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Tecnologia e o futebol

Em todo o mundo, muita gente tem questionado por que o futebol ainda não usa a tecnologia para tirar dúvidas em jogadas polêmicas. Segundo especialistas, a International Boarde ainda teima em diminuir a importância do fator humano que, há tanto tempo, decide o jogo.

O presidente da UEFA (União Europeia de Futebol), Michel Platini, concorda com a Fifa, e diz que os replays de vídeo atrapalhariam o ritmo de uma partida. A postura deles contrasta com a de outros esportes, que já adotaram a tecnologia para fazer o tira-teima de jogadas controversas.

No basquetebol, por exemplo, os juízes usam sistemas de replay para ter certeza de que os jogadores estão arremessando a bola dentro do prazo estipulado pelo relógio, enquanto no críquete um terceiro árbitro, com acesso aos replays da TV, deu tão certo que já foi adotado em todos os jogos.

Blatter acordou no dia 28 de junho, com manchetes nos jornais que diziam que o “futebol precisa deixar a Idade da Pedra” e que “o fóssil Blatter da Fifa deve ser enterrado”, depois que o gol de Frank Lampard foi anulado no jogo da Inglaterra contra a Alemanha no último sábado (26). Replays mostraram que a bola cruzou a linha do gol. Naquele momento, o técnico italiano da seleção inglesa, Fabio Capello comentou como se sentiu. “É incrível que na era da tecnologia os juízes não sejam capazes de decidir se foi gol ou não.

Algumas horas depois, o gol de abertura da Argentina contra o México foi aprovado pelo juiz apesar de Carlos Tevez estar impedido. Os defensores da tecnologia dizem que esses erros poderiam ter sido evitados. Autoridades do mundo do futebol já testaram tecnologias na linha do gol antes, mas a Fifa as descartou em março deste ano.

A tecnologia usava câmeras colocadas nas traves e em chips colocados na bola para dizer se ela tinha cruzado a linha do gol, parecida com o HawkEye, equipamento usado no tênis e no críquete. A entidade de futebol também testou dois juízes adicionais, na Liga dos Campeões, para evitar erros, mas a experiência ainda está sendo analisada.

Ninguém sabe dizer quanto tempo o futebol continuará sendo o último esporte a adotar as últimas tecnologias. Mas Blatter parece não ter pressa para mudar, de acordo com uma recente declaração. Não importa qual tecnologia seja usada, no fim do dia, a decisão será tomada por um ser humano. O ponto a ser discutido é: até que ponto a verdadeira atração no futebol é baseada na falibilidade humana nas decisões dos árbitros?

O futebol como produto é baseado na transparência de todos os elementos que o cercam, desde o regulamento que o rege até a precisão e organização da arbitragem nas partidas desde torneio. Porém, o fato dessas partidas serem tocadas por um árbitro humano e sem recursos tecnológicos, corre risco de termos decisões equivocadas que podem ter resultado efetivo numa partida deste torneio, o que poderia ser temerário à credibilidade deste mesmo torneio.

A credibilidade é uma fase a ser alcançada para a efetivação de campeonatos de futebol no Brasil como verdadeiros produtos de atividade econômica, e para isso um primeiro passo, anterior à implementação de tecnologias, é termos arbitragens profissionais em nossos campeonatos, visando a minimização de erros na interpretação de lances no decorrer de uma partida. Seria um bom primeiro passo rumo à efetiva adequação do futebol brasileiro como produto de atividade econômica de entretenimento.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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