Sulyvan: De Portugal a Malta, com escala na Malásia
O meia Sulyvan Silva, 30 anos, natural de Muqui, região sul do Espírito Santo, atualmente defende o Floriana, de Malta. Neste bate-papo, ele nos conta suas experiências nas categorias de base do Porto, sua passagem por clubes da Liga de Honra – segunda divisão portuguesa – uma breve ida para Malásia e, claro, seu atual estágio: o Floriana.
Como você foi descoberto em Muqui, pelo Porto?
Fui descoberto por três olheiros de grandes clubes do Brasil, na Copa A Gazetinha. Em 1989, fiquei um mês no Bahia, não me adaptei porque era muito novo, passei pelo Flamengo, onde fiquei um mês e meio perdendo aulas, gastando com passagens, e eles ainda não tinham chegado a uma decisão sobre meu futuro. Aí eu larguei. Depois disso, retornei ao Rio de Janeiro, em 1991, para jogar no Vasco. Fui aprovado, mas tinha muitos jogadores para o meu lugar. Nisso, surgiu a oportunidade de ir para Portugal, por meio do próprio Vasco.
Quais as recordações que você tem da equipe do Porto que conquistou o titulo português 1991/2, quando você estava nos juvenis? Aprendeu muito com esses caras?
Com certeza aprendi muito, pois convivia diariamente com os jogadores, principalmente o Aloísio (brasileiro). Até hoje somos amigos e mantemos contato.
Você teve algum contato com o Carlos Alberto Silva, o treinador brasileiro da equipe?
Sim, inclusive freqüentava a sua casa, o seu gabinete e o treino dos profissionais.
O Famalicão está na segunda divisão portuguesa desde 1994. Nunca mais conseguiu subir. Você saiu de lá em 1997, e jogou a temporada 2003/4 lá de novo. A administração do clube é ruim ou a segunda divisão de Portugal é muito difícil?
Fico muito triste pela situação do clube até hoje, porque tem uma ótima estrutura para as categorias de base, mas peca pela má administração. Foram acumulando dívidas, que até hoje não foram pagas, e isso se reflete em campo.
Você esteve dois anos no Felgueiras, uma pequena equipe do norte do país. Qual seu sentimento depois de saber que o clube foi extinto em 2005, dando origem a dois times, o CAF (Clube Acadêmico de Felgueiras) e o FCF Felgueiras?
Com muita tristeza vi o fim deste clube tão querido por todos na região. O que tenho a dizer? O vírus da má administração. Vão deixando acumular dívidas, e o resultado é esse.
Em 1999, o meia brasileiro Artur, do Porto, afirmou que existe muita inveja do jogador brasileiro em Portugal. Ele disse que quando um brasileiro é contratado, os boleiros portugueses já acham que vão perder lugar na equipe. Existe muito disso em Portugal?
É a pura verdade! O preconceito é enorme. Tentamos ultrapassar isso, mostrando que realmente temos mais valor do que eles.
Você jogou alguns meses na Malásia, em 2005. O que achou da experiência de jogar lá?
Joguei quatro meses na Copa da Malásia, pelo MK Land, de Kuala Lumpur. Foi uma experiência benéfica. Aprendi muito com eles em aspectos como a coragem, a determinação e a superação.
Recentemente, Steve Darby, técnico do Perak, da Malásia, conversou conosco e disse que nos jogos de sua equipe, 30 mil pessoas comparecem no estádio. Os malaios são torcedores apaixonados mesmo?
Cara, eles vivem intensamente futebol. São apaixonados pelo futebol inglês e admiram muito nossos jogadores também.
Como está sua adaptação ao futebol de Malta e ao seu clube, o Floriana?
Excepcional! Tive uma minha lesão, que foi uma infelicidade que tive no jogo contra o Pietá Hotspurs, quando desloquei o ombro e fui operado, mas agora voltei e é só alegria.
A seleção de Malta sempre foi ‘saco de pancada’ em eliminatórias para Copa do Mundo e Eurocopa. Está em 118º no ranking da Fifa. O que você notou que precisa melhorar no futebol de Malta?
Eu fui ver o jogo contra Lituânia, e eles perderam por 4 a 1. Têm bons valores, mas falta mais qualidade e profissionalismo à maioria deles. Falta também ambição! Eles têm boa estrutura na base, depende de os jogadores quererem algo mais, terem ambição.
O campeonato em Malta é superior à segunda divisão portuguesa ou o futebol da Segundona de Portugal é melhor?
Aqui em Malta é melhor um pouco e poderia ser ainda melhor!
O capixaba Reiger, do Ilisiakos, da Grécia, nos disse que os gregos são estressados e mal educados. Como é o povo em Malta?
Eles são mal educados em relação aos turistas. No geral, são pessoas amáveis, queridas e amigas.
Pretende jogar mais quanto tempo? Vai encerrar a carreira no Brasil?
Espero jogar mais alguns anos. Acredito que o fim da minha carreira será aqui em Malta ou em Portugal, no meu querido clube, o Madalena, onde considero minha segunda casa e família.
Prefere a mulher malaia, portuguesa ou maltesa?
Maltesas! (risos) São mais simpáticas, extrovertidas e lindas!