Ivanov – De artilheiro a pai de árbitro

Ser artilheiro de uma Copa do Mundo não é algo fácil. Ser artilheiro de uma Eurocopa também não é fácil. Mas ter sido artilheiro das duas competições é algo que um grupo muito restrito de jogadores conseguiu.

Um deles é Valentin Ivanov. Um dos artilheiros da Copa de 1962, com quatro gols, ele também marcou sua presença como um dos goleadores da primeira Eurocopa disputada, a de 1960, com dois gols. Além dos gols, uma trajetória de sucesso e um filho que seguiu mais ou menos sua carreira.

Apontar torpedos!

Durante praticamente a carreira inteira, Ivanov defendeu apenas um time, o Torpedo Moscou. O atacante, ao lado de Streltsov, guiaram a equipe durante boa parte dos anos 50 e 60, conquistando títulos pela equipe e virando ídolos do futebol soviético.

O estilo de jogo de Ivanov era técnico e veloz ao mesmo tempo. O jogador era um especialista em fazer gols, tendo anotado mais de 100 na carreira, mas também atuava bem como garçom, fazendo assistências para os companheiros

Craque de seleção

Em 1955, o atacante iniciou sua trajetória na seleção soviética. Em pouco mais de um ano, a primeira glória, com a conquista do ouro olímpico em Melbourne. Ivanov marcou apenas uma vez nesta competição, no jogo desempate das quartas de final contra a Indonésia, mas foi vital para a primeira conquista internacional da URSS.

Dois anos depois, ele esteve na Copa de 1958, na Suécia. Ivanov também deixou sua marca nesta competição uma vez apenas, contra a Áustria. Conseguiu passar de fase no mesmo grupo do Brasil, mas os soviéticos foram eliminados pela equipe anfitriã, nas quartas de final

O primeiro grande momento de consagração de Ivanov com a camisa vermelha foi em 1960, quando houve a disputa da primeira Eurocopa. Disputada apenas em semifinal e final em país-sede fixo, a competição realizada na França viu uma das melhores seleções do mundo na época brilhar. Marcando dois gols na semifinal diante da Tchecoslováquia, Ivanov colocou sua seleção no caminho do título que acabaria conquistando dias depois.

Artilheiro de Copa

Ao lado do compatriota Ponedelnik, do francês Heutte e dos iugoslavos Jerkovic e Galic, Ivanov terminou como artilheiro da Euro daquele ano. Talvez um prenúncio do que encontraria dois anos depois, na Copa do Mundo do Chile.

Foram quatro gols, todos marcados na primeira fase. Estes tentos ajudaram a URSS a ir novamente para o mata-mata da Copa, perdendo para os chilenos. Embora muitas fontes deem Jerkovic como artilheiro máximo do mundial, com cinco gols, a FIFA coloca Ivanov como um dos goleadores do mundial, ao lado do próprio Jerkovic, do húngaro Alberto, do chileno Sánchez e dos brasileiros Vavá e Garrincha.

Treinador e pai de árbitro

Em 1965, Ivanov deixou a seleção soviética e, pouco depois, se aposentou do Torpedo. Ele deixou o futebol com a marca de 124 gols pelo Campeonato Soviético e mais 26 pela seleção da URSS, ficando apenas atrás de Blokhin e Protasov na lista dos artilheiros máximos da história da seleção.

Logo que deixou o futebol, Ivanov passou a trabalhar como treinador do próprio Torpedo, time que treinaria mais cinco vezes, além de passagens pelo Torpedo-ZIL, pelo Asmaral e pelo futebol marroquino, com o Raja Casablanca.

Seu filho, Valentin Valentinovich, também seguiu os passos do pai, ao menos em parte. Meia-atacante, Ivanov filho também atuou durante boa parte da carreira no Torpedo em que seu pai brilhou. Depois de pendurar as chuteiras, acabou virando árbitro de futebol, tendo atuado em várias competições de futebol, inclusive tendo apitado a “Batalha de Nuremberg”, na qual houve o recorde de cartões mostrados na história das Copas do Mundo (o Portugal x Holanda das oitavas-de-final, com 16 amarelos e quatro vermelhos).

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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