Marcio Máximo: “Fui o primeiro técnico brasileiro a trabalhar no Reino Unido”

Quando analisamos apenas o histórico recente de Marcio Máximo, treinador brasileiro de 48 anos que recentemente deixou o cargo de técnico da seleção da Tanzânia, podemos cair na armadilha de que se trata apenas de mais um brasileiro “Andarilho da bola” que roda o mundo para ganhar a vida ensinando o que sabe sobre futebol.
Ledo engano. Marcio é andarilho sim, mas está longe de ser mais um, e basta uma olhadela com mais atenção para o currículo dele para perceber que alguns dos lugares nos quais ele viveu passam longe dos destinos mais procurados pelos técnicos brasileiros. Entre esses lugares, além da Tanzânia, estão as Ilhas Cayman, famoso paraíso fiscal bem conhecido por criminosos do colarinho branco, e a Escócia, onde ele foi pioneiro ao comandar o Livingston, clube da primeira divisão local.
Em entrevista à Trivela, Marcio fala um pouco mais sobre sua carreira e afirma que, no momento, pretende conquistar espaço em clubes brasileiros. Confira:
Com a estrutura montada em Tanzânia no período em que você foi técnico, é possível pensar numa evolução a curto prazo?
Cada lugar requer uma estratégia diferente. Na Tanzânia fizemos um trabalho estrutural, desde a média de idade (baixamos de 27 para 21), filosofia, estilo, ranking da Fifa (passamos do 167º lugar para o 96º ) e mentalidade profissional até a recuperação da auto estima da equipe como um todo. Mas creio que ainda há um caminho a ser percorrido.
Você foi um técnico que construiu a carreira no exterior. Sente falta de ainda não ter trabalhado em algum grande clube brasileiro?
Apesar de ter feito minha base no Brasil (Vasco da Gama, seleção brasileira sub-17 e sub-20) tive a oportunidade muito cedo de trabalhar no exterior e acho até que me beneficiei disso, porque me deu bagagem e conhecimento dos mais variados estilos de jogo praticados no mundo inteiro. Acho que a volta ao Brasil se dará naturalmente, assim como ocorreu com técnicos como Paulo Autuori, Oswaldo Oliveira, Renê Simões etc. É questão de tempo, já estamos até conversando com alguns clubes
Como foi a experiência de comandar, por três anos, a seleção das Ilhas Cayman?
Foi muito boa porque chegamos a trabalhar com jogadores ingleses vindos da Premier League e da First Division que não tinham mais aspirações de participar do English Team. Havia uma ideia de utilizá-los já que tinham passaporte britânico. Infelizmente, a Fifa proibiu na última hora este artifício, depois de quase dois anos de treinos e jogos. De qualquer maneira a experiência foi muito boa, inclusive propiciou minha ida para o futebol britânico um pouco mais tarde.
Em entrevista realizada no período da Copa do Mundo, você falou com carinho da experiência de ter comandado o Livingston, da Escócia, e disse que pensa em voltar ao Reino Unido. Seria esse o momento adequado?
Realmente fui o primeiro técnico brasileiro a trabalhar no Reino Unido. Fui muito bem recebido e tivemos bons resultados, levando em consideração que o Livingston era apenas uma equipe mediana. Infelizmente o chairman (dono do clube) o vendeu na metade da temporada impossibilitando um salto maior. Depois disso, tive oportunidade de ser cogitado pelo Southampton (estive inclusive na cidade por quatro dias), mas a proposta da Tanzânia chegou primeiro e era financeiramente compensadora. No momento minha prioridade é retomar meu espaço no Brasil, mas, como profissionais que somos, nunca descartamos nenhuma hipótese.
Você já trabalhou em quatro dos cinco continentes mundiais. Pretende se aventurar pela Oceania também?
Na Oceania, exceto Nova Zelandia e Austrália, o futebol ainda não é competitivo o bastante, portanto, as chances de eu trabalhar por lá são reduzidas no momento.
Como foi o processo de adaptação nos países em que você trabalhou? Houve dificuldade em algum deles?
Você precisa conhecer primeiro os costumes, o clube ou a seleção que comanda, o povo e cultura locais. A partir desse conhecimento você elabora a estratégia que julgar mais conveniente dentro da sua filosofia de trabalho. Isto inclui também o Brasil, onde em cada região há uma cultura diferente apesar de falarmos a mesma língua
Você já foi comparado a Joel Santana, pelo estilo “boleiro” de se comunicar com os jogadores. Você também se define assim?
Temos perfis diferentes, inclusive formações e conceitos distintos. Joel é um vencedor a quem respeito muito, porém acho que nossa semelhança se limita a este ponto. Creio que os treinadores que citei na outra questão (Paulo Autuori, Renê Simões, Oswaldo de Oliveira) sejam os que mais se assemelham a mim pela origem e similaridade na carreira.


