''PASSA A BOLA PARA ELE, PARA MIM, NÃO”
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Jogador de futebol ganha muito dinheiro, tem muitas mulheres, viaja pelo mundo, mas é jogador de futebol até o fim. Quando deixa de ser, a carreira declina e é melhor tentar uma vaga de comentarista nas televisões da vida. Jogador não pode perder a alma boleira, não pode deixar a resenha, não pode se encher da bola. Tem de gostar de futebol sempre.
Tem de pedir a bola. E não é de jeito refinado. É com erro de concordância, é no caipirês. “Toca ni mim, porra”. “To livre, caraio”. “Num te me vendo, filho da puta, passa a bola “ e assim vai. Em todo time é assim.
No São Paulo é diferente. Jogador parece que não quer a bola. O grito que se pode imagina em campo é algo assim. “Passa para ele que ta livre, não me complica”. “Mano, por que você me deu essa bola se tem um cara me marcando? Passa para outro”.
Quem viu o jogo com o Fluminense sabe do que estou falando. Era uma derrota anunciada desde o primeiro minuto. Os jogadores chegavam antes, corriam mais e se colocavam melhor em campo. Quando fez o primeiro gol, o Flu já havia perdido uma grande chance. Perdido, não. Ceni havia feito boa defesa. Nem adiantou o juiz dar aquele pênalti Mandrake. O time perdeu merecidamente.
A falta de vontade não é o único problmea. Futebol não é só vontade. É técnica, tática e ousadia. E muitos jogadores do São Paulo não mostraram nada disso. Quase nunca mostram. Exemplos:
JEAN – Quando o time vencia e era campeão, ele até que fazia seu serviço mais ou menos. Agora, quando é preciso dar mais alguma coisa, não tem. Marca mal, não sobe de cabeça e não ataca. E ainda foi expulso.
JUAN – Foi contratado para dar mais garra ao time, para mudar o perfil de “time bonzinho”. Ele confunde isso com violência. Contra o Fluminense, tinha amarele e de um tapa na cara de Fred. Tecnicamente, é regular na defesa e ataca mal. Nunca chega à linha de fundo, só avança e faz o corte para o meio.
RIVALDO – Tem alguns momentos do grande craque que foi. São insuficientes para dar ritmo ao time. Tem jogado avançado, mas é pouco.
CÍCERO – Tem qualidade técnica, mas é o maior exemplo de quem não pede a bola. É praticante juramentado do papai e mamãe futebolístico.
CASEMIRO – Jogador de bom passe e efetivo nas cabeçadas. É lógico que a vida adulta é mais difícil que o sub-20 e por isso não rende em todos os jogos. É a segunda péssima partida que faz, após ser campeão mundial.
WELLINGTON – Não adianta desarmar o adversário, correr com a bola e passar para alguém do outro time. Quando aprender isso, vai melhorar
E Adílson? Acertou em afastar Jean, Xandão e Marlos do time titular. Agora, precisa fazer o time jogar. E mesmo se o fizer, não continua em 2012.
Para terminar e resumir. O torcedor sente saudades de Leandro Gianecchini.