Montenegro: O time mais novo do mundo
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Os ansiosos montenegrinos ainda se acomodavam nas cadeiras do novo Stadion pod Goricom quando a Hungria abriu o placar, logo no segundo minuto. Era o primeiro jogo da história da seleção de Montenegro, separada da Sérvia. Dentro de campo e sem nenhum vínculo com a antiga Iugoslávia, o nervosismo era grande para a derrota não ser escrita nas páginas iniciais do futebol da mais nova nação.
No segundo tempo, o alívio e o êxtase. Dois pênaltis decretaram a virada. O 2 a 1, de 24 de março de 2007, gerou confiança, motivação e, principalmente, a certeza do sucesso. A Uefa prometeu dar ao campeão nacional uma vaga na Liga dos Campeões e também já confirmou a presença do país nas eliminatórias para a Copa de 2010.
A federação de futebol local, numa rapidez de dar ao inveja à brasileira, criou três ligas e seleções sub-21, sub-19 e sub-17, além de um time de futsal. Classificada como inferior e sem imporância nos tempos Iugoslávia, a federação, agora sob o comando do ex-jogador do Milan Dejan Savicevic, logo acertou a participação de Montenegro na Copa Kirin e agendou mais dois amistosos. No total, foram cinco jogos em seis meses, com apenas uma vitória, quatro gols a favor e sete contra. Nada que abale. Para 2007, a meta está mais do que cumprida.
A seleção principal começou a ganhar corpo em fevereiro, oito meses após um plebiscito ratificar a independência à Sérvia. Foi quando Zoran Filipovic, eterno astro do Estrela Vermelha, com 54 anos, topou o desafio de colocar o país de mais de 600 mil habitantes e que tem o euro como moeda corrente, no mapa futebolístico.
Junto com Timor Leste
Na Copa Kirin – torneio japonês que reúne o Japão e mais duas seleções convidadas –, o técnico Filipovic teve a oportunidade de observar seus comandados em uma competição, embora amistosa e sem nenhuma relevância. O desempenho foi o esperado: foi para o Japão considerado o time mais fraco e voltou de lá com a mesma impressão. Isso não surpreende, pois enfrentou adversários tradicionais e muito superiores. Levou 2 a 0 dos donos da casa e 1 a 0 da Colômbia, que levantou o troféu.
O desempenho foi aceitável, levando em conta a curtíssima trajetória montenegrina. Em agosto, encarou a Eslovênia, em Podgorica (capital de Montenegro) e, no mês seguinte, teve pela frente o teste mais forte: a Suécia. No primeiro, empate por 1 a 1, enquanto o segundo registrou mais uma derrota: 2 a 1.
Os resultados não diminuíram a empolgação dos torcedores da seleção, que hoje divide com Dominica o 186º lugar no ranking da Fifa. Nada mal, dado que Montenegro foi o último a ser aceito pela entidade máxima do futebol. A filiação aconteceu em maio de 2007, enquanto a Uefa a fez em janeiro.
Excursões internacionais em 2008
Futebol em Montenegro sempre existiu. Não tinha fama porque era um pequeno integrante das competições iugoslavas e depois preso à Sérvia. Nos anos em que as equipes montenegrinas combatiam com as da Iugoslávia pelo título nacional, o Buducnost teve os melhores resultados. Em três oportunidades, foi o sexto colocado – melhor posição de um time de Montenegro –, em 1965, 1977 e 2004. O Buducnost orgulha-se por ser dono da maior torcida do país.
Em 2006/7, pela primeira vez com um campeonato particular, 12 clubes disputaram a primeira divisão. O campeão ganha vaga na fase classificatória da Liga dos Campeões, o vice joga a Copa Uefa, e o terceiro, a Intertoto. E o resultado surpreende: o título ficou com o Zeta, desbancando o favorito Buducnost.
O astro
Dos quatro gols anotados por Montenegro em 2007, três (dois de pênalti) são de autoria do atacante e capitão Mirko Vucinic, da Roma. No início da temporada, os italianos bancaram € 7,5 milhões para tirá-lo do Lecce. Ele atuava na equipe da capital por empréstimo.
Com 23 anos, Vucinic despontou no Sutjeska, da Sérvia. Na Itália, atuou ainda pela Fiorentina. Em 2006 foi convocado para a Copa da Alemanha, mas acabou cortado. Ele era um dos dois únicos montenegrinos na seleção de Séria-Montenegro. Hoje, carrega praticamente sozinho a responsabilidade de levar adiante a mais jovem seleção do mundo.