Papiss Demba Cissé: a esperança senegalesa

 

Por Paulo Gomes

Todos se lembram da seleção que foi a sensação da Copa do Mundo de 2002, o Senegal. Jogadores como Diouf, Bouba Diop, Camara, Fadiga, Diao e o goleiro Tony Silva encantaram o mundo ao despachar os campeões mundiais França e Uruguai na primeira fase e a Suécia nas oitavas de final. A partir daí, no entanto, pouco se viu dos Leões de Teranga. Oito anos depois, um atacante chamado Papiss Demba Cissé foi contratado pelo mediano Freiburg para a disputa da segunda metade da Bundesliga 2009/2010.

A contratação por si só já é alguma coisa, já que os jogadores senegaleses de destaque costumeiramente ficam restritos ao campeonato francês e só quando seu sucesso ultrapassa as fronteiras francófonas é que vão para outros centros, o que é caso raro desde a geração de 2002. Mas é na temporada atual da Bundesliga que o jogador vem roubando a cena, passando de um ilustre desconhecido para vice-artilheiro do campeonato, atrás apenas de Mario Gomez, em fase prolífica pelo poderoso Bayern.

Não é uma jovem promessa

Aos 25 anos, Cissé não pode mais ser considerado uma jovem revelação. Nascido em Dacar, passou pelas categorias de bases de equipes locais como Génération Foot e Douanes antes de ser promovido a profissional neste último, aos 18 anos. A incrível produção do atacante – 23 gols em 26 jogos, uma média de 0,88 por partida – chamou a atenção do Metz, então na segunda divisão francesa. Foi contratado, ficou por uma temporada na equipe B, sem destaque, e foi emprestado na metade da temporada 2005/06 ao modesto Cherbourg (então na terceira divisão), pelo qual anotou 11 tentos.

Quando retornou ao Metz, foi incumbido da função de substituir Hervé Tum, centroavante camaronês que acabara de ser vendido ao Strasbourg. Com o status de titular e marcando 12 gols, contribuiu para o título do Metz e o consequente acesso à primeira divisão.

No entanto, a Ligue 1 se mostrou mais difícil e o matador passou por um período de jejum, perdeu espaço na equipe titular e até no elenco do Metz. Na janela de transferências do final de 2007 foi emprestado novamente, desta vez para o Châteauroux, da segunda divisão. Marcou apenas quatro gols em 15 partidas e retornou na temporada seguinte ao Metz, que fora rebaixado e disputaria a Ligue 2 mais uma vez.

De volta a titularidade, Cissé marcou 15 gols na Ligue 2 de 2008/09, mais oito na 2009/10 e ganhou suas primeiras convocações para a seleção. Foi quando o Freiburg o contratou na pausa de inverno. Marcou seis gols na metade final da Bundesliga e na atual já são 15, o que abriu os olhos de outros times e deve fazer com que o atacante deixe sua atual equipe ao final da temporada.

Características

Cissé não é exatamente um atacante driblador, como El Hadji Diouf, o mais famoso entre seus compatriotas. Não conduz muito a bola, optando por toques rápidos, ou finalizações de primeira. Também não é do tipo garçom, que serve os colegas de equipe. Mas se encaixa na estirpe dos atacantes de área, os matadores.

Com estilo velocista, Cissé utiliza sua rapidez para receber passes nas costas da defesa adversária e não titubeia em finalizar sempre que tem a oportunidade. Destro, marcou com a perna boa dez dos seus 15 gols na atual temporada. Três foram de esquerda e dois de cabeça, que não é o seu ponto forte. Posto isso, podemos dizer que suas características de jogo lembram o também africano e artilheiro Samuel Eto’o.

Em Dacar, há quem diga que Papiss Cissé é o principal nome da seleção local hoje – mais do que Mamadou Niang, que já passou dos 30 anos. É principalmente em Cissé que estão depositadas as esperanças de levar o Senegal à sua segunda Copa do Mundo e repetir o sucesso de 2002. Na recente data FIFA para amistosos, dia 9 de fevereiro, ambos (Cissé e Niang) formaram o ataque titular da seleção que enfrentou a Guiné na capital senegalesa.

O jogo estava equilibrado até que, aos 19 minutos, Issiar Dia cruzou da direita para Niang, que dominou mal de coxa, ajeitando para Cissé, quase dentro da pequena área. Livre e com frieza, o camisa 19 dominou bonito e fuzilou o goleiro guineense, Naby Yattara. 1 a 0 e fim do equilíbrio na partida, que seria dominada pelo Senegal até o fim e vencida por 3 a 0.

Em 2014 o atacante estará com 29 anos e provavelmente experiência em clubes ou ligas maiores, perspectivas com base em seu recente sucesso. Quem sabe tenha a chance de brilhar em terras brasileiras.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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