Longe de Maradona

Nada disse enquanto o Barcelona era incensado como “pura arte”, e Messi já era considerado “melhor que Maradona. Um pouco porque, com relação ao Barcelona, queria que fosse verdade – e poderia ser. E, sobre o jovem craque, porque eu disse o mesmo sobre Ronaldinho em 2005.
O fato é que “pura arte” não pode ser só ataque. E não pode ser só um tipo de futebol. O Barça espancou adversários fracos, e tem time para vencer adversários fortes, mas não teve arsenal para driblar uma defesa bem armada. Que, aliás, apesar de ser uma das mais bem armadas que eu já vi, era só isso: uma defesa.
Messi, ninguém pode discutir isso, já é um craque, pode ser um dos maiores de todos os tempos, mas seu repertório não é completo. Não tem, por exemplo, um chute potente de fora da área. E seu futebol de dribles quase sempre perfeitos murchou sempre que foram bem marcados seus provedores, especialmente Xavi.
O Barça é um timaço, não perdeu por suas falhas, perdeu porque enfrentou outro timaço. Mas sua infalibilidade sempre foi artificial. Assim como os elogios a Messi foram inflados pelo entusiasmo do que estávamos vendo. Era, entretanto, contra o Zaragoza, a zaga reserva do Arsenal.
Lionel Messi pode vir a ser o melhor do mundo, mas a realidade é que, fosse Cristiano Ronaldo hoje em seu lugar, o Barça teria o chute de fora como arma para furar o bloqueio interista. Tivesse o time gasto dinheiro em mais jogadores, ao invés de confiar em uma molecada que nem sempre vai responder, poderia não ter perdido o primeiro jogo de 3 a 1. Se descesse da arrogância “eu sou catalão e sou legal” perceberia que Carles Puyol não deveria jogar nem no Getafe.
Vou repetir para não ter que apagar muitos comentários: o Barça é um timaço, em um dia melhor poderia ter eliminado a Inter; Lionel Messi já é um craque, e pode ser um dos maiores da história. Tudo isso, porém, foi inflado e supervalorizado. E agora, acabou, e pode terminar sem nenhum título para contar a história.



