São Cristóvão e Névis: Longe do paraíso

Duas ilhas e um paraíso. Esse é o slogan adotado pelas autoridades do governo de São Cristóvão e Névis para atrair turistas. Pela abundância da fauna e flora local e pelas praias limpas de águas claras fica nítido que os publicitários acertaram na chamada. Porém, se o assunto for o futebol, nem mesmo os premiados no festival de Cannes dariam um jeito de fazer o país parecer uma potência.

O pequeno país com população de menos de 40 mil habitantes tem uma organização muito boa se comparado a alguns vizinhos, em especial Anguilla, que fez parte de São Cristóvão e Névis até o fim do século passado. A federação local foi fundada na década de 1930 e é conhecida como SKNFA, sigla em inglês de Saint Kitts and Nevis Football Association. É ela que organiza o campeonato nacional de todas as categorias e também o feminino.

A competição nacional é dividida em quatro divisões com jogos disputados por pontos corridos. Apesar de ter um aspecto de torneio de várzea, devido aos campos e estrutura dos times, o campeonato é disputado regularmente e não sofre com paralisações. O principal time é o Newtown United, atual vencedor e campeão em outras 12 oportunidades.

O clube da cidade de Basseterre (a capital, localizada na ilha de São Cristóvão) mantém a base da seleção. Destaque para o meia-atacante Orlando Mitchum, um dos artilheiros do campeonato e autor do gol de São Cristóvão e Névis na derrota por 3 a 1 para Belize, em partida disputada na Cidade da Guatemala, em março de 2008.

Esse foi o primeiro duelo pelas eliminatórias de 2010 e obrigava o selecionado a vencer na volta por dois ou mais gols de diferença. Após esse jogo, o técnico, o norte-americano Taylor Leonard, foi dispensado. Em seu lugar assumiu Lester Morris, que não conseguiu cumprir a missão de inverter o resultado, mesmo contando com Aaron Moses-Garvey (do inglês Birmingham), o jovem Atiba Harris (que joga no Chivas USA, da MLS) e John Queeley (do chileno Municipal Iquique).

Paraíso fiscal e disputa interna

Nos tempos de colônia britânica, a principal fonte de receita era a produção de cana-de-açúcar. Atualmente, a economia das ilhas é baseada no turismo. O terreno acidentado em função de vulcões adormecidos e a floresta tropical do país conquistam todos os anos um número maior de visitantes, principalmente o ecoturista. Mas a natureza nem sempre ajuda. Furacões na região são constantes: o último a arruinar o país foi o Georges, em 1998.

A outra fonte de renda é a facilidade com que empresas se aproveitam das leis do país para transações financeiras. O governo local sofre pressões de órgãos internacionais e estuda nova legislação para coibir movimentações de recursos de origens suspeitas de lavagem de dinheiro.

Assim como Anguilla, que se separou das vizinhas, a ilha de Névis vem propondo em referendos a mesma ação. Políticos acusam São Cristóvão de não atender as necessidades de Névis, e um clima de animosidade entre ambas vem se alimentando durante os últimos dez anos. Em 1998, uma consulta popular foi realizada sobre a possível separação, que não foi aprovada nas urnas por pequena margem. Essa diferença mínima e o descaso de São Cristóvão animam Névis em busca da independência.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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