O sonho impossível de Blatter

Por mais que o esporte tenha uma natureza específica, suas instituições não podem se considerar acima das leis vigentes. Joseph Blatter, presidente da Fifa, pensa o contrário. E a julgar pela votação de hoje que aprovou os planos da regra do '6+5', que obriga os clubes a escalar pelo menos seis jogadores dos respectivos países, a maioria das federações filiadas concorda com ele.
Por se julgar acima das autoridades governamentais, a Fifa chegou a suspender o Iraque esta semana, mas depois de três dias teve de voltar atrás. Engraçado ter havido tanto afã em castigar os iraquianos, já que este ano mesmo a entidade passou semanas e mais semanas ameaçado a Espanha – e nada fez.
Quanto ao '6+5', é fruto da idéia de um romântico sonhador. Se colocada em prática, a regra não resistirá ao primeiro empecilho legal. O jogador que for prejudicado se baseará nas leis da União Européia, que são rigorosas contra discriminação por nacionalidade. E, tal como no caso Bosman, a sentença será favorável ao jogador.
Por mais que seja louvável defender a identidade nacional dos clubes, ao torcedor isso pouco importa. Ele quer ver seu time com os melhores jogadores, independente de origem. Mérito acima da nacionalidade.
A idéia de que as seleções nacionais são beneficiadas com o '6+5' também é questionável. Até mesmo na Inglaterra, onde é mais notável a presença maciça de estrangeiros, o jogador competente consegue cavar seu espaço. O Manchester United foi campeão europeu com seis ingleses titulares na final.
A decisão tomada hoje pela Fifa pode até ter algum impacto ideológico. Prático, nenhum.



