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Os Professores da Copa – Parte I

Por Felipe dos Santos Souza e Renato Piccinin

Depois da escolha de Sven-Goran Eriksson como técnico da Costa do Marfim, todas as 32 seleções da Copa do Mundo já têm seus treinadores definidos. Com isso em mente, a Trivela montou um especial com um breve currículo de cada um dos comandantes das equipes que disputarão o Mundial.

As histórias dos professores serão contadas em dois capítulos. O primeiro, publicado nessa quarta-feira, falará dos treinadores dos grupos de A a D da Copa. Na quinta-feira, serão apresentados os técnicos das quatro chaves restantes.

Grupo A

África do Sul
Carlos Alberto Parreira (27 de fevereiro de 1943)

Com a África do Sul, Parreira igualará a marca de Bora Milutinovic, que esteve no comando de cinco seleções diferentes em Copas do Mundo. Mas o brasileiro estará no torneio pela sexta vez, já que por duas vezes treinou o Brasil (1994 e 2006). Comandou também as seleções do Kuwait, em 1982, quando perdeu dois jogos e empatou um. Os Emirados Árabes em 1990 — três derrotas. E a Arábia Saudita, em 1998, com duas derrotas. Foi demitido antes do terceiro jogo.

O título Mundial com o Brasil, porém, elevou o técnico ao nível de um dos grandes do futebol mundial na época. O que lhe valeu passagens por clubes como Valencia e Fenerbahçe. Mas sua carreira se mostrou bastante vitoriosa no Brasil, onde conquistou título do Campeonato Brasileiro com o Fluminense e da Copa do Brasil com o Corinthians. Este ano, porém, terá de suar muito para não fazer da África do Sul a primeira seleção anfitriã na história das Copas a ser eliminada na fase de grupos.

México
Javier Aguirre (1 de dezembro de 1958)

Ex-jogador da seleção mexicana, Aguirre começou a carreira de treinador em 1995, quando dirigiu o Atlante. Depois disso, passou pelo Pachuca — onde venceu um título nacionao — e foi contratado para dirigir pela primeira vez a seleção do México. Foi vice-campeão da Copa América em 2001, quando foi derrotado pela Colômbia.

Em 2002, comandou El Tri na campanha da Copa do Mundo. Depois de uma boa primeira fase, com vitórias sobre Croácia e Equador, e empate com a Itália, a equipe foi eliminada nas oitavas de final diante do rival Estados Unidos.

Depois da Copa, Aguirre foi para o Osasuna, onde teve boas campanhas e chamou a atenção do Atlético de Madrid, que o contratou. No time colchonero, a atuação também foi boa. Até que em 2009 voltou para a seleção mexicana, para substituir Sven-Goran Eriksson.

Uruguai
Oscar Tabárez (3 de março de 1947)

Foi técnico da seleção também em 1990, quando o Uruguai chegou pela última vez nas oitavas de final da Copa do Mundo. Mesmo que na fase de grupos o time tenha vencido apenas uma partida, contra a Coreia do Sul, por 1 a 0. Nos outros dois jogos, derrota para a Bélgica e empate com a Espanha.

A eliminação veio contra a anfitriã Itália, em uma derrota por 2 a 0. A carreira de treinador começou em 1980, quando Tabárez dirigiu o Bella Vista. De lá para cá, passagens pela seleção sub-20 do Uruguai, pelo Peñarol, Milan, Boca Juniors, Vélez Sarsfield, entre outros.

França
Raymond Domenech (24 de janeiro de 1952)

Depois de uma longa passagem (11 anos) no comando da seleção sub-21 da França, Raymond Domenech foi surpreendentemente escolhido para treinar a seleção principal do país em 2004, depois da saída Jacques Santini. A carreira começou em 1985, no comando do Mulhouse, pequeno clube francês. Depois de cinco anos, foi para o Lyon, onde ficou até 1993. Mais tarde, assumiu a seleção sub-21.

Desde que assumiu o cargo da equipe principal, as críticas ao seu estilo de jogo povoam a imprensa francesa. Mesmo assim, Domenech conseguiu chegar à final da Copa do Mundo da Alemanha, quando a França foi derrotada nos pênaltis pela Itália. De lá para cá, uma campanha péssima na Euro 2008, quando os Bleus foram eliminados na fase de grupos, com derrotas para Itália e Holanda e um empate contra a Romênia. Depois, um sufoco para conseguir a vaga no Mundial da África do Sul, só conquistada na repescagem contra a Irlanda. E as críticas da imprensa francesa não param.

Argentina
Diego Armando Maradona (30 de outubro de 1960)

Para muitos, a Argentina é uma das favoritas ao título da Copa do Mundo apesar de Maradona. Maior ídolo do país no futebol, El Pibe é endeusado em seu país como jogador de futebol. Como técnico, porém, ainda não convenceu nem torcedores e nem a imprensa local.

Os jogadores, porém, o tem como grande ídolo. E isso pode ser importante para o time funcionar na Copa do Mundo. A estreia de Maradona como treinador da seleção aconteceu em outubro de 2008, quando a Argentina venceu a Escócia por 1 a 0. Nas eliminatórias, os argentinos sofreram para conseguir a classificação. Mas, na Copa, tudo pode acontecer. Principalmente por causa da quantidade de craques na equipe.

Coreia do Sul
Huh Jung-Moo (13 de janeiro de 1955)

Mais um ex-jogador a comandar uma seleção na Copa do Mundo. Tem experiência em Mundiais, mas como atleta, já que fazia parte do elenco sul-coreano que disputou a competição em 1986. Como técnico, além de treinar várias equipes do país desde 1989, teve diversas passagens pela seleção.

Começou como trainee na seleção, foi assistente e assumiu o cargo de treinador principal em 2007. Depois de conquistar a vaga na Copa do Mundo, tem a difícil missão de montar um time capaz de fazer algo pelo menos parecido com o que foi feito em 2002, quando a Coreia do Sul chegou às semifinais.

Nigéria
Lars Lagerback (16 de julho de 1948)

O sueco foi contratado para dirigir a seleção da Nigéria no final de fevereiro, para substituir Shaibu Amodu. O treinador treinou durante quase toda sua carreira equipes da Suécia. Depois, assumiu o comando da seleção de seu país. Primeiro a sub-21 e depois a principal.

Na Copa do Mundo de 2002, levou a Suécia até as oitavas de final, quando perdeu para Senegal. Quatro anos depois, mais uma derrota nas oitavas de final da Copa, dessa vez diante da Alemanha.

Grécia
Otto Rehhagel (9 de agosto de 1938)

Com 71 anos, é o técnico mais velho na Copa do Mundo. Nascido em Essen, na Alemanha, Rehhagel começou a treinar clubes em 1974 (o Kickers Offenbach). A partir daí, só clubes alemães em seu currículo. Dentre eles, Bayern de Munique, Werder Bremen, Borussia Dortmund e Kaiserslautern. E foi exatamente quando estava no Kaiser que foi convocado para dirigir a seleção grega.

Desde 2001 no comando da Grécia, o treinador foi responsável pelo título mais importante na história do país: a Euro 2004. Adepto do jogo defensivo, o técnico não agrada muitos fãs do futebol, mas sem dúvida melhorou a equipe grega, que volta para uma Copa do Mundo depois de 16 anos ausente.

Inglaterra
Fabio Capello (18 de junho de 1946)

Mais um estrangeiro comandando uma seleção na Copa. Nascido na Itália, o ex-volante assumiu o English Team em 2007 com a missão de dar a segunda Copa do Mundo para os criadores do futebol. A campanha nas eliminatórias (nove vitórias em 10 jogos) deu credencias para o time, que conta também com craques do nível de Wayne Rooney, Steven Gerrard e Franck Lampard.

A carreira de treinador é longa (Capello começou em 1991), mas com poucos clubes no currículo. Todos, porém, são grandes potenciais mundiais. Começou no Milan, onde ficou cinco anos. Depois foi comandar o Real Madrid, e voltou para o time rossonero. Passagens por Roma, Juventus, e mais uma vez Real, serviram de prévia para o técnico chegar à seleção inglesa.

Estados Unidos
Bob Bradley (3 de março de 1958)

É o treinador com maior número de vitórias da Major League Soccer na história do torneio. Antes de assumir a seleção estadunidense principal em 2006, Bradley comandou a equipe olímpica em 1996, o que voltou a fazer nos anos de 2006 e 2007.

Bradley foi indicado como treinador da seleção principal logo depois da Copa do Mundo de 2006. Uma curiosidade é que o filho do treinador, Michael Bradley, é jogador da seleção americana.

Argélia
Rabah Saadane (3 de maior de 1946)

A trajetória do ex-zagueiro como técnico está intimamente ligada com a seleção da Argélia. Ao todo, foram cinco passagens no comando da equipe. Sua carreira, aliás, começou ali, em 1981. Depois de ficar um ano no cargo, saiu e ficou parado até 1985. Quando mais uma vez assumiu as Raposas do Deserto.

Deixou mais uma vez o comando argelino em 1986, e ganhou experiências no banco de equipes africanas como Raja Casablanca e Étoile du Sahel. Teve ainda mais duas passagens pela seleção da Argélia, a primeira em 1999 e depois entre 2003-2004. Voltou em 2007, para conquistar a surpreendente classificação para a Copa do Mundo ao eliminar o Egito.

Eslovênia
Matjaz Kek (9 de setembro de 1961)

Sua carreira como treinador é curta. Começou em 2000, no comando do Maribor, time esloveno. Treinou a equipe até 2006, quando foi chamado para assumir a seleção sub-15 da Eslovênia. No mesmo ano comandou a seleção sub-16. E, já em 2007, recebeu o convite para comandar a seleção principal.

Aceitou de pronto, e depois de vencer a forte seleção da Rússia na repescagem das eliminatórias da Europa, conquistou uma vaga para disputar a Copa do Mundo. Será um bom palco para ganhar experiência, já que Kek é um dos treinadores mais jovens na África do Sul.

Alemanha
Joachim Löw (3 de fevereiro de 1960)

Depois de ficar como assistente-técnico de Jurgen Klinsmann na seleção da Alemanha entre 2004 e 2006, Löw assumiu a condição de treinador assim que Klinsmann decidiu não renovar o contrato com a Federação Alemã de Futebol após a Copa do Mundo de 2006. No comando da equipe, levou a Alemanha até a final da Euro 2008, quando foi derrotada pela Espanha. Nas eliminatórias, uma campanha invicta, com oito vitórias em dez jogos.

Em clubes, Löw, ex-jogador profissional, começou sua carreira de treinador ainda quando jogava, dirigindo o Winterthur, da Suíça, no início da década de 1990. Mas foi só em 1996 que assumiu o comando do Stuttgart, já aposentados dos gramados. Depois o treinador comandou equipes na Turquia e na Áustria, antes de se juntar a Klinsmann.

Austrália
Pim Verbeek (12 de março de 1956)

Mais um da lista de treinadores estrangeiros no comando de seleções da Copa do Mundo. Verbeek nasceu em Roterdam, na Holanda, e passou boa parte de sua carreira como jogador no time da cidade, o Sparta. Também foi lá que iniciou sua carreira de treinador, em 1981.

Depois de várias passagens por times holandeses, foi assistente-técnico das seleções dos Emirados Árabes e da Coreia do Sul, onde também foi o técnico principal. Em 2007 assumiu a seleção da Austrália, que tinha como desafio se classificar para a Copa do Mundo de 2010 nas eliminatórias da Ásia. E o desafio foi bem cumprido.

Sérvia
Radomir Antic (22 de novembro de 1948)

Começou a carreira como treinador em 1988, no Zaragoza, time pelo qual atuou antes de se aposentar como jogador. Apenas três anos depois, já foi chamado para comandar o Real Madrid. Sem nenhum título, deixou os merengues e passou por Oviedo e Atlético de Madrid — onde conquistou a Copa do Rei e o Campeonato Espanhol.

Demitido dos Colchoneros, ainda comandou Barcelona e Celta de Vigo, antes de ficar alguns anos parados. Sua volta já foi direto para a seleção Sérvia, em 2008. No comando da seleção, fez boa campanha nas eliminatórias e levou o time para a Copa do Mundo de 2010.

Gana
Milovan Rajevac (2 de janeiro de 1954)

O sérvio assumiu o cargo no comando da seleção de Gana em agosto de 2008. No comando das Estrelas Negras, garantiu a classificação para a Copa do Mundo e foi vice-campeão da Copa Africana de Nações, perdendo a decisão diante do Egito.

Em clubes, sua carreira foi toda construída em seu país de origem. E a trajetória é longa. Rajevac começou a treinar clubes em 1996, dez anos depois de se aposentar da carreira de jogador de futebol, onde também ficou marcado por jogar em equipes sérvias.

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Equipe Trivela

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