PIRATARIA

Aos 39 anos, a britânica Yamilé Aldama é uma das favoritas para a final do salto triplo no Mundial de Daegu. Classificou-se com 14,35m, a quinta melhor marca entre as 12 que disputarão ouro, mas não é só isso. Seu currúculo também respalda suas pretensões. Yamilé é recordista panamericana da prova, campeã pan-americana em 1999, bicampeã iberoamericana em 1996 e 1998 e vice-campeã africana em 2008.

Pois é. Como uma britânica pode ter título panamericanos, iberoamericanos e africanos? É a indústria da naturalização. Yamilé nasceu em Cuba e em 2004 naturalizou-se sudanesa, talvez sem saber o nome da capital do Sudão e, em 2010, tranformou-se em cidadã britânica sem saber cantar o hino de seu novo país.

O mundo globalizou-se, muitas pessoas mudam de nacionalidade, mas deveria haver um período maior de resguardo. Uma quarentena que inibisse a malandragem atrás disso. A naturalização foi conseguida em 5 de fevereiro de 2010. Um ano e meio depois já está competindo.

Quem se prejudica com isso são os países pobres. Cuba, por exemplo. O país tem sólida tradição no salto triplo, iniciado por Yamilé. Nesse Mundial, tinha quatro atletas classificadas. Duas delas – Yargeris Savingne e Mabel Gay estão entre as 12, com as duas melhores marcas. Todo um trabalho pode cair por terra com um bom salto da nova britânica.

Coisa de pirata. Tão grave quanto o doping.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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