Mijatovic: O craque-diretor

Nos últimos tempos a equipe do Real Madrid caracterizou-se pelas milionárias e bombásticas contratações de estrelas para compor seu plantel. Beckham, Figo, Zidane, Ronaldo, Owen, Robinho e vários outros formaram a leva de craques contratados a peso de ouro pelo ex-presidente madridista, Florentino Pérez. As grandes chegadas não trouxeram o resultado esperado e Pérez deixou o cargo.

Nas eleições do clube, em 2 de julho de 2006, o nome eleito foi o de Ramón Calderón. Em que pese as grandes promessas de campanha, recurso utilizado por todos os candidatos, boa parte dos 8.344 votos conseguidos por Calderón se deve a uma pessoa. Não só pela articulação dos bastidores, mas também pela excelente reputação de que desfruta nas rodas de poder da equipe da capital espanhola, Predrag Mijatovic garantiu a eleição de Calderón e o posto de diretor de futebol de um dos clube mais poderoso dos últimos anos.

O novo diretor da equipe usa um pouco de seu bom relacionamento com ex-companheiros recentes para sair às compras em nome do clube. Logo após o Mundial, veio o treinador da ´Juve´ Fabio Capello. Em seguida, no dia 19 de julho, também vindos de Turim, desembarcaram o zagueiro Fabio Cannavaro e o volante brasileiro Emerson. Dos ´Diabos Vermelhos´ do Manchester veio o atacante holandês Ruud Van Nistelrooy. Além disso, Mijatovic saiu à caça (e, diga-se de passagem, com muito dinheiro à mão), de Kaká (do Milan), Fábregas e Reyes (do Arsenal), Diarra (do Lyon) e Robben (do Chelsea).

Início na terra natal

Nascido em Podgorica (19 de janeiro de 1969), na província de Montenegro, uma das ex-repúblicas da antiga Iugoslávia, Predrag Mijatovic, ou Pedja, como é apelidado, começou sua carreira no pequeno Buducnost Titograd, no ano de 1987. Pela mediana equipe anotou apenas 6 gols, mas abriu caminho para acertar sua transferência para o poderoso Partizan, de Belgrado.

No clube da capital, o talentoso avançado surpreendeu o país com a finalização precisa e os gols decisivos. Durante os quatro anos que permaneceu por lá, Pedja guardou seu nome na galeria dos grandes ídolos do clube. Além das duas Copas da Iugoslávia conquistadas (1989 e 1992), levantou também o Nacional de 1993, ano de sua despedida. No campeonato, o Partizan anotou 106 gols, quebrando o recorde do torneio. Vencendo 31 das 36 partidas disputadas e perdendo em apenas duas oportunidades, terminando 14 pontos à frente do vice-campeão. Na equipe iugoslava, Pedja marcou 45 gols em 104 partidas.

Desbravando a Península Ibérica

A excelente campanha e os 45 gols marcados por Mijatovic pelo Partizan chamaram a atenção dos espanhóis do Valencia, que o trouxeram para a Liga no mesmo ano. Pelo time valenciano, Pedja anotou 56 gols em três anos, tornando-se ídolo, sendo nomeado ´O Melhor Jogador da Liga´ e chamando a atenção dos clubes mais poderosos do mundo.

Mudança para Madrid

Na temporada 1995/96, além do prêmio de Melhor da Liga, Mijatovic anotou 28 gols na primeira divisão espanhola. O fato fez com que o atleta virasse ídolo da equipe. Mas as poucas possibilidades de disputar títulos fizeram com que Mijatovic se transferisse para o Real Madrid. Por 1,2 milhão de pesetas, o atacante foi anunciado como a grande contratação do clube para aquele ano.

E já que o problema eram os títulos, logo em sua temporada de estréia Pedja levantou o caneco da Liga. O clube ´blanco´ realizou uma de suas melhores campanhas na história e, sob o comando de Capello, Pedja destronou o Barcelona de Ronaldo. Mesmo assim, perdeu a Bola de Ouro para o brasileiro, artilheiro da competição, ficando com o segundo posto.

Pela equipe espanhola, viveu a melhor fase de sua carreira. Ao lado do croata Suker e de Raúl formou uma dianteira impressionante e ficou marcado pelo gol que deu o sétimo título da Liga dos Campeões para o Real (1998), frente à Juventus, no Amsterdã Arena. No mesmo ano, veio o Mundial Interclubes, derrotando o Vasco na final.

Decepções na seleção, mas reconhecimento

Pela seleção Iugoslava, Pedja foi considerado por muitos como o maior da história. A trajetória pelo selecionado começou nas categorias de base, quando foi campeão mundial juvenil, no Chile, em 1987.

Pela seleção principal, estreou em um amistoso frente à Finlândia em 23 de agosto de 1989. Eleito em 1997 como o melhor esportista do país, o ano seguinte, no Mundial, prometia muito para Pedja e, principalmente, para os fanáticos torcedores iugoslavos.

Mas a Copa do Mundo da França, em 1998, tornou-se uma grande decepção. Sua seleção terminou a fase de grupos na segunda colocação, atrás apenas da Alemanha, e de forma invicta com duas vitórias e um empate, num grupo que contava ainda com Irã e Estada Unidos. Nas oitavas, a Iugoslávia enfrentou a forte seleção holandesa. Quando o placar anotava 1×1, Mijatovic teve a oportunidade de virar o jogo, mas desperdiçou uma cobrança de pênalti. Nos acréscimos, Davids deu a classificação à Oranje.

Decepcionados, muitos torcedores pediram o fim de sua carreira a serviço da seleção. Abalado, Pedja chegou a cogitar sua aposentadoria, mas incentivado por treinadores e colegas voltou à equipe nacional para a disputa da Eurocopa em 2000, na Holanda e Bélgica. Na fase de qualificação, a Iugoslávia eliminou a Irlanda e a surpresa croata. Na fase final, contudo, nova decepção.

A classificação no Grupo C foi conturbada, passando no sufoco por um grupo que contava com, além da primeira colocada Espanha, Eslovênia e Noruega. O vexame veio nas quartas. Nova derrota para a Holanda. Mas dessa vez, goleada por 6 a 1! Milosevic marcou nos acréscimos o gol de honra. Contudo, Pedja só deixaria de vez a seleção em 2003.

Desafio no calcio e final glorioso

Em junho de 1999, decepcionado com o tratamento recebido do clube espanhol e chateado com a demissão do treinador Guus Hiddink, Pedja encerrou seu contrato e assinou com a Fiorentina, partindo para sua estréia na Série A.

No Calcio, Mijatovic alternou bons e maus momentos pela equipe de Florença. Atuando ao lado de Batistuta formou uma dupla poderosa; porém, ficava a cargo do argentino a função e o brilho dos gols. Em 42 partidas disputadas pelo time, Pedja anotou apenas quatro gols. As saudades do futebol espanhol e o fraco desempenho de sua equipe no campeonato italiano o chamaram de volta à Liga Espanhola. Em 2003, assinou com o Levante. Com ótimas atuações, levou a modesta equipe a liderança durante algumas rodadas e fez reviver, mesmo que por alguns momentos, o antigo avançado de classe.

Após a aposentadoria, Pedja recebeu alguns convites para treinar pequenas equipes espanholas e de seu país, mas decidiu continuar morando em Valencia, onde atuou como agente de jogadores. O grande reconhecimento pela sua carreira, contudo, veio com o convite para assumir um dos postos de maior poder do futebol atual. Espera-se de Pedja como dirigente, no mínimo um pouco do brilho que teve como atleta. Só isso já deve servir para levar novamente ao estrelato o time madrileno.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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