Saviola: Na trilha do Coelho
Se você é leitor da Trivela, certamente já ouviu falar de Saviola. Mas saberia dizer com certeza quem é, afinal de contas, Javier Pedro Saviola?
Ele é um jovem craque de futuro ainda mais brilhante. Seu início foi assombroso. Surge no River Plate e marca logo na sua estréia na primeira divisão, sendo o jogador mais jovem a debutar deixando um tento, tem apenas 16 anos. Não demora para se tornar o queridinho da torcida, graças à sua rapidez absurda, grande habilidade nos dribles em velocidade, ao bom posicionamento apesar do 1,68 metros e finalização bem acima de média. Desanda marcar gols aos borbotões -ainda é o maior artilheiro da história dos mundiais sub-20- e vira também a esperança de renovação do disputado ataque da seleção Argentina. Em 2001, “El Conejo” era um dos maiores “hot prospects” do mundo, sendo procurado pelos grandes clubes de sempre.
O Barcelona joga pesado e quebra recordes com seus 25 milhões de dólares. Leva o pequenino avante para jogar no clube catalão ao lado de Patrick Kluivert e da base da seleção holandesa de Louis Van Gaal. Saviola se adapta rápido, tem uma bela competição de estréia e vai se consolidando como titular. Mas os anos foram se passando e o Barcelona entra numa crise sem precedente. A queda livre é assustadora, resultados ridículos na tabela, torcedores caçando as bruxas. Joan Laporta consegue se eleger em 2003 e cumpre uma de suas várias promessas de campanha: limpa o clube. Os holandeses arrumam as malas, o amigo Kluivert é o primeiro (e mais festejado), e o pequeno coelho vai de roldão.
Aparece, então, outro Saviola. Ele é um flop como tantos, destinado a se tornar cigano e rodar por diversos clubes do mundo. Fora dos planos do Barcelona, é listado para empréstimo e começa a ser sondado por clubes menores. Acaba indo para o Mônaco, onde não consegue fazer a torcida esquecer o pesado Fernando Morientes. O pior momento foi, sem dúvida, ser esquecido por Marcelo Bielsa para a Copa do Mundo de 2002. Não sem protestos da imprensa portenha, mas “El Conejo” não foi para o torneio mais importante do mundo. A decadência atingiu tal monta que, tempos depois, os “jornalistas” daqui já tinham uma manchete: Saviola no Santos.
“El Conejo” começa então a trilhar um caminho de reconstrução. Volta para a Espanha e fecha com o Sevilha. Depois de muita disputa por uma vaga na equipe titular, vira o melhor atacante do time na temporada passada, anotando nove gols na liga e seis na Copa Uefa. Trilha o mesmo caminho na seleção, contando com o apoio do técnico Jose Pekerman que o conhece desde as categorias de base. O selecionador define Saviola como titular na Copa, mesmo com a sombra de Carlitos Tevez e, claro, Lionel Messi. O camisa sete recompensa na difícil estréia contra a Costa do Marfim, deixando um tento. Ele acaba sendo substituído por Lucho González, mas é eleito como o homem da partida pelo site da Fifa.
Já dá para responder quem é, afinal de contas, Javier Pedro Saviola?
Não me atrevo. Nenhum argumento sobre ele pode ser mais consistente do que reconhecer que ele é um bom atacante e que ainda ter um belo futuro. Dificilmente no Barcelona, já que a equipe azul-grená prefere torrar mais alguns milhões para ter Ricardo Oliveira como o substituto de Larsson. Ainda assim, Saviola tem caminho aberto na Espanha. Tudo depende da Copa do Mundo: Saviola pode sair como o renegado injustamente ou apenas como mais um jovem brilhante que foi engolido pela roda do futebol.



