Sissoko: O próximo Vieira?

No dia 21 de fevereiro, o incensado Barcelona, campeão da Liga dos Campeões, entrou em campo em seu estádio, o Camp Nou, para enfrentar o Liverpool, campeão de 2005. Eto’o, voltando de contusão, pediu para não jogar, mas os ídolos Ronaldinho, Messi e Deco estavam em campo. Favoritíssimo, sua missão era vencer em casa e administrar o resultado na Inglaterra.

Perderam a partida por 2 a 1. Duas semanas depois, foram eliminados, mesmo vencendo por 1 a 0. O Liverpool derrotou um dos favoritos ao título e seguiu sua caminhada para recuperar o almejado status alcançado em 2005.

O fator determinante para a vitória dos Reds foi a dura marcação de Ronaldinho e companhia comandada pelo franco-malinês Mohamed Sissoko.

Nascido em 22 de janeiro de 1985, em Mont-Saint-Aignan, França, Mohamed Lamine Sissoko, ou Momo Sissoko, como é mais conhecido, é um volante forte e marcador, com um estilo de jogo duro, mas eficaz. Freqüentemente, ele é comparado a Patrick Vieira, da Internazionale e da seleção francesa.

Aliás, o primeiro a fazer a comparação foi o próprio treinador do Liverpool, Rafa Benítez. Quando trouxe Sissoko para seu time, Benítez disse: “Em poucos anos, ele será mais dinâmico que Vieira e um jogador ainda melhor!”

Questionado sobre as comparações, Sissoko responde: “Não acho que devo me comparar. Ele é consagrado e, há anos, prova que é um grande jogador. Sou um jogador jovem e gostaria de pensar que um dia serei considerado melhor que ele”.

Sua regularidade e a segurança que passa para seu time fazem de Sissoko um volante promissor. Aprendendo a desarmar sem fazer tantas faltas, poderá se tornar um grande nome da posição. Mas sua carreira poderia ter tomado um rumo bastante diferente: em vez de um volante seguro, poderia ser um meia-atacante medíocre. Não fosse Benítez.

Benítez: técnico e mentor

Sissoko começou sua carreira em 2002, no Auxerre, da França, onde jogava como meia. Após uma temporada, transferiu-se para o Valencia, da Espanha, onde o técnico Rafa Benítez viu seu potencial para atuar como volante. Na Espanha, foi campeão nacional e da Copa Uefa, na temporada 2003/4 e campeão da Supercopa na temporada seguinte.

Em 2004, Momo causou controvérsia no Valencia, quando disse para o técnico Claudio Ranieri que jogaria um amistoso contra a seleção do Quênia. A imprensa espanhola descobriu que esse jogo não existiu: Sissoko estava visitando o pai doente no hospital. Ranieri o perdoou, mas sua relação com o time e a torcida ficou abalada.

No verão de 2005, diferentes times ingleses queriam contar com Sissoko em seu elenco. O Everton estava muito próximo de um acordo, mas a oportunidade de voltar a trabalhar com seu ex-técnico e mentor Benítez no Liverpool fez o atleta preferir o time vermelho da terra dos Beatles.

Novamente, as orientações do técnico espanhol fizeram com que Sissoko desenvolvesse seu futebol, coroado com a Liga dos Campeões de 2005. O jogador reconhece o dedo de Benítez em seu desenvolvimento: “Ele fala muito conosco e mostra muita confiança em seus jogadores, e é por isso que ele tem tanto sucesso. Conhece bem seus jogadores e, acima de tudo, quando tem muitos jogos, ele sabe como fazer um rodízio entre os atletas, de forma que todos estão 100% quando você tem uma grande partida pela frente”.

A disposição de Sissoko na marcação e suas eventuais aparições no ataque, como no poderoso chute no travessão na partida de volta com o Barcelona pela Liga dos Campeões, o tornaram um grande ídolo da torcida. Freqüentemente, seus fãs estendem na arquibancada uma faixa com os dizeres “Momo é o Chefe” gravados na bandeira de seu país: Mali.

Honrado por defender Mali

Nascido na França, filho de pais malineses, 15 irmãos, Mohamed Sissoko teve que tomar uma difícil decisão: defender as cores da França, como o senegalês Vieira e o ganense Desailly ou representar Mali, a pátria de seus pais.

“É verdade que a França não é exatamente como Mali; eles venceram a Copa do Mundo e seu time e jogadores são conhecidos em todo o mundo. Mas Mali é um time que está começando a crescer. Escolher Mali foi uma decisão que tomei. É uma honra para mim, e eu fiz minha escolha. É algo em que não penso muito a respeito, pelo momento”.

Com 10 jogos e um gol pela seleção malinesa, o volante nem sempre é tão festejado pelo torcida de seu país. Em um jogo contra a seleção de Togo, pelas eliminatórias para a Copa de 2006, após dois gols do time visitante, os torcedores malineses invadiram o campo, perseguindo os jogadores de sua seleção. Momo Sissoko, Frédéric Kanouté e os demais atletas da equipe tiveram que deixar o estádio escoltados, para sua própria segurança.

O episódio não mudou a disposição do jogador em defender a bandeira de Mali. “A cada dia, há mais e mais jogadores na França que estão escolhendo jogar pelo país de seus pais, especialmente aqueles de Marrocos, Argélia e Gana”.

Para ele, o intercâmbio entre jogadores de origem africana e os times europeus é benéfico para o futebol como um todo. “Acho que as seleções da África têm alguns jogadores de renome atuando em grandes times, mas a organização de seu futebol não é muito boa. Há muitas equipes que escolhem trazer técnicos europeus, especialmente franceses e alemães, e, como resultado, essas pessoas trazem mais profissionalismo para o futebol africano”.

Em sua ideologia nacionalista, Mohamed Sissoko tem muitas diferenças em relação a Patrick Vieira.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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