Malta: contrastes do futebol

Com uma renda per capita de US$ 23,2 mil e um IDH de 0,878, a República de Malta goza de estrutura e qualidade de vida que qualquer cidadão brasileiro sonharia. Um arquipélago localizado a sudoeste da Itália, encravado no centro do Mar Mediterrâneo, formado por cinco pequenas ilhas que não somam mais de 316 km² e com uma população que não chega a 500 mil habitantes pode ser considerado o paraíso. Mas, quando se trata de futebol, até mesmo um venezuelano pode encher a boca para cantar vantagem sobre Malta.

Este pequeno país europeu, em dezembro de 2008, perdeu mais uma posição no ranking da Fifa e agora ocupa a 148ª colocação, à frente de outros desconhecidos do continente como Liechtenstein, Andorra e San Marino. A melhor qualificação na lista do órgão máximo do futebol ocorreu em setembro de 1994, com o 66º lugar.

Apenas quatro vitórias em competições oficiais

A Federação Maltesa de Futebol somente chegou ao corpo de países membros da Fifa em 1959 e, um ano depois, tornou-se membro da Uefa, órgão que comanda o futebol na Europa. A partir dali poderia participar regularmente de competições internacionais e entrar na disputa por uma vaga na Copa do Mundo através das eliminatórias do continente.

Entretanto a falta de bons jogadores sempre foi um empecilho para o futebol maltês. A Federação contabiliza 306 jogos até o início de 2009, com 216 derrotas, 52 empates e apenas 38 vitórias. Vitórias que, aliás, foram apenas quatro em competições oficiais do calendário europeu. A mais comemorada pelos malteses aconteceu em 1993, em um simples 1 a 0 fora de casa contra a Estônia, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1994.

A primeira vitória oficial veio somente em 1975, contra a Grécia pelo placar de 2 a 0. Sete anos depois, os Cavaleiros de São João, como são chamados os atletas malteses, bateram a Islândia por 2 a 1. O quarto e último triunfo de Malta até o momento ocorreu em outubro de 2006, quando a equipe passou pela Hungria com um resultado de 2 a 1. Todas essas partidas foram disputadas no Estádio Nacional, em Malta.

Estádio Nacional tem mesmo (ou até maior) destaque que os jogadores

Em 1981, com o crescimento da Liga Maltesa e da pequena, mas considerável evolução do próprio futebol, o governo do país decidiu construir um novo estádio nacional. Daí surgiu o Estádio Nacional, na cidade de Ta’Qali, em uma área que fora utilizada como aeroporto militar na Segunda Guerra Mundial.

Hoje o estádio comporta 35 mil pessoas e é tão venerado quanto os jogadores, seja pela sua impetuosidade, seja pela modernidade. Toda a estrutura revestida de concreto recebe, na entrada principal, uma fachada totalmente espelhada que deixa muitos grandes clubes da Europa com inveja. Além disso, no interior da construção há piscinas, salas de ginástica e toda uma estrutura para os próprios torcedores utilizarem. O Estádio Nacional é considerado um dos maiores “acontecimentos” do futebol maltês.

Artilheiro de toda história tem apenas 23 gols

O atacante Carmel Busuttil, ou “Il Buzu”, é de longe o jogador mais reconhecido do futebol de Malta. Ele marcou 23 gols pela seleção, um número relativamente baixo, mas suficiente para torná-lo o maior artilheiro da história dos Cavaleiros de São João. Em 2003, nas comemorações dos 50 anos da Uefa, Busuttil foi escolhido pela Federação Maltesa de Futebol o Atleta de Ouro de seu país. Il Buzu encerrou a carreira com 113 partidas pela seleção nacional.

David Carabott foi o único que bateu Busuttil em jogos disputados com a camisa de Malta. Foram 122 partidas disputadas nas décadas de 1980/90 pelo meio-campista, que atuou somente em dois clubes, ambos de seu próprio país: Hibernians e Valletta. Mas há quem possa ultrapassar o recorde de Carabott, o meio-campo e atual capitão da equipe de Malta, Gilbert Agius. O veterano de 34 anos já igualou a marca de Carmel Busuttil (113 jogos) e já em 2009 deve tornar-se o jogador com o maior número de convocações à seleção maltesa.

Mas o novo ídolo da torcida do país é o atacante Michael Mifsud, de 27 anos. No início da carreira, Mifsud marcou 60 gols em 80 jogos pelo Sliema Wanderers, de Malta. Logo após seguiu para o Kaiserslautern, da Alemanha, e hoje atua pelo Coventry City, da segunda divisão da Inglaterra, onde anotou 16 gols em mais de 80 jogos. O momento máximo do centroavante ocorreu em 2006, quando Malta bateu Liechtenstein por 7 a 1, no Estádio Nacional, e Mifsud balançou as redes por cinco vezes. Com 20 gols pela seleção maltesa, o atleta precisa de apenas mais quatro para ultrapassar Carmel Busuttil e assumir a artilharia da história do país.

Copa do Mundo mais uma vez fora de cogitação

No Grupo 1 das Eliminatórias europeias para a Copa do Mundo de 2010, Malta não possui mais chances reais de ir à África do Sul. O selecionado perdeu todas as quatro partidas realizadas até o final de 2008, onde a última ocorreu no dia 6 de setembro, na goleada de 4 a 0 sofrida em casa, contra Portugal. Dinamarca, Albânia, Suécia e Hungria completam a chave.

O técnico tcheco, Dusan Fitzel, deve permanence no cargo em 2009. Já no próximo dia 11 de fevereiro, os malteses recebem a Albânia novamente em Ta’Qali. Os outros jogos ocorrem nos dias 28 de março, 1º de abril e 10 de junho, contra Dinamarca, Hungria e Suécia, respectivamente. Resta aos destaques Gilbert Agius e Michael Mifsud correrem atrás de seus recordes pessoais, porque a Copa do Mundo, que Malta nunca participou, mais uma vez está fora de cogitação.

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Equipe Trivela

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