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“Nosso pensamento é entrar para ganhar”

10 de junho de 2007, quinta rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. O São Paulo, futuro campeão do torneio, enfrenta em casa o Atlético Mineiro, que jogava suas primeiras partidas, no retorno da Série B. Aos 37 minutos, a surpresa: o atacante Paulo Henrique conclui para as redes, marcando o único gol daquela partida.

O gol – e as boas atuações naquele começo de Brasileiro – fizeram com que o Heerenveen, da Holanda, logo se interessasse pelo paraibano, que foi-se para o “Orgulho da Frísia”, apenas dois meses após o gol no Morumbi. Logo na estreia pelos alvi-azuis, dois gols na goleada por 5 a 1 sobre o NAC Breda.

Após um tempo de adaptação na equipe B do Heerenveen, Paulo Henrique foi puxado para os titulares pelo técnico Trond Sollied, na temporada passada. E mostrou que a espera deu resultado: vice-artilheiro da equipe, com 10 gols, o brasileiro ajudou na boa campanha na Eredivisie, bem como no título da Copa da Holanda.

Agora, com a saída de Danijel Pranjic para o Bayern de Munique, e com o bom início de pré-temporada, Paulo Henrique concede entrevista à Trivela, na condição de possível titular da equipe, na Eredivisie que está prestes a começar. Confira:

O bom desempenho na Eredivisie passada anima o time para o próximo Holandês?

Com certeza. Acho que nosso grupo é forte e o pensamento essa temporada é de entrar para conquistar o título, mas no pior das hipóteses conseguir vaga na Liga dos Campeões.

A vitória na final da Copa da Holanda, primeiro título do Heerenveen em 39 anos – houve a segunda divisão em 1970 -, foi muito comemorada pelos jogadores, ainda no gramado do estádio De Kuip, e pela torcida. Em sua opinião, qual o principal mérito da equipe na partida – principalmente em momentos mais agudos, como o gol de empate do Twente, a dois minutos do fim da prorrogação?

Nosso treinador (Trond Sollied) conhece o que cada jogador pode dar e ele consegue tirar o máximo de cada um. Eu penso que o Heerenveen tinha um pouco de tudo: raça, determinação, experiência. O time se acertou com a juventude de uns e a experiência de outros. E a gente estava muito focado no título, sabíamos que essa era a nossa grande chance de entrar para a história do clube. E graças a Deus deu certo.

Seus números na Holanda evoluíram na temporada passada, principalmente na Eredivisie (26 jogos/10 gols, vice-goleador da equipe). Inclusive, você marcou seis vezes nas últimas nove rodadas. Você se sente mais adaptado à Holanda, após quase dois anos de clube?

Com certeza. No início foi difícil me adaptar, pois é tudo diferente: cultura, idioma, comida. Na minha primeira temporada eu tive que me acostumar com muita coisa nova. Já na última temporada, eu cresci profissionalmente e pude aproveitar as oportunidades. Hoje eu já consigo entender algumas coisas em holandês, e falo também um pouco de inglês. Com mais bagagem, acho que posso render ainda mais nessa temporada que se inicia.

Quais as diferenças que você pode apontar entre os métodos de trabalho de Gertjan Verbeek, que treinava a equipe na época da sua chegada ao clube, e de Trond Sollied, que lhe treina agora?

Eu acho que a filosofia de trabalho dos dois é bem parecida. Ele priorizam muito os treinamentos, simulando o que pode acontecer nos jogos, e conhecem muito de parte tática. Com o Trond eu já estava mais adaptado ao clube. Ele me cobra e ao mesmo tempo me apoia bastante.

Nos primeiros meses de Holanda, você atuou na equipe B do Heerenveen. Como foi o processo de afirmação na equipe? Esse tempo na equipe B colaborou para que você chegasse aos profissionais mais ambientados no clube?

É como eu falei, a adaptação foi difícil. Eu cheguei num momento que pensei a largar e voltar para o Brasil. Aliás, isso já aconteceu mais de uma vez. Mas daí eu pensei na minha família, no apoio que eles sempre me deram, e na chance que eu tinha nas mãos, pensando quantos queriam estar no meu lugar. Graças a Deus eu superei as dificuldades e hoje estou contente em fazer parte do grupo principal do Heerenveen.

Em sua opinião, a sua atuação na estreia pelo time profissional, marcando dois gols na goleada por 5 a 1 sobre o NAC Breda, pela Eredivisie 2007/08, ajudou na sua rápida aceitação pela torcida?

Acho que sim. Desde o meu primeiro jogo eu sempre fui muito bem recebido pela torcida. Os torcedores são fanáticos e querem ver o time ganhar. Desde a minha estreia eu fiz a minha parte, que é fazer gols. Na última temporada, mesmo não sendo titular absoluto, fui o segundo maior artilheiro da equipe. Hoje todos me tratam bem onde eu vou, o que me faz trabalhar ainda mais para ajudar o Heerenveen dentro de campo.

Como você lidou com os problemas comuns de adaptação a um outro país, como a alimentação e o idioma? A chegada de outros brasileiros, como Lázaro e Pedro Beda, minorou possíveis problemas com a língua?

Pois é, eu estranhei um pouco a alimentação, sim. Mas o idioma pra mim foi mais difícil. O holandês é uma língua difícil de aprender, muita gente fala isso. Os brasileiros aqui no clube com certeza ajudam. Mesmo não conhecendo antes, você acaba entrosando mais fácil.

O Heerenveen tem se focado na contratação de jogadores jovens para o elenco, como você, Svec e Pedro Beda. A receptividade da torcida a esses jogadores é grande?

Sim, e o mais importante é que eles têm paciência. A torcida e a diretoria sabem que a grande maioria dos jogadores jovens precisa se adaptar ao novo ambiente. Foi isso que aconteceu comigo. Hoje, depois de passar por esse processo de adaptação, tive chances no grupo principal e não decepcionei. O Pedro também passou pela equipe B e agora foi emprestado a uma equipe da segunda divisão da Holanda. Lá ele vai pegar ainda mais experiência para retornar ao Heerenveen e dar alegrias aos torcedores.

Já houve tempo para criar amizades no elenco do Heerenveen? Quais são elas?

Sim, com certeza. Além dos brasileiros, o Danijel Pranjic e o Bonaventure Kalou são os que eu mais tenho amizade. Agora o Danijel foi para o Bayern de Munique, mas o grupo todo é muito bacana.

Artilheiro do clube na Eredivisie recém-passada, com 16 gols, o croata Pranjic deixou o clube rumo ao Bayern de Munique. Qual o grau de importância dessa perda para o elenco – até por Pranjic ser o destaque do time?

A formação do nosso técnico era muitas vezes feita com a presença do Pranjic em campo. Ele é um cara acima da média, joga muita bola e vai fazer sucesso na Alemanha. Mas o próprio grupo precisa suprir essa ausência, é a chance de outros que pode estar pintando. E existe também a possibilidade da diretoria contratar um meio-campo.

Por enquanto, você é o artilheiro da pré-temporada na Holanda, com 9 gols. Além disso, a saída de Pranjic abre espaço para você na briga pela vaga de titular, junto de Viktor Elm, Elyonoussi e Ingelsten. Qual é sua impressão sobre o trabalho de pré-temporada para o Heerenveen?

A pré-temporada na Holanda já começa intercalada com amistosos. Apesar das férias, eu não demoro muito para estar no ritmo de jogo. Ainda na fase de avaliações e testes do treinador, marquei quatro gols no primeiro amistoso e cinco gols no segundo. Acho que estou correspondendo com que o técnico quer que eu renda.

Mesmo longe, você continua acompanhando a situação do Atlético Mineiro, seu clube de origem?

Sim, eu acompanho pela internet e através dos amigos que fiz em Belo Horizonte. Na minha primeira semana de férias eu fiquei em BH, onde mora a minha noiva. Pude rever muitos amigos e ainda falar mais sobre o Atlético. O Galo é o clube que me revelou, que me deu oportunidade ainda garoto e me formou para o mundo do futebol. Sou muito grato ao clube, desde os funcionários da concentração até a diretoria. Parece que o Galo começou bem o Brasileirão, torço muito para que eles tenham sucesso nessa temporada.

Você aceitou imediatamente a oferta holandesa? Vinha se firmando no Atlético e talvez poderia esperar mais por uma oferta de outra liga, não?

No futebol as coisas podem acontecer muito rápido. Eu tinha apenas três meses de profissional e apareceu uma proposta muito boa para mim e para o Atlético. Nós sentamos e vimos que essa poderia ser uma excelente oportunidade profissional pra mim. Não sei se eu poderia ficar mais valorizado naquela época, isso é difícil de falar, mas hoje estou muito feliz de ter feito essa escolha.

O momento em que você despontou foi ao marcar o gol da vitória do Atlético sobre o São Paulo, em pleno Morumbi, pela quinta rodada do Brasileiro de 2007. Você tem muitas lembranças desse jogo?

Claro, aquele lance ficou marcado na minha memória. Me lembro bem de ter entrado naquele jogo, contra o atual campeão brasileiro, no Morumbi lotado. O zagueiro Marcos cruzou pela direita, o Rafael Miranda desviou e sobrou pra mim, dentro da área, apenas empurrar para o gol. E eu não me canso de ver, esse vídeo tá no meu site e de vez em quando eu entro lá pra assistir de novo. Acho que Deus me deu essa chance e pude aproveitá-la.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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