Futebol inglês

Após três anos no Chelsea, Deivid Washington quer minutos, mas esbarra em projeto confuso

Brasileiro chegou aos 18 e, aos 21, acumula menos de 30 minutos com o time principal dos Blues

Deivid Washington “explodiu” no futebol em 2023. Em janeiro, trocou o sub-17 do Santos pelo sub-20. Em abril, estava no time principal e, aos 18 anos, chamou a atenção do Chelsea. Durou somente quatro meses e 16 jogos entre os profissionais do Peixe antes de completar uma transferência de 15 milhões de euros (R$ 79 milhões na cotação da época).

Desde então, o jovem atacante não conseguiu chegar a 30 minutos jogados pelo Chelsea. Um ano e meio depois da sua transferência, voltou ao Santos por empréstimo, em fevereiro de 2025. Sete meses depois, os Blues tiveram que chamá-lo de volta por conta do limite de jogadores emprestados. No fim, Deivid chega a três anos no clube praticamente sem oportunidades.

Agora, conforme apurou a Trivela, o jovem atacante busca espaço, independentemente de onde seja. Não há prioridade sobre se manter na Europa ou voltar ao Brasil, e aceitaria empréstimo ou transferência.

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A situação de Deivid Washington no Chelsea

O jovem brasileiro jogou pelo time sub-21 e teve certo sucesso: são 19 participações em gols em 35 jogos. No entanto, se limitou a 11 minutos em dois jogos na Premier League e 14 minutos na FA Cup na temporada 2023/24.

A reportagem ouviu que Deivid Washington tem interesse do futebol europeu, sem a confirmação de clubes, e que seu interesse é jogar, independente de onde. A maior preocupação da carreira do jogador neste momento é ganhar minutos no futebol profissional.

Ainda assim, a preocupação é que o seu futuro está na mão do Chelsea, que prefere vendê-lo, uma vez que não pode emprestar todos os jogadores que não terão espaço. A Premier League limita os clubes a quatro empréstimos nacionais (para outros clubes ingleses) e um máximo de seis empréstimos para outras ligas.

Deivid Washington em jogo do sub-21 do Chelsea
Deivid Washington em jogo do sub-21 do Chelsea (Foto: IMAGO / PRiME Media Images)

Também há o limite de até três jogadores emprestados para (ou recebidos de) uma mesma equipe no exterior ao mesmo tempo — o que fecha algumas portas para o Strasbourg, clube que abrigou diversos talentos do Chelsea por ser parceiro dos Blues por conta do mesmo dono, a BlueCo.

Segundo o “ge”, o Atlético-MG tem negociações com o Chelsea pelo atacante há semanas, mas esbarra justamente no limite de empréstimos. O Galo estaria procurando um empréstimo, enquanto o clube inglês prefere vendê-lo em definitivo.

Por outro lado, vender Deivid Washington também pode ser tarefa difícil para os londrinos. O jovem chegou há três anos por 15 milhões de euros, mas não teve oportunidades para atrair interesse de outras equipes de forma mais incisiva. Financeiramente, também é difícil imaginar que o clube consiga vendê-lo por algo perto do valor que pagou.

Mais do que isso: como costume do novo projeto dos Blues, o brasileiro chegou ao clube em um contrato de sete anos com opção de extensão por mais 12 meses — ou seja, Deivid ainda tem contrato até 2030.

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Queda de Deivid Washington é reflexo de projeto superlotado do Chelsea

Curiosamente, do time em campo na estreia de Deivid Washington, em outubro de 2023, na derrota por 2 a 0 para o Brentford, poucos sobraram no time: Robert Sánchez; Axel Disasi, Thiago Silva, Levi Colwill e Cucurella; Conor Gallagher, Moises Caicedo; Noni Madueke, Cole Palmer e Raheem Sterling; Nicolas Jackson.

Destes, apenas Sánchez, Caicedo e Palmer devem seguir no time. Dos que ainda estão no elenco, Disasi deve ser negociado e Jackson também pode sair — de resto, todos deixaram o time. E outros vários jovens que chegaram há pouco tempo no Chelsea também.

Andrey disputou 47 jogos pelo Chelsea e marcou três gols (Foto: Daniel Weir /
Andrey disputou 47 jogos pelo Chelsea e marcou três gols (Foto: Daniel Weir / Sports Press Photo /IMAGO)

Nos últimos anos, os Blues tiveram outros exemplos de jogadores que chegaram com grande expectativa, tiveram pouco espaço e deixaram o clube. O que parece ser o grande problema é, na verdade, simples de identificar: um elenco inchado e com concorrência absurda e quase desnecessária.

Deivid Washington, por exemplo, terá de disputar a posição de centroavante, com João Pedro, Liam Delap e o recém-contratado Emmanuel Emmegha. Isso sem contar com Marc Guiu, Nicolas Jackson e David Datro Fofana, que devem deixar o clube.

Somente entre os brasileiros, Andrey Santos e Ângelo foram outros que ficaram pouco tempo e foram vendidos. Ângelo, inclusive, sequer estreou no time principal e foi transferido ao Al-Nassr. Andrey ainda precisou ficar no Vasco mesmo depois da venda e, posteriormente, teve um empréstimo produtivo ao Strasbourg onde teve oportunidades, mas depois de um ano efetivo nos Blues, foi vendido ao Manchester United.

Deivid ainda tem apenas 21 anos, mas a preocupação por não ter minutos começa a bater na porta. São outros quatro anos de contrato com o Chelsea, possivelmente sem espaço no futuro próximo e com dificuldade de encontrar um novo clube.

No fim, as oportunidades para o jovem brasileiro nunca surgiram também por conta de um projeto inflado da nova gestão do clube, que tem historicamente brecado o desenvolvimento de diversas promessas que chegam a Londres.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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