Millonarios: algoz tricolor

Quem poderia imaginar que o São Paulo seria eliminado da Copa Sul-americana por uma equipe que ocupa a 14º posição em seu campeonato nacional? Se fosse brasileira, essa equipe seria o Náutico; se fosse argentina, seria o Estudiantes. E se fosse colombiana? A resposta correta seria Millonarios. Como pudemos observar, apesar do evidente domínio tricolor, os albiazules despacharam os brasileiros das quartas de final do torneio sul-americano sem sofrer um gol sequer e marcando três, o que pode ser considerado um feito, diante da campanha são-paulina neste Brasileirão.

Voltando ao time de Bogotá, o Millonarios, apesar de não viver um bom momento, é o maior vencedor da história do campeonato de seu país, com 13 conquistas. Mas a verdade é que o próprio hino do São Paulo poderia servir para os rivais colombianos: …suas glórias vêm do passado. Los Embajadores amargam uma fila de 19 anos sem conquistas relevantes (o último título foi o nacional de 1988). Desde então, o clube tenta se reerguer.

Passado glorioso

O clube foi fundado, inicialmente, em 1937, com o nome de Unión Juventud Bogotá, por alunos do Colégio San Bartolomé e do instituto La Salle. A origem do nome atual, no entanto, remete ao ano de 1939, quando foram contratados cinco jogadores argentinos que exigiam altos salários para época. Havia um atleta, Lucífero, que era o negociador, não só para os argentinos, mas para todo elenco, do então Deportivo Independiente. Em 1946, mais precisamente no dia 18 de junho, por meio de uma reunião que se constituiu, definitivamente, o Club Deportivo Los Millonarios.

Desde então, o clube se tornou um dos mais populares da Colômbia. Foram, nesses 51 anos, 13 títulos nacionais, sendo as décadas de 1950 e 1960 a época áurea desta tradicional agremiação da capital colombiana. Justamente no inicio dos anos 1950 que passou por Bogotá o maior jogador da história azul, o argentino Alfredo Di Estefano. Na verdade o período conhecido como dourado para a torcida milionária começou em 1949, quando foram colocados no mesmo time os argentinos Di Stefano, Adolfo Pedernera e Nestor Raul Rossi, os peruanos Alfredo Mosquera e Oscar Corzo, o brasileiro Danilo Mourman e o sangue da terra Gabriel Ochoa Uribe “el medico”. Com esse elenco estelar o Millonarios conquistou os campeonatos nacionais de 1949, 51, 52 e 53. Essa equipe ficou conhecida como Ballet azul, pelo esplendoroso futebol apresentado. Em 1952, o auge. Em plena Madrid, em comemoração às Bodas de Ouro do mítico clube da camisa branca, os azuis não tomaram conhecimento e venceram por 4 a 2, com dois gols de Di Stefano. A esta altura o Real já sabia quem iria contratar no ano seguinte.

Nos anos 1960, mais títulos – um tetra campeonato, 1961 a 64. Os últimos lampejos de bom futebol bogotano foram as conquistas de 72 e 78 (incluindo neste período duas semifinais na Libertadores, 1973 e 1974. Na década de 1980 os derradeiros troféus, o bicampeonato de 87 e 88.

Crise

Os anos 1980 na Colômbia ficaram conhecidos pela ascensão do narcotráfico e isso, evidentemene, chegou ao futebol e ao Millonarios. Escândalos atrás de escândalos culminaram com a suspeita de que José Gonzalo Rodríguez Gacha, o “Mexicano”, líder do “Cartel de Bogotá”, injetava dinheiro no clube. Por essas e outras que o Millonarios vive seu maior jejum de títulos – desde 1988. Além disso, a má administração foi minando a saúde financeira da instituição. Tanto que em 2004 o clube sofreu uma intervenção governamental devido a uma dívida astronômica de quase cinco milhões de pesos.

Curiosidades

– Poucos sabem, mas o ex-meia do Corinthians, Neto, já defendeu a equipe azul de Bogotá. Foi no ano de 1993, mas por problemas de falta de pagamento o jogador não continuou por lá.

– O Millonarios se vingou do São Paulo. O tricolor paulista havia sido seu carrasco na Libertadores de 1974 ao derrotar a equipe de Bogotá nas semifinais por 4 a 0.

– Seus grandes rivais no país são: o Independiente Santa fé (o clássico bogotano) e o Atlético Nacional, de Medelin.

– Alfredo Di Stefano marcou 267 gols com a camisa azul, em 292 partidas. É até hoje o maior artilheiro da história do clube.

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Equipe Trivela

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