um goleiro de nível mundial, o que Goycochea nunca foi – foi sempre um excelente pegador de pênaltis. Segundo, nunca conseguiu dar a segurança esperada em um time que passava por um momento difícil. Fez 26 partidas e deixou o clube quase um ano depois, em 1996, para jogar no Vélez Salrsfield e depois Newell’s Old Boys, onde encerrou a carreira.

 

7. Celso Ayala (São Paulo)

Zagueiro paraguaio consagrado, fez uma dupla memorável com Carlos Gamarra na Copa do Mundo de 1998. A defesa paraguaia ficou famosa por jogar bem posicionada e bloquear muito bem os ataques adversários e dar muito trabalho até ser eliminada, na prorrogação, pela futura campeã França. Dois anos depois da Copa, vindo do Atlético de Madrid, desembarcou no São Paulo.

No tricolor paulista, teve atuação apagada. Apesar de ter participado das campanhas do título do Campeonato Paulista e do vice-campeonato da Copa do Brasil em 2000, fez poucos jogos no clube – foram apenas oito. Deixou a equipe para voltar ao River Plate, clube que defendeu entre 1995 e 1998.

 

6. Fabián Carini (Atlético-MG)

Veio para resolver o problema do Atlético-MG no gol. Com passagens por Juventus e Internazionale no currículo (embora sempre como reserva), veio do Murcia em 2009 para ser o número 1. E com Vanderlei Luxemburgo no banco, um técnico renomado.

O que se viu foi um goleiro inseguro, que falhou diversas vezes e não foi capaz de dar o toque de experiência e qualidade que se esperava dele. Acabou na reserva de Aranha, contratado junto à Ponte Preta, e depois de Renan Ribeiro, garoto de apenas 20 anos. Foi para o Peñarol em 2011, voltando ao seu país natal.

 

5. Diego Aguirre (Internacional/São Paulo)

O atacante uruguaio ficou famoso por marcar o gol do título do Peñarol na Libertadores de 1987, contra o América-COL, na prorrogação. Transferiu-se para a Fiorentina e Olympiacos, ambos sem sucesso, antes de desembarcar no Internacional, em 1989.

No Colorado, não conseguiu causar a boa impressão que a Libertadores de dois anos antes. Fez apenas oito partidas e marcou um gol. Sem conseguir sucesso, rumou para o São Paulo, em 1990. Mais uma vez, não conseguiu sucesso: em 12 jogos, marcou cinco gols, mas não conseguiu impressionar e, sem espaço, deixou o clube. O destino foi outro clube brasileiro: a Portuguesa, em 1991. Mais um fracasso. Jogou apenas cinco partidas e deixou a equipe, voltando ao Peñarol. Atualmente, é técnico de futebol e dirige justamente o Peñarol.

 

4. Os LDUs (Edison Mendez, Patricio Urrutia, Luis Bolaños, Joffre Guerrón)

Um dos fracassos que mais serão lembrados são os jogadores campeões da Libertadores pela LDU em 2008. Diversos jogadores daquela equipe foram sondados e contratados por tims brasileiros. E absolutamente todos fracassaram.

Luis Bolaños era um jogador rápido, habilidoso e que dava trabalho aos adversários. Foi contratado pelo Santos para ser um sucesso, mas acabou sua curta passagem depois de apenas quatro meses. De lá foi para o Internacional. Estreou marcando três gols contra o Coritiba, mas depois as atuações foram ruins. Dez jogos e quatro gols depois, deixou o clube para ser emprestado ao Barcelona, do Equador, e posteriormente voltar à LDU.

Patrício Urrutia era o capitão da conquista da Libertadores em 2008 e chegou ao Fluminense como um meio-campista para tomar conta da posição. Tomou conta do banco, foi pouco aproveitado e nunca impressionou. Sua contratação já começou errada: em agosto de 2009 fez exames médicos, mas foi reprovado por uma lesão no tornozelo. Desesperado e lutando para não cair, o Fluminense contratou o jogador mesmo assim um mês depois, vendo que o tornozelo já estava melhor. Fez apenas cinco jogos e voltou à LDU em 2010.

Joffre Guerrón era uma das estrelas da LDU de 2008. Era um terror pela direita (o Fluminense que o diga) e, depois de fracassar no Getafe, foi emprestado ao Cruzeiro. No clube mineiro, pouco conseguiu fazer e a Celeste viu que o milhão de dólares pago por ele pelo empréstimo tinha sido em vão. Deixou o clube após 17 jogos e três gols. Em 2010, foi para o Atlético-PR, onde continuou a ser irregular.

Por fim, Edison Mendez foi destaque do time antes da conquista da Libertadores. Passou duas temporadas no PSV, a primeira por empréstimo. No meio da terceira temporada, voltou à LDU, onde foi campeão da Sul-Americana de 2009 sendo destaque. Foi para o Atlético-MG em 2010 com a expectativa de ser um destaque do time. Nunca conseguiu se firmar no time, que degringolou durante a temporada e acabou brigando para não cair. Sem espaço e com um salário alto, deixou o clube para jogar pelo Emelec, onde poderia disputar a Libertadores.

 

3. Claudio Borghi (Flamengo)

No início da sua carreira, no Argentinos Juniors, foi comparado a Diego Maradona. O atacante chamou tanto a atenção que foi para o Milan, em 1987. Acabaria nunca jogando pelo clube, já que só eram permitidos três estrangeiros, e jogou no Como por empréstimo. Depois de passar pelo Neuchâtel Xamax, da Suíça, voltou à Argentina para jogar no River Plate, por uma temporada. Em seguida, chegou ao Flamengo com muito alarde, com a missão de substituir Bebeto, vendido ao Vasco.

Apesar de jogar com nomes como Júnior Baiano, Leonardo e Zinho e, posteriormente, Zico, que encerraria a carreira, foi uma decepção. Pouco conseguiu fazer no time e, em apenas seis partidas, não marcou nenhum gol. Deixou a Gávea sem ser notado.

 

2. Matías Defederico (Corinthians)

Chegou ao Corinthians contratado junto ao Huracán como “o novo Messi”. Fez uma parceria muito vitoriosa no time argentino com Javier Pastore e o time contava ainda com Mario Bolatti, atualmente no Internacional. O Corinthians pagou US$ 4 milhões para tê-lo. A expectativa sobre seu futebol rápido e habilidoso foi, aos poucos, transformando-se em decepção.

Seja porque era aproveitado em uma posição que não era a sua, seja porque não eram dadas as oportunidades devidas, o fato é que ele entrava mal nas partidas. Apesar de um ou outro lampejo, ele nunca conseguiu brilhar no Corinthians. Foram 31 jogos, normalmente saindo do banco, e dois gols. Saiu sem deixar saudades, por empréstimo, ao Independiente, onde tornou-se, novamente, protagonista do time.

 

1. Leonardo Astrada (Grêmio)

Argentino, capitão e ídolo do River Plate, presença constante na seleção argentina, grande parte das vezes como titular. Chegou ao Grêmio em 2000 com a moral de um craque, trazido pela então parceira do tricolor gaúcho, a ISL. Torcida no aeroporto Salgado Filho, expectativa. Afinal, além de ídolo do River, ele acabara de ser campeão pelo clube pela 10ª vez, um recorde. Um jogador vencedor, que tinha tudo para ser um dos líderes do time no Gauchão, sob o comando do delegado Antonio Lopes. O volante, conhecido por sua implacável marcação, tinha tudo para ser um ídolo gremista.

Acontece que o jogador fez uma passagem relâmpago, não foi bem e acabou fora do time em dois tempos. Naquele campeonato estadual, a participações do Grêmio foi pífia. O jogador fez apenas seis partidas, sem marcar um gol sequer. Quando a ISL quebrou, pediu para voltar ao River Plate.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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