Planicka: Astro do ´fair play´

Recentemente, o goleiro Petr Cech foi escolhido o melhor jogador tcheco na temporada 2005/06, por jornalistas do país. Na verdade, esta foi a segunda vez consecutiva que o prêmio foi parar nas suas mãos. Neste ano, Cech tentará fazer história na Copa do Mundo, igual a um compatriota seu, que atuava na mesma posição. Na década de 30, Frantisek Planicka disputou duas Copas do Mundo e ajudou a seleção da Tchecoslováquia a se destacar entre os grandes. Uma das diferenças entre ambos é a altura. Cech é um gigante de 1m97. Bem abaixo nessa comparação está Planicka, que tinha 1m73.

Planicka defendeu a equipe em 73 jogos. Com esse número, chegou a ser o recordista da seleção. Só foi superado em 1963, por Ladislav Novak. Considerando todas essas partidas em que esteve, Planicka jamais foi expulso. E olhe que seu currículo contém mais de mil jogos. Devido a esta façanha, ele recebeu dois prêmios: Fair Play Internacional (1984), da Unesco, e o Fair Play Tcheco (1994).

Capitão na final

Não demorou muito tempo para que Planicka estreasse na seleção tcheco-eslovaca. Aos 21 anos, enfrentou a Itália num amistoso. O placar foi de 3 a 1 e Planicka atuou durante os 90 minutos. A `Azzurra´ ficou entalada.

No ano de 1934, Planicka participou de sua primeira Copa do Mundo. Foi o capitão nos quatro jogos da seleção de seu país, que conseguiu chegar à final. O terceiro deles, contra a Alemanha, foi realizado um dia após Planicka ter completado 30 anos de idade. Como presente, o goleiro ganhou uma vitória, de 3 a 1.

A anfitriã Itália, adversária na decisão, não deixou que Planicka se tornasse campeão. Parecia que os italianos realmente gostavam de derrotar Planicka em ocasiões especiais. O resultado, definido somente na prorrogação, foi de 2 a 1. Terminava ali uma invencibilidade de oito partidas da Tchecoslováquia. Porém, o sonho de conquistar a principal competição do futebol ainda não havia acabado.

Com um só braço

Em 1938, na França, a Tchecoslováquia voltou a aparecer. O primeiro compromisso foi contra a Holanda. Depois de um empate sem gols no tempo normal, os tcheco-eslovacos passearam na prorrogação: 3 a 0. Classificados, Planicka e companhia teriam que enfrentar o Brasil, nas quartas-de-final.

O jogo entre europeus e sul-americanos ficou conhecido como “A batalha de Bordeaux”. Houve três expulsões: Zezé Procópio, Machado e Riha. Um dos fatos que mais chamaram a atenção teve Planicka como protagonista.

Em determinado instante, Planicka quebrou um dos braços. Demonstrando coragem, resolveu permanecer em campo. Mesmo tendo um goleiro sem toda a sua força, a Tchecoslováquia conseguiu um empate por 1 a 1, no tempo normal.

A prorrogação não foi suficiente para definir qual equipe iria à semifinal e, assim, foi agendada uma nova partida. Todavia, esse segundo jogo não contou com a participação de Planicka, por causa da contusão. Em seu lugar, esteve Burket. A Tchecoslováquia perdeu por 2 a 1, de virada. Dali em diante, nunca mais Planicka defenderia a equipe.

O último da delegação

No ano de 1996, Planicka faleceu em sua cidade natal. Do grupo vice-campeão em 1934, o goleiro era o último que ainda estava vivo. Karel Poborsky, meio-campo da República Tcheca na Copa de 2006, foi uma das personalidades que compareceram ao enterro. Essa demonstração de carinho acabou atrasando sua assinatura de contrato com o Manchester United, marcada para o mesmo dia.

Uma das lembranças que ficaram de Planicka é a agilidade. Inclusive, em conseqüência dessa característica, surgiu o apelido de `Gato de Praga´. Outros pontos fortes do atleta eram os reflexos e a garra.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo