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“Não vemos os europeus como mercenários”

Depois de semanas de espera, enfim, conseguimos um rápido contato com Mohammed Bin-Hammam, Presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC). O dirigente catariano falou dos planos para 2009, do projeto ‘3+1’, e explicou os motivos que o levaram a mudar de idéia em relação a realização de uma rodada extra da Premier League Inglesa na Ásia. Confira!

Quais são os principais planos da Confederação Asiática de Futebol (AFC) para este ano de 2009?
Nós temos um projeto em longo prazo para desenvolver o futebol na região. Além do projeto Vision Asia e dos festivais juvenis de futebol, lançamos várias ligas regionais em países como Índia e China. Existe muito potencial e grandes talentos por aqui, nós só precisamos ter a certeza de que podemos desenvolver esse potencial.

Porquê você mudou de idéia em relação a realização de uma hipotética rodada do Campeonato Inglês em solo asiático?
Minha rejeição inicial foi baseada puramente em razões territoriais, a Premier League Inglesa pertence a Inglaterra, então, deveria ser jogada lá. Mas agora aceito que eles podem ter o papel de ‘missionários do futebol’. Nós daremos as boas-vindas se eles vierem através dos canais oficiais. Nós asiáticos não queremos ver os clubes europeus como mercenários. Eles tem que deixar um legado para trás. Um legado que beneficie os jovens, os países e os membros das associações de futebol.

Como você pretende melhorar o futebol asiático através do plano ‘3+1’, onde cada clube pode jogar com quatro estrangeiros desde que pelo menos um deles seja nascido no continente?
O plano ‘3+1’ abre novos horizontes para jovens talentos da Ásia entre os 46 membros que compõem a nossa Confederação. Além disso, nós estamos encorajando os clubes a adotar este método. Eu sempre pensei que seria interessante ver um coreano na Arábia Saudita ou um saudita jogando na Coréia do Sul. Através deste projeto, estamos dando chances para os jogadores asiáticos jogarem em clubes de outras nações do próprio continente.

Conte como foi o gargalo entre a Associação de Futebol do Kuwait e a FIFA? O futebol kuwaitiano é uma bagunça, não?
Eles foram suspensos pela FIFA por não serem capazes de realizar suas eleições na Assembléia Geral em outubro do ano passado. Isso afetou diretamente a participação do país em competições internacionais. Mas em dezembro, com a Copa do Golfo e os jogos das Eliminatórias para Copa da Ásia 2011 chegando, eu fiz um apêlo pessoal ao Presidente da FIFA, Joseph Blatter, para bloquear temporariamente a suspensão. Daí o Kuwait jogou os dois torneios.

Você já afirmou que China e Índia são duas nações onde a AFC precisa ter um carinho especial porque ambos tem raízes ligadas ao futebol e tem um potencial de desenvolvimento notável. Em qual dos dois países o projeto Vision Asia tem tido melhores resultados?
Temos mais projetos na China do que na Índia. Mas os indianos estão crescendo muito e rapidamente. O projeto funciona em cinco cidades da China, enquanto na Índia são quatro, e mais duas que estão sendo arranjadas. China e Índia são dois gigantes do futebol asiático, os ‘guias do desenvolvimento do esporte no continente’. Se a Ásia conseguir ter sucesso no futuro, todos saberão que o futebol teve raízes nesses dois gigantes, grandes em tamanho e população. A AFC os guiará para o caminho certo.

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Equipe Trivela

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