Muro de handebol

O leitor, evidentemente, já deve ter jogado alguma partida de handebol, naqueles torneios interclasses da escola onde estudou. E deve-se lembrar: quando um dos times atacava, o outro, para evitar o gol, formava uma barreira de quatro, até cinco, jogadores. E todos com a mão levantada, agravante não existente no futebol. Pois foi exatamente isso o que se viu no Camp Nou, nesta quarta: uma reprodução de um jogo de handebol.

Porque, desde o começo, o Barcelona tentou o ataque. Não com a volúpia vista em outros momentos, como os primeiros minutos contra o Arsenal, na ida das quartas de final, mas tentava atacar mais do que a Inter. E o ponto que definiu o que seria o jogo foi a expulsão de Thiago Motta – muito rigorosa, por sinal. Desde então, o time de José Mourinho resolveu construir sua barreira impenetrável à entrada da grande área – e não conseguia evitar chances barcelonistas, como o chute de Messi espalmado brilhantemente por Júlio César.

Mas foi no segundo tempo que a postura ultra-defensiva da Internazionale foi levada a níveis ainda mais altos. Eto'o e Milito atuavam firmemente não no ataque, mas nas laterais, ajudando a marcar o Barça – que, por sinal, tocava e tocava a bola, paciente e insistentemente, tentando achar um espaço que fosse para poder fazer a jogada do gol. Não era fácil. Tinham de enfrentar uma barreira de cinco jogadores, mais dois à frente, que se movia, que parecia monolítica, que não se quebrava.

Afinal, uma hora apareceu o buraco. E Xavi passou a bola a Piqué, que fez belíssima jogada e abriu o placar. Faltava somente um gol. A partida passou a ficar dramática: de um lado, o Barça insistia. Do outro, a Inter segurava a corda até os limites do possível. Que, afinal, foi concretizado. O time que sofreu durante a primeira fase, que tão desarvorado parecia, conseguiu chegar à final da Liga dos Campeões.

É verdade que muito se dirá que a Internazionale contribuiu para uma partida feia. Que jogou anti-futebol, que só se preocupou em defender. E tudo isso é verdade, realmente. Mas, ora bolas, os interistas estavam em seu direito. Mourinho estava em seu direito. E, de mais a mais, a discussão “futebol-força x futebol-arte” é chata por demais.

Faltou talvez um jogador que pudesse puxar contra-ataques, para tentar um gol. Mas a Inter fez o que era possível. Defendeu-se brilhantemente. E decidirá, contra o Bayern, quem é o melhor time da Europa. Tudo graças ao jogo defensivo como no handebol da escola.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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