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“Na Rússia me sinto em casa”

Aos 26 anos, Rodolfo demonstra uma serenidade rara para jogadores brasileiros de futebol, principalmente os que escolheram o Leste Europeu para atuar. No Lokomotiv Moscou desde 2007, o zagueiro revelado pelo Fluminense defendeu também o Dynamo Kiev antes de chegar à capital russa, onde garante estar totalmente adaptado e feliz.

“Se eu renovar com o Lokomotiv, ficarei por aqui até 2012”, afirma Rodolfo, que é consciente também em saber que sua escolha acabou lhe prejudicando na Seleção Brasileira. “ Provavelmente se eu tivesse ficado no Fluminense teria tido mais visibilidade”. Mesmo assim, recomenda aos brasileiros a mudança

De qualquer modo, o jogador é titular do Lokomotiv Moscou, um dos times mais tradicionais do país, e ídolo da torcida. Em sua terceira temporada na Rússia, que começa neste final de semana, espera estar entre os postulantes ao título nacional.

Esta será sua terceira temporada defendendo o Lokomotiv Moscou. Como você classifica a estrutura do clube?
É muito boa, não se compara a estrutura do Dynamo Kiev, mas tem tudo o que o jogador precisa.

A pressão da torcida, imprensa e diretoria pela falta de título da equipe tem prejudicado vocês?
Aqui até não há uma pressão grande de imprensa e torcida, porque a imprensa tem pouco acesso ao dia-a-dia do clube, mas há uma pressão interna. O clube está carente de títulos e os jogadores que estão há mais tempo estão se cobrando. Além disso, a diretoria já definiu que este ano temos que conquistar alguma competição importante.

Quais são as chances do Lokomotiv na Premier Liga deste ano? Quem são os favoritos ao título?
Acho que nossas chances são muito boas, porque o time fez contratações para as posições certas e os jogadores que chegaram se adaptaram muito rápido. Parece até que já estavam aqui há bastante tempo. Apontar favoritos é complicado, porque no ano passado, por exemplo, o Rubin, que é uma equipe sem tradição investiu muita grana e acabou vencendo. O Campeonato Russo sempre tem surpresas. Mas apontaria os três grandes como os favoritos: Lokomotiv, Spartak e CSKA.

Há alguns anos o futebol russo vem ganhando mais notoriedade. A seleção tem ido muito bem e alguns jogadores têm se transferido para grandes clubes, como Arshavin e Pavlyuchenko. Acha que a Rússia tem condições de se manter no topo do futebol mundial?
Com certeza, a Rússia está sempre exportando jogadores. Só ano passado foram três para grandes equipes da Inglaterra. Os times russos têm uma tradição de fazer o máximo para segurar os jogadores, nunca contratam e usam o jogador como moeda de troca. Mas as propostas tem sido tão boas, que os jogadores russos estão sendo negociados para os outros centros europeus.

Sobre Arshavin e Pavlyuchenko, você enfrentou eles algumas vezes. Fale um pouco sobre eles.
Os dois são feras. O Arshavin é pequeno, mas chato de marcar. Ele estava arrebentando na seleção, conquistou vários títulos importantes pelo clube, como a Uefa, e demonstrou muita qualidade. O Pavlyuchenko é brincadeira, joga demais. Quando ele foi negociado, o Spartak estava bem no campeonato e desmoronou. Eles sentiram muito a saída dele e , por pouco, não acabaram sem se classificar para a Copa Uefa.

Quais outros jogadores russos você destacaria?
Destacaria o Zhirkov, ala esquedo do CSKA que o Chelsea está em cima para contratar.

Contra qual rival de Moscou o Lokomotiv mantém a maior rivalidade?
O Spartak, com certeza.

Como é o relacionamento com os russos no elenco do Lokomotiv e o técnico Rashid Rakhimov?
Meu relacionamento com todo mundo é muito bom. O fato de falar o idioma russo também facilitou muito minha adaptação. Nosso treinador é aquela pessoa séria, mas cuidadosa. É o estilo paizão. Ele foi jogador, atuou no exterior, em clubes da Áustria, da Espanha e sabe a dificuldade que os estrangeiros passam, por isso ele faz de tudo para nos ajudar.

Você passou por algum problema de racismo desde que chegou à Europa?
Não.

Gosta da Rússia ou ainda sente muitas saudades do Brasil?
Gosto. Na Rússia me sinto em casa. Sinto saudade do Brasil, dos amigos, da família, do nosso clima, mas mato essa saudade quando volto ao Brasil de férias. Pretendo voltar a jogar no meu país, mas estou muito bem na Rússia.

Sobre sua passagem pelo Dynamo Kiev, tem saudades da equipe?
Tenho um carinho enorme pelo Dynamo, porque devo tudo o que tenho profissionalmente a esse clube. Foi o Dynamo também que me abriu as portas da Europa. Tive momentos muito bons na Ucrânia e foi um período muito legal da minha carreira.

Como era seu relacionamento com o presidente do clube, Ihor Surkis, famoso por seu temperamento explosivo?
Era um relacionamento bom. Não tínhamos uma relação de amigos, mas profissional. Ele é um cara sério e muito preocupado com o lado financeiro do clube. Se colocou dinheiro, quer retorno de qualquer maneira. É o clássico business man.

E a rivalidade com o Shakhtar Donetsk?
Nossa! A rivalidade é imensa. Ás vezes os brasileiros do Shakhtar iam à Kiev, como o Elano e o Ivan, e saíamos para jantar juntos. As pessoas próximas nos olhavam de cara feia e comentavam como jogadores rivais podiam estar sentados na mesma mesa, comendo da mesma comida.

O Dynamo também é famoso por sua estrutura. Há algo comparável no Brasil?
Acho que no mundo não há uma estrutura de centro de treinamentos próxima ao do Dynamo. Só no CT eram 12 campos oficiais para treinamento. Tinha mais campo que time para treinar. Além de hotel de luxo, com piscina olímpica térmica, tudo impecável. É algo que impressiona.

E comparando os campeonatos Ucraniano e Russo, qual é o mais difícil? Fale um pouco sobre as diferenças das duas competições.
O Russo é mais competitivo, mas melhor de jogar. Na Ucrânia, tirando os clássicos, era sempre jogo de ataque contra defesa. O adversário fazia uma retranca muito forte e jogava no contra-ataque. Aqui na Rússia os times deixam jogar.

Você recomenda aos jogadores brasileiros se transferirem para a Rússia e Ucrânia?
Recomendo. Me adaptei fácil aos dois países.

Voltando ao seu tempo de Fluminense, você deixou o clube ainda jovem, com 21 anos. Acha que poderia ter ficado mais tempo nas Laranjeiras?
Eu na verdade nem queria ter saído, mas é difícil para o clube brasileiro competir com propostas europeias. Saí do Fluminense porque tive medo de não aparecer uma outra proposta que me proporcionasse a independência financeira.

Sua ida para a Ucrânia atrapalhou sua carreira na Seleção Brasileira?
Acredito que sim. Provavelmente se eu tivesse ficado no Fluminense teria tido mais visibilidade e, consequentemente, mais chance de ser convocado.

Você está no futebol do leste europeu desde 2004. Quais são seus principais objetivos, em termos de carreira, para os próximos anos?
Se eu renovar com o Lokomotiv, ficarei por aqui até 2012. Depois quero voltar ao Brasil para jogar mais uns três anos.

Para finalizar, o que foi aquela história de adoção de um macaco no zoológico de Moscou?
Em alguns parques aqui as pessoas têm acesso aos animais. Ano passado, por exemplo, tinha um Panda. Eu disse pra minha mulher, de brincadeira, que tinha adotado uma criança e quando chegamos no parque eu mostrei um macaco que ficava vestido como um menino. Minha filha era pequena e ficou doida para pegar no macaco. Então aproveitamos para tirar uma foto com ele.

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Equipe Trivela

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