O campeão que ninguém recorda

A conquista inglesa em 1966 na Copa do Mundo tem várias lendas. Bobby Charlton, Geoff Hurst, Jimmy Greaves e o goleiro Gordon Banks, entre outros. Banks, aliás, é tão titular neste time “mítico” da Inglaterra que ninguém se lembra que ele tinha um reserva – mas ele tinha: era Peter Bonetti.

Nascido em Putney, zona sul de Londres, Bonetti faz aniversário neste dia 27 de setembro (em 2006 completa 66 anos). Se no ‘English Team’, o arqueiro jamais teve destaque, no Chelsea, foi um ídolo, chegando a merecer o apelido de “The Cat” (O Gato). Nos ‘Blues’, que atravessam uma turbulência pela saída de José Mourinho, Bonetti ficou por 18 anos (em duas passagens), tendo mais de 720 aparições.

Chelsea

O goleiro conseguiu uma chance no Chelsea graças ao zelo de sua mãe, que escreveu para o então técnico, Ted Drake, pedindo uma chance para seu filho fazer um teste em Stamford Bridge. Pouco depois, já ganharia a FA Cup de jovens com a camisa azul e do ano seguinte em diante, seria o titular do time por mais de uma década.

Por mais que seja difícil de imaginar o Super-Chelsea de hoje fora da elite, Bonetti aportou em Stamford Bridge com o time na segunda divisão. Não só: foi instrumental na promoção do time, fazendo defesas fundamentais na disputa contra o Sunderland. Junto com “The Cat”, o Chelsea também tinha uma geração de jovens talentosos como Terry Venables, que depois viria a ser técnico da Inglaterra na década de 90, além de Barcelona e Tottenham Hotspur.

Além de um estilo elegante, Bonetti era conhecido pela sua capacidade de fazer longos arremessos com as mãos, que tinham um alcance tão grande quanto as reposições com os pés.

Apesar de sua longa carreira, o goleiro nunca conseguiu levantar um título inglês com a camisa do clube. Os sucessos vieram na Copa da Liga (1965), Copa da Inglaterra (1970) e Recopa Européia (1971). No título na FA Cup, Bonetti teve uma aparição histórica, conseguindo fazer várias defesas difíceis, contra os então campeões Leeds, mesmo machucado.

Inglaterra

Na seleção, o trabalho de Bonetti era ainda mais difícil por causa da concorrência. Além do famosíssimo Gordon Banks (que protagonizaria uma defesa considerada a mais difícil de todos os tempos, em 1970, numa cabeçada de Pelé). Além de Banks, Bonetti também precisava bater Peter Shilton, que seria titular na Inglaterra até o final da década de 80.

Mesmo só com sete partidas, Bonetti conseguiu jogar uma vez na Copa de 1970 no jogo de quartas-de-final contra a Alemanha – e isso porque Banks teve uma intoxicação alimentar. A Alemanha ganhou de virada e o arqueiro do Chelsea foi um dos “bodes expiatórios”. Depois disso ele jamais voltou a jogar pela Inglaterra.

Na década de 80, depois de se aposentar, Bonetti foi viver na Ilha de Mull, norte da Escócia. Manteve algum contato com o mundo do futebol como treinador-assistente no Chelsea, Manchester City e Inglaterra e partidas de caridade. Mas até hoje, ninguém atuou mais pelo gol do Chelsea – onde continua um herói.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo