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Quem ficará com as Copas de 2018 e 2022?

 

Não é nem um pouco raro haver acusações de compra de votos nos sufrágios da Fifa para a eleição de países-sede de Copas do Mundo. Ou, pelo menos, haver desconfiança sobre o processo. Sequer é necessário haver uma volta profunda no tempo: ocorreu em 2000, na época da votação para o país que receberia o Mundial de 2006.

Na época, o escocês naturalizado neozelandês Charlie Dempsey, presidente da Confederação da Oceania, apoiava a Inglaterra, mas recebeu instruções para votar na candidatura da África do Sul. Além disso, foi um dos oito membros do Comitê Executivo da Fifa a ter recebido presentes da revista satírica alemã “Titanic”, em troca de votos na candidatura da Alemanha. Ao final, com a pressão, Dempsey se absteve da votação. E a Alemanha conquistou o direito de sediar a Copa de 2006, por um voto.

No entanto, o processo de votação para as sedes dos Mundiais de 2018 e 2022 foi perturbado por um volume de acusações poucas vezes visto. Tudo começou quando dois repórteres, do diário inglês Sunday Times, fingiram-se de lobistas da candidatura norte-americana e apresentaram-se a alguns membros do comitê executivo da Fifa. E dois dos integrantes, o francês Reynald Temarii, dirigente da federação do Taiti, e o nigeriano Amos Adamu, ofereceram seus votos em troca do dinheiro.

Adamu pediu uma oferta de cerca de € 610 mil, supostamente para investir na construção de quatro estádios na Nigéria, a serem recebidos em duas parcelas: uma no ato, a outra logo após a votação. O dirigente africano ainda disse que já estava comprometido com uma outra candidatura para a Copa de 2022, mas que os norte-americanos seriam sua segunda opção.

Claro, as denúncias caíram como uma bomba no processo. Em carta aberta, o presidente Sepp Blatter disse que Temarii e Adamu estavam em “situação ruim”. Poucos dias depois, veio o resultado: os dois dirigentes estavam suspensos.

Mas a acusação de suborno está longe de ser o único problema que envolveu as candidaturas. A troca de palavras pouco elogiosas entre os países postulantes também tornou a campanha turbulenta. Principalmente entre a Inglaterra e a Rússia. Diretor geral da candidatura russa, Alexei Sorokin criticou acidamente a cidade de Londres, um dos carros-chefe da Inglaterra. A candidatura britânica reclamou à Fifa, e Vitaliy Mutko, ministro russo dos esportes, teve de sair para apagar o incêndio, pedindo desculpas.

Não bastasse as alfinetadas inimigas, a Inglaterra também sofreu com o “fogo amigo”. Premiê do país, David Cameron confirmou a insatisfação com as revelações de corrupção na Fifa, feitas pelo programa Panorama, da BBC: “É frustrante que o Panorama esteja fazendo este programa poucos dias antes do voto. Claro que é um país livre, e há que se lidar com isso.” Andy Anson, chefe da candidatura, foi ainda mais ácido, dizendo que a BBC foi “pouco patriótica.”

Mas, apesar disso, a candidatura seguiu. E as candidaturas, aos poucos, até pelo rodízio de continentes imposto pela Fifa, foram definindo suas prioridades. As candidaturas europeias decidiram retirar-se da disputa por 2022, focando-se no Mundial anterior. Logo, as candidaturas asiáticas (e americana, no caso dos Estados Unidos) também abandonaram a campanha de 2018.

Porém, independente da decisão que o Comitê Executivo da Fifa tomará no dia 2 de dezembro, fica a impressão: os processos eleitorais da entidade ainda estão longe da transparência.

 

Confira as candidaturas a país-sede da Copa de 2018

 

ESPANHA/PORTUGAL


Pontos fortes: Ambos são países com um turismo bastante forte, sendo dois destinos europeus bastante visitados. Além disso, têm tradição no futebol, com estádios modernos e exigências preenchidas, na maioria das vezes – os portugueses organizaram a Eurocopa em 2004. Ganhou favoritismo na reta final, e já tem garantido os votos da América do Sul.

Pontos fracos: O transporte dentro das cidades-sede ainda precisa de ajustes. E, no verão europeu (época em que a Copa seria disputada), Espanha e Portugal costumam sofrer com o calor.

HOLANDA/BÉLGICA

Pontos fortes: As nações já têm experiência em sedes conjuntas de torneio, tendo sido anfitriãs da Euro 2000. Além disso, a distância entre os países é curta, facilitando o transporte.

Pontos fracos: Das candidaturas europeias, é a mais fraca, e as chances de vitória são diminutas. Além disso, apesar de ter uma infraestrutura razoável, a rede hoteleira e os locais de treino ainda estão abaixo do desejado pela Fifa.

INGLATERRA

Pontos fortes: O país é tradicional no futebol. Fatores como o alcance global da Premier League favorecem a receptividade do país à Copa. O governo apóia a candidatura, e a infraestrutura está bastante avançada.

Pontos fracos: Os índices de violência no país são fatores que perturbam, e a rede hoteleira ainda mostra menos quartos do que o exigido. E as acusações de suborno podem ter sido um golpe mortal nas chances inglesas.

RÚSSIA

Pontos fortes: O futebol do país experimenta um crescimento nos últimos anos, participando das competições continentais e tendo um campeonato de bom nível. Sediar uma Copa seria um impulso para ampliar este crescimento. A condição financeira para investimentos é boa.

Pontos fracos: Há a necessidade da construção de vários estádios (segundo o relatório da Fifa, seriam erguidas 13 arenas). Além disso, o transporte terrestre do país é deficiente, o que sobrecarregaria os aeroportos. E qualquer atraso nas obras interferiria na campanha. A ausência confirmada de Vladimir Putin em Zurique foi um baque também.

 

Confira as candidaturas a país-sede da Copa de 2022

 

AUSTRÁLIA

Pontos fortes: A Fifa pode olhar com carinho para a possibilidade de levar a Copa à Oceania pela primeira vez. Estrutura para tanto, a Austrália tem: a maioria dos estádios só precisa de ajustes, e sediar a Olimpíada de 2000 deu experiência ao país para lidar bem, principalmente, com a questão do trânsito.

Pontos fracos: Apesar de experimentar uma ligeira ascensão, a tradição do futebol no país ainda é pequena. Isso pode fazer com que o interesse da nação na Copa não seja tão grande.

COREIA DO SUL

Pontos fortes: Com relação à estrutura para os jogos, a Coreia precisaria fazer pouquíssimas alterações, já que os estádios usados na Copa de 2002 atendem às exigências da Fifa. A rede hoteleira também agrada. País de tradição no futebol, é uma das candidaturas favoritas.

Pontos fracos: O alto fluxo de carros no trânsito sul-coreano precisará ser corrigido, já que traz problemas nos horários de pico. Proximidade com o Mundial de 2002 pode atrapalhar.

ESTADOS UNIDOS

Pontos fortes: Com o desenvolvimento constante do país no futebol, sediar novamente uma Copa não seria um desafio tão grande quanto foi em 1994. Além disso, a infraestrutura está praticamente pronta: estádios, transportes e hotéis.

Pontos fracos: Apesar do estágio avançado em que o país está para sediar uma Copa, o governo norte-americano ainda não deu o seu aval à candidatura. Isso pode dificultar os ajustes necessários.

JAPÃO

Pontos fortes: Assim como a Coreia do Sul, também tem uma boa herança de estádios da Copa de 2002, prometendo apenas a construção de mais um e pequenos ajustes. Além disso, promete uma Copa moderna, com uso disseminado de tecnologia.

Pontos fracos: Apesar de estar em boas condições, o transporte precisa de ajustes no setor rodoviário. E o governo ainda não cede apoio total à candidatura. Assim como a Coreia, proximidade com o Mundial de 2002 pode atrapalhar.

QATAR

Pontos fortes: Toda a estrutura necessária para a Copa, incluindo estádios, ficaria resumida em um raio de 60 quilômetros, em poucas cidades. Além disso, o país já se esforça para criar tecnologias que diminuam o calor, sem causar danos ao meio-ambiente. E os estádios já existentes são bons.

Pontos fracos: Junho e julho, os dois meses para os quais a disputa da Copa é prevista, são os mais quentes do ano no país, o que pode causar riscos à saúde. Além disso, há poucos estádios no país: está prevista a construção de nove arenas. A capacidade hoteleira também foi criticada.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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