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Maisons de France

Nas aulas de história do colégio, os alunos aprendem disciplinadamente que Grécia e Roma foram os berços da nossa civilização. Mas, não menos importante: que a França foi quem deu a cara da civilização moderna. Queda da Bastilha, Revoluções, cabeças literalmente rolando… os séculos XVIII e XIX não passaram em branco por onde os franceses passaram, assim como as influências das Grandes Guerras da primeira metade do século XX.

Em mais um especial da Trivela sobre as origens dos nomes dos estádios, o leitor perceberá a influência dos personagens que viveram momentos históricos que ficaram gravados nas memórias não só dos franceses – mas de todo o mundo.

Acompanhe quem foram os presidentes, militares, magnatas, o monarca e até o dirigente “herói” que cederam seus nomes às “maisons” dos clubes franceses. Claro, sem esquecer dos que preferiram não tomar partido e adotar apoliticamente o nome do bairro ou distrito em que construíram seus estádios.

Parc des Princes

Clube: Paris Saint-Germain
Capacidade: 47428 pessoas

A casa de um dos maiores clubes franceses é um dos principais estádios do país hoje. Com um dos nomes de história mais curiosa, o Parc des Princes nos remete ao século XVIII para entender de onde veio a tradição.

Foi durante o período da Restauração, entre a Revoluções Francesas de 1789 e 1848, é que o “parque dos príncipes” começa a ganhar a cara que tem hoje, com o fim do reinado de Luis Felipe I.

Quando o rei Luis Felipe opta por retornar às tradições urbanas, que surgiu com Henrique IV em 1594, o monarca constrói nova muralha defensiva sobrepondo os limites de Paris, fechando a região arborizada onde a burguesia parisiense costumava “passar o tempo”: o Parc des Princes, assim chamado porque, no século XVIII, era o local onde realeza caçava e “passeava”.

Em 1860, menos de 20 anos depois da fortificação, Napoleão III decide anexar as comunidades externas, o que acarretou na divisão da capital francesa em 20 distritos. Hoje, o parque se situa no distrito XVI, entre as regiões chamadas Bois de Boulogne e Porte de Saint-Cloud

O estádio do PSG foi construido no distrito onde um dia parte da realeza e, posteriormente, da burguesia francesa, gastou suas horas de lazer…

Louis II

Clube: Monaco
Capacidade : 18521 pessoas

Louis II (1870-1949), conhecido como “príncipe soldado”, foi monarca de personalidade forte que passou pelo trono de Mônaco. Subiu ao principado em 1922, antes de entrar para as forças armadas francesas, tendo chegado ao posto de general.

Graças a ele, durante a Segunda Guerra Mundial, a família Grimaldi foi acusada de “simpatizar” com os alemães nazistas. Na turbulência das batalhas, a região fora dominada pelo exército italiano fascista e, posteriormente, pelo exército alemão, que expulsou os judeus da região. Porém, o herdeiro do trono, seu neto Rainier III, com quem teve desentendimentos, quebrou os vínculos com os nazistas aproximando-se dos Aliados.

A influência de Luis II vai muito além da militar, e alcança também o mundo esportivo. Em 1924 o clube Monaco foi fundado, e em 1929 houve a primeira corrida automobilística do Grand Prix de Mônaco, vencida por Charles Grover. Ainda, pouco antes do início da guerra, o estádio do clube foi construído, recebendo sem surpresas o nome do soberano.

Auguste-Bonal

Clube: Sochaux
Capacidade : 20005 pessoas

O inicialmente Stade de la Forge foi rebatizado em 1945, em homenagem ao ex-diretor esportivo do clube, assassinado pelos alemães em abril do mesmo ano.

Dirigente do clube desde sua fundação, em 1928, Auguste Bonal estava também à frente da fábrica da Peugeot, tendo sido exilado pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, ao lado de outros sete dirigentes da empresa.

Na fábrica da cidade de Sochaux, os invasores germânicos procuravam explorar ao máximo os equipamentos dos franceses, enquanto a diretoria se esforçava para evitar o abuso dos alemães, especialmente da concorrente Volkswagen.

Os funcionários e dirigentes organizaram tamanha resistência – entre sabotagem ao trabalho e à máquinas – que o coordenador do Terceiro Reich obteve autorização de Hitler, em 1944, para exilar os responsáveis.

Após ser liberado do campo de Schomberg, Bonal foi baleado pelos nazistas, em 1945. Com o trágico fim de um de seus dirigentes, o Sochaux decidiu eternizar o “herói” no estádio do clube.

Stade de la Libération

Clube: Boulogne
Capacidade : 15004 pesoas

O clube recém-promovido à elite francesa tem no nome de seu estádio história dramática: durante a Segunda Guerra Mundial, com os bombardeios à cidade de Boulogne-sur-Mer, os jogadores perderam seu local de jogos e treinamentos, e passaram a praticar em um pasto, até ganharem novo lar.

Em 1949, o estádio municipal Léo Lagrange ganhou o apelido de “estádio da libertação”, como é chamado até hoje. O personagem do nome original foi político da cidade, deputado e secretário de esporte e lazer de Boulogne.

Marcel Picot

Clube: Nancy
Capacidade : 20087 pessoas

O antigo presidente do Nancy, Marcel Picot (1893-1967), foi seu patrono, depois de participar da Primeira Guerra Mundial, e ser feito prisioneiro na Baviera. Quando voltou, montou uma chapelaria com seu primo, em negócio que acabou se mostrando muito lucrativo, o que o levou a investir em esporte.

Picot assumiu então a presidência do Lorrain,optando por, em 1913, fundi-lo com o Nancy. À nova equipe faltava apenas um estádio, inaugurado em 1926, inicialmente com o nome de Stade du pont d'Essey, levando o nome do dirigente em 1968, um ano depois da troca do nome do clube de FC Nancy para o atual, Nancy-Lorraine.

Jacques Chaban Delmas

Clube: Bordeaux
Capacidade : 34694 pessoas

A casa dos atuais campeões franceses recebeu o novo nome em 2001, em homenagem ao prefeito de Bordeaux entre 1947 e 1995, Jacques Michel Pierre Delmas (1915-2000), chamado posteriormente de Jacques Chaban-Delmas.

Além de ter governado a cidade, foi militar que atuou na Segunda Guerra Mundial, presidente da Assembleia Nacional e primeiro-ministro entre 1969 e 1972, na presidência de Georges Pompidou.

l'Abbé Deschamps

Clube: Auxerre
Capacidade : 23508 pessoas

Théodore-Ernest Deschamps Valentim (1868-1949) foi o fundador do Auxerre, e seu presidente até a data de sua morte. Graduado em filosofia, formou-se no seminário até tornar-se vigário da cidade.

Um 1905, criou o AJ Auxerre, e, acabou deixando sua marca no nome do estádio do time em 1949, como l'Abbé-Deschamps.

Félix Bollaert

Clube: Lens
Capacidade: 41229 pessoas

O nome da casa do Lens veio do diretor comercial da companhia mineradora da região da cidade, personagem que era favorável ao desenvolvimento dos clubes esportivos na década de 30.

O estádio foi construído em 1934, e recebeu o nome de Félix Bollaert (1855-1936) dois anos depois, data de sua morte. Apenas mais um ano, e o clube ascendia pela primeira vez na história à primeira divisão francesa.

Stade du Moustoir

Clube: Lorient
Capacidade : 15870 pessoas

Popularmente, a casa do Lorient leva o nome do bairro onde se localiza, a região de Moustoir.

Porém, seu nome original, Yves Allainmat, remete ao político francês (1906-1993) que presidiu a Câmera de Lorient entre 1965 e 1973, além de ter sido diretor do periódico Le Rappel du Morbihan.

Stade Municipal de Gerland

Clube: Lyon
Capacidade : 41044 pessoas

O estádio Gerland é o principal ponto esportivo da cidade de Lyon, que fica localizado no distrito homônimo.

O bairro é delimitado a norte e a leste por uma ferrovia, e tem sua história marcada por fortes mudanças urbanas, do século XX até hoje.

Stade Vélodrome

Clube: Olympique de Marselha
Capacidade : 60013 pessoas

O segundo maior estádio francês, atrás do Stade de France, se localiza do sul da cidade de Marselha. O nome de “velódromo” foi dado devido a uma antiga pista de ciclismo que ficava em volta do campo, retirada em 1984, por causa da Eurocopa.

O Velódrome não só é a casa do Olympique, como é importante palco de shows e de partidas internacionais de rugby.

Stade de la Mosson

Clube: Montpellier
Capacidade : 32950 pessoas

A casa do Montpellier localiza-se ao sul do distrito Paillade, do bairro de Mosson, onde passa o rio com o mesmo nome. Em região vítima e enchentes, o estádio já chegou a alagar e ter gramados e vestiários inundados entre 2002 e 2003.

Desde a Copa do Mundo de 1998, trocou seu nome para Stade de la Mosson-Mundial 98, e é palco também de partidas da seleção francesa.

Lille Métropole

Clube: Lille
Capacidade : 17963 pessoas

Projetado originalmente para o atletismo, o estádio acabou servindo de casa do LOSC, construído pelo mesmo arquieteto do Parc des Princes.

Porém, o clube tem novos planos de expansão em seu público, e deve se mudar em 2011 para o Gran stade Lille Métropole, com capacidade para 50 mil pessoas.

Stade du Ray

Clube: Nice
Capacidade : 18696 pessoas

O estádio que recebe os jogos do Nice é chamado, na verdade, de Léo Lagrange (1900-1940), personagem da política francesa; Ray é, na verdade, o bairro onde se encontram suas instalações, no centro da cidade de Nice.

Langrange foi um socialista que chegou ao cargo de sub-secretário dos esportes e lazer da cidade, além de deputado e ativista na política da cidade, tendo seidoa editor do periódico Populaire.

Léon-Bollée

Clube: Le Mans
Capacidade : 17800 pessoas

Léon-Bollée (1870-1913) é famoso na França, como pioneiro da indústria automotiva do século XIX. Quinze anos depois de seu nascimento, León deu sua primeira contribuição ao carro, com a invenção de uma espécie de pedal. Após alguns anos, concebeu um veículo a três rodas, acrescentando posteriormente pneus e motor.

Em 1913, quando faleceu, sua viúva continuou os negócios, com produção de carros e armas, e levando seu nome à casa do Le Mans.

Geoffroy-Guichard

Clube: Saint-Étienne
Capacidade: 35616 pessoas

O “Caldeirão” recebe o nome do proprietário de famosa rede de lojas, que era também dono do terreno onde o estádio do Saint-Étienne foi construído.

Apesar das reformas no local, o desejo dos atuais dirigentes ainda é a construção de um novo local, com maior capacidade para abrigar os torcedores clube.

Stade Municipal de Toulouse

Clube: Toulouse
Capacidade : 36508 pessoas

O estádio municipal de Toulouse já tem duas Copas do Mundo de história. Na região do
Midi-Pyrénées, é a casa do time que leva o nome da cidade. Foi inaugurado em 1937, com o nome de Stade Chapou, e recebeu os torneios mundiais de 1938 e, após reformas, o de 1998.

Stade Nungesser

Clube: Valenciennes
Capacidade : 16547 pessoas

Mais uma dentre as que leva o nome do bairro onde se localiza, a casa do Valenciennes existe desde 1930, mas já tem planos de ser substituída.

Como novos planos para les rouges et blancs, do novo Stade Nungeser II, a capacidade deve subir para 25 mil pessoas.

Stade des Alpes

Clube: Grenoble
Capacidade : 20068 pessoas

Em 2007, foi realizada eleição para votar no nome do estádio do Grenoble, contando com políticos, esportistas e jornalistas.

Dentre os mais votados, “Stade des Alpes”, ou “estádio dos Alpes”, referência ao Stadio Delle Alpi de Turim, antigamente utilizado pela Juventus e Torino, venceu por mais do dobro dos votos, superando o nome “Albert Batteux” (ex-jogador e treinador).

Stade de la Route de Lorient

Clube: Rennes
Capacidade : 31127 pessoas

Apesar do nome remeter ao rival de Ligue 1, o estádio Route de Lorient é, na verdade, a casa do Rennes. Devido ao seu endereço , razão do nome, pode remeter às dependências do Stade du Moustoir, “la maison” do Lorient, confusão muito normal para os desavisados.

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Equipe Trivela

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