Major League Soccer: Quero ser grande
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Quando se fala em futebol nos Estados Unidos, o esporte que os americanos associam ainda é aquele da bola oval, mas dizer hoje que os norte-americanos não ligam para futebol já não é mais verdade. A última Copa do Mundo, por exemplo, envolveu muitos deles, levando a torcerem pelo national team como não se via antes.
Ubiratan Leal, colunista da Trivela, esteve em Nova York durante o Mundial e pôde presenciar que os norte-americanos estavam ligados na competição. No dia de jogo dos Estados Unidos, os torcedores pararam para ver. O interesse pelo futebol é também fruto do fortalecimento do campeonato nacional.
A Major League Soccer, criada em 1993, demorou para conseguir ganhar força, mas hoje já conta com diversos jogadores famosos internacionalmente, como o francês Thierry Henry e o mexicano Rafa Márquez – os dois principais reforços do New York Red Bulls para esta temporada.
Depois da primeira temporada, perdeu público e a qualidade do campeonato era muito questionada. A MLS começou a ter problemas financeiros, o que levou à demissão do comissionário Doug Logan.
Para começar o processo de reconstrução, a MLS contratou Don Garber, ex-chefe internacional da NFL. Com sua experiência em um tradicional esporte norte-americano, Garber conseguiu fazer a liga se fortalecer, com medidas como construção de estádios próprios para futebol.
Em termos de jogadores, norte-americanos foram trazidos para a MLS, alguns já veteranos, outros em início de carreira. A liga começou a atrair outros com reconhecimento internacional, especialmente a partir da Copa do Mundo de 2002.
A campanha dos Estados Unidos nesse Mundial, quando chegou às quartas de final, ajudou a impulsionar a MLS, que recebeu público recorde na final da Copa daquele ano, quando o Los Angeles Galaxy conquistou seu primeiro título.
Mudanças nas regras
Alguns pontos, porém, continuavam deixando a MLS estranha aos olhos do público internacional. A liga não seguia as regras da International Football Association Board (IFAB) e usava um sistema próprio.
A competição não tinha empates, e o sistema para resolver era uma disputa um tanto exótica. Os jogadores recebiam a bola no meio-campo e avançavam livres até o gol, que tinha apenas o goleiro. Esse sistema dava ao time que vencesse um ponto, e nenhum ao que perdesse. Essa regra foi alterada em 2000, quando ao invés dessa disputa, era feito um tempo extra com gol de ouro por dez minutos.
A regra foi retirada apenas em 2005, quando foi adotado o empate como resultado na fase regular e, nos play-offs, a prorrogação passou a usar as regras da IFAB, com ddois tempos de 15 minutos e pênaltis ao final, se o empate prevalecer. A regra do gol fora de casa não é usada.
No seu início, os jogos tinham um relógio com contagem regressiva, que parava toda vez que a bola parasse por faltas ou saísse do campo de jogo. Quando o relógio chegasse a zero, o primeiro tempo era encerrado. O mesmo valia para o segundo tempo, para encerrar a partida. A regra parou de ser usada em 1999, mas ainda é usada em campeonatos universitários e escolares.
As substituíções também não seguiam o padrão internacional. Em vez das três permitidas, a MLS permitia uma quarta substituição, exclusivamente para o goleiro. Essa regra foi retirada em 2003.
As maiores mudanças vieram em 2007. A liga mudou o número de estrangeiros permitidos por equipe para um limite de oito. Até então, eram pertidos sete, sendo que havia duas classificações: três vagas para jogadores internacionais, aqueles com mais nome e experiência, e quatro jovens internacionais. A mudança permitiu oito estrangeiros sem qualquer restrição.
Jogador designado
A principal mudança, porém, veio com a introdução do jogador designado. O teto salarial da MLS é de US$ 2,55 milhões mensais, orçamento que o time tem para os seus salários. O jogador designado passou a contar com um salário de US$ 400 mil, não importando quanto o jogador ganhe.
Com esta regra, os times poderiam contratar grandes estrelas internacionais, a quem poderiam pagar salários altos que não entrariam no orçamento limite dos times. A regra ganhou o apelido de “Lei Beckham”, porque a mudança na regra foi feita para a contratação do inglês.
O inglês, no auge da carreira, atraiu a atenção internacional para a MLS, que passou a ter visibilidade na Europa e em boa parte do mundo, que queria ver o astro inglês em ação. Outros jogadores importantes no cenário internacional foram contratados, como o mexicano Cuauhtémoc Blanco, que veio do América , Juan Pablo Ángel, do Aston Villa, Guillermo Barros Schelotto, transferido do Boca e Freddy Ljungberg, do Arsenal.
Além da atração de jogadores veteranos, a MLS passou também a exportar talentos jovens para a Europa, como Clint Dempsey e Jozy Altidore, o que já indicava o crescimento da liga.
Em 2009, o jogador designado passou a contar como um salário de US$ 415 mil, ao invés dos US$ 400 mil anteriores, o que fez esse salário do jogador designado chegar a aproximadamente 18% do orçamento permitido.
No dia 1º de abril de 2010, a MLS anunciou o aumento de um para dois jogadores designados por time. Mais do que isso, o time poderia “comprar” um terceiro jogador designado, que passaria a contar com um salário de US$ 250 mil.
O dinheiro desse terceiro jogador designado vai para um fundo da liga e será usado para os times que não possuem os três jogadores designados. As vagas de jogadores designados podem ser usadas para contratar um atleta ou para manter outro na MLS, mas não pode mais ser trocada com outro time, como era possível até então.
“Expandir a regra do jogador designado é outro exemplo do comprometimento da MLS em oferecer futebol do mais alto nível aos nossos torcedores”, afirma Todd Durbin, executivo da entidade. “Depois de três temporadas, nós vimos que a regra do jogador designado melhora a qualidade do jogo, cria intriga e discussão e reforça as identidades distintas nossos clubes em campo”, disse ainda o dirigente, na ocasião da mudança. “Continuaremos a ver variadas abordagens dos nossos clubes para montar seus elencos, e essas mudanças darão a eles uma flexibilidade maior”.
A mudança também fez com que o salário do jogador designado passe a contar como US$ 335 mil, dando margem para os times trabalharem melhor dentro do orçamento de US$ 2,55 milhões. Se um jogador designado entra no meio da temporada em um clube, o salário dele passará a contar como US$ 167.500.
A MLS passou a permitir também que o clube deduza valores cobrados pelo jogador designado com dinheiro alocado. A carga do salário deste não pode ser menor do que US$ 150 mil. O dinheiro alocado são fundos separados do orçamento do clube, originado de premiação pela colocação no campeonato da temporada anterior e transferências de jogadores, por exemplo. Esse dinheiro alocado permite diminir o calor correspondente ao salário do jogador designado, que diminui substancialmente o orçamento do clube.
Quando um jogador designado é vendido para um time do exterior, o clube da MLS vai recuperar o montante que gastou com esse jogador antes de compartilhar a receita da venda com a liga.
Mudança na categoria de base
Uma mudança importante no cenário do futebol norte-americano diz respeito às categorias de base. Antes, um jogador das categorias de base de um clube que atuasse na liga de reservas, por exemplo, perderia a elegibilidade para campeonatos universitários – muito fortes no país. Uma mudança da National Collegiate Athletic Association (NCAA) passou a permitir que os jogadores jovens atuem com profissionais sem perder sua elegibilidade em nível universitário.
A alteração permite que jogadores ainda em idade escolar possam ser testados e jogar com profissionais sem perder sua oportunidade de jogar em nível universitário. Pelo lado do clube, permite avaliar melhor os jovens e captar os talentos para o time profissional.
“Isso vai permitir que jovens jogadores mostrem o tipo de habilidade que possuem no mais alto nível, dando a eles a chance de treinar ainda jovens, e irá acelerar o seu desenvolvimento”, afirmou o diretor técnico da MLS, Alfonso Mondelo, ao jornal Washington Examiner. “Isso permitirá aos clubes conhecer se esses jogadores são quem eles podem realmente investir e trazer ao time profissional cedo, ou saber que eles não estão preparados ainda e deixá-los jogar alguns anos na faculdade e, depois de alguns anos, eles estarem pronto”, afirmou ainda o dirigente.
Brasileiros na MLS
Dos 15 brasileiros que estão na liga norte-americana de futebol, quantos você conhece? Muitos tiveram trajetórias que sequer passam pelo Brasil. Conheça cada um deles:
Alex Cazumba
Lateral esquerdo, 22 anos, Los Angeles Galaxy
Revelado pelo São Paulo, está emprestado pelo clube paulista ao time dos astros Landon Donovan e David Beckham. No Brasil, além do próprio São Paulo, jogou emprestado ao Rio Claro, Juventude, Figueirense, Toledo e Vila Nova.
Leonardo
Zagueiro, 22 anos, Los Angeles Galaxy
Outro jogador emprestado pelo São Paulo ao Galaxy. Jogou pelo São Paulo e foi emprestado ao Toledo antes de chegar aos Estados Unidos. Pelo Galaxy, jogou cinco jogos apenas nesta temporada.
Juninho
Meio-campista, 21 anos, Los Angeles Galaxy
Mais um da leva de emprestados pelo São Paulo ao Galaxy. Esteve no Toledo, assim como os outros brasileiros companheiros de clube, antes de chegar a Los Angeles. Fez 16 jogos na temporada e marcou um gol.
Pablo Campos
Atacante, 27 anos, Real Salt Lake
Pablo nunca teve carreira profissional no Brasil. Jogou pela fresno Pacific University, onde se destacou e ganhou uma chance entre os profissionais do fresno Fuego, depois o GAIS antes de chegar ao San Jose Earthquakes, em 2009. De lá, transferiu-se para o Real Salt Lake, time atualmente campeão da MLS.
Eduardo
Meio-campista/atacante, 30 anos, San Jose Earthquakes
Carioca, começou no Vasco da Gama em 1999 e passou por Charleroi, da Bélgica, Toulouse, da França, Basel, da Suíça, e chegou ao San Jose Earthquake em 2010.
Fred
Meia, 31 anos, Philadelphia Union
O mineiro começou em Barbacena e passou por Tupi, América-MG e Guarani-MG antes de jogar no Melbourne Victory, da Austrália, em 200/07. De lá, foi para o DC United, entre 2007 e 2009, foi emprestado ao Wellington Phoenix em 2008, voltou ao DC United, e está no Philadelphia desde 2010. Fez 19 jogos e marcou dois gols na temporada.
Geovanni
Atacante, 30 anos, San Jose Earthquake
Talvez o mais famoso brasileiro na MLS, Geovanni começou no Cruzeiro com grande destaque e foi para o Barcelona. Passou pelo Benfica, Manchester City e Hull antes de chegar aos Estados Unidos. Jogou as Olimpíadas de 2000 pelo Brasil.
Bruno Guarda
Volante, 24 anos, Dallas
Assim como Pablo Campos, chegou ao futebol profissional através da faculdade que feznos Estados Unidos. Defendeu o DFW Tornados e Colorado Rapids antes de chegar ao Dallas, em 2008.
Jackson
Lateral direito, 22 anos, Dallas
Jogador do São Paulo, está emprestado ao Dallas. Jogou sempre por empréstimo no Uberaba, Mogi Mirim, São Caetano e Botafogo antes de ir para os Estados Unidos em 2010.
Roberto Linck
Meia/atacante, 22 anos, New England Revolution
Chegou à MLS através do esporte universitário, onde jogou pela Irvine Valley College. Defendeu o Chigado Storm, em 2009, Ramnicu Valcea, da Romênia, em 2010, e voltou à MLS para defender o New England Revolution.
André Luiz
Meio-campista, 35 anos, San Jose Earthquakes
Ex-lateral esquerdo, começou no São Paulo, mas defendeu também Corinthians, Tenerife, Cruzeiro, Olympique Marseille, PSG, Fluminense, Ajaccio, Santos e Jaguares antes do San Jose, onde chegou em 2009.
Maicon Santos
Atacante, 26 anos, Toronto
Começou a carreira no Madureira e jogou no Egito, Israel, voltou ao Brasil pelo Bonsucesso em 2008, e chegou ao Chivas USA em 2009. Defende o Toronto nesta temporada.
Stefani Miglioranzi
Meio-campista, 32 anos, Philadelphia Union
Formado inteiramente nos Estados Unidos, jogou pela St. John’s University no esporte universitário. Jogou no Portsmouth entre 1999 e 2002 e pasosu a maior parte da carreira no Swindon Town, onde ficou de 2002 a 2006. Fez 123 jogos pelo clube inglês e marcou nove gols. Em 2006, voltou aos Estados Unidos para defender o Los Angeles Galaxy, passou por Columbus Crew, Los Angeles Galaxy novamente e chegou ao Philadelphia Union em 2010.
Paulo Nagamura
Meio-campista, 27 anos, Chiuvas USA
Começou nas categorias de base do São Paulo e depois foi para o Arsenal, onde ficou, ainda como júnior, entre 2001 e 2004. Profissionalizou pelo Los Angeles Galaxy em 2005, passou por Toronto, Chivas USA, Tigres, do México, e voltou ao Chivas USA.
Marcelo Saragosa
Volante, 28 anos, Chivas USA
Começou a carreira no São Paulo, em 2005, onde pouco jogou. Foi para o Los Angeles Galaxy por empréstimo em 2005, onde assinou contrato em definitivo. Foi para o Dallas, onde ficou entre 2006 e 2009, ano que chegou ao atual clube, Chivas USA.