Ochoa: Um garoto diferente

Quando pensamos em goleiros mexicanos, a primeira imagem que surge é uma figura pequena, extravagante, capazes de defesas mirabolantes e frangaços homéricos. Culpa dos anos dourados, prateados, carnavalescos em que Jorge Campos vestiu a camisa 1 da seleção de seu país. Depois dele, Oscar Pérez e Oswaldo Sánchez assumiram a meta azteca, mas não conseguiram apagar a imagem do antecessor mais famoso. Agora, um jovem de apenas 20 anos surge como o mais novo candidato à vaga. Ao contrário de Campos, Francisco Guillermo Ochoa não é acrobático nem dependente de reflexos espalhafatosos. O garoto faz um estilo mais tranqüilo e sereno. Apesar de ainda ser um ‘chico’, Ochoa, dentro de campo, age como um veterano.

Foi exatamente essa maturidade que rendeu os primeiros frutos a Ochoa. Com 18 anos, ele treinava nas categorias de base do América quando o treinador da equipe principal, o holandês Leo Beenhaker, o chamou para integrar o elenco principal. Semanas depois, Adolfo Rios, o titular da posição, sofreu uma lesão, e a chance de estrear como titular caiu nas mãos do jovem arqueiro.

No dia 15 de fevereiro de 2004, Ochoa fez sua primeira partida com a camisa do América. Com uma boa atuação, ele ajudou sua equipe a bater o Monterrey por 3 a 2. Depois disso, Ochoa seguiu firme como goleiro titular. Além disso, ainda foi convocado para integrar a seleção olímpica mexicana nas Olimpíadas e ganhou o prêmio de revelação do campeonato.

O ano de 2005 começou com problemas para Ochoa. O argentino Oscar Ruggeri assumiu o comando do América e levou seu conterrâneo Sebastián Saja, mais experiente, para assumir a posição. A disputa não durou dois meses. A vitória foi do mexicano, que ajudou o América a conquistar o Clausura 2005, com a expressiva marca de 30 jogos invicto.

Seleção

As belas atuações de Guillermo Ochoa impressionam todo o México. A primeira chance na seleção veio na Copa Ouro de 2005, quando ele assiste do banco de reservas o fiasco mexicano e o título do seu grande rival, os Estados Unidos. Ainda sem estrear efetivamente no time adulto, Ochoa seguiu brilhando no futebol de clubes. A imprensa também continua pregando que o arqueiro do América deve, no mínimo, ser mais bem testado pelo técnico Ricardo Lavolpe.

Em dezembro, Lavolpe, enfim, promoveu a estréia de Ochoa na equipe principal. No amistoso contra a Hungria, o goleiro do América foi titular. Na vitória de 2 a 0, ele teve uma atuação tranqüila, sem grandes defesas, mas também sem falhas. Sobre sua primeira partida na seleção, ele declarou que “era algo que esperava muito. Era convocado, mas não jogava. Agora foi diferente. Quando soube que seria escalado, sabia que era o momento de mostrar que tenho capacidade suficiente para ganhar um lugar no grupo que vai à Copa”.

Publicamente, Ochoa já disse que não se considera pior que Sánchez e ainda espera jogar a Copa da Alemanha como camisa 1 da equipe azteca. Mais uma mostra que Ochoa não é um jovem como a maioria. Dono de uma personalidade forte, o goleiro também se destaca por criar polêmicas, como quando disse que América x Pumas só é clássico para os torcedores do Pumas e que, para o América, esse é um jogo normal.

Ídolo pop

Além de ser uma das mais talentosas promessas do futebol mexicano, Guillermo Ochoa também faz sucesso em outras áreas. Revistas de futebol e de fofocas duelam pelas pautas envolvendo o nome de ‘Memo’ Ochoa, um excepcional goleiro para os homens e um gatinho para as adolescentes mexicanas.

Esse assédio feminino não é à toa. Não que Ochoa seja bonito, mas ele possui um perfil diferente do boleiro padrão. Sua preocupação com a estética é notória: ele faz o estilo desleixado, usando roupas muito largas e cabelos enrolados longos. Porém, o grande chamariz de sua carreira extra-campo é seu novelesco romance com a cantora e atriz Dulce Maria, a Roberta da novelinha “Rebelde”, uma das mais celebradas personalidades do mundinho teen mexicano.

O cerco a Ochoa lembra muito aquele que Kaká sofria no Brasil e, assim como o meia milanista, o goleiro mexicano também deve, em breve, cruzar o Atlântico rumo ao futebol europeu. ‘Memo’ não esconde de ninguém que quer ser um dos maiores nomes da histórica futebolística mexicana e, para isso que isso aconteça, pretende ser o primeiro goleiro de seu país a atuar no Velho Continente. É… Personalidade não falta a esse garoto…

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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