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Indonésia verde e amarela (parte final)

Fechando nossa série de entrevistas com futebolistas brasileiros no maior conjunto de ilhas do planeta, batemos um papo com o meia-atacante Denílson (foto ao lado), do Gresik United. O jogador carioca fala à Trivela sobre as principais diferenças entre as divisões do futebol indonésio, os treinadores locais, a qualidade dos gramados e principalmente sobre a repercussão das suas comemorações de gols sempre exibindo uma mensagem numa camiseta embaixo do uniforme.

O Gresik United é um clube novo, foi fundado depois da fusão de dois clubes (Petrokimia Putra e Perseges Gresik) no final de 2005. Como é a parte administrativa? Paga certinho?
Para te dizer a verdade não sei como surgiu o clube, mas na parte financeira não tem problemas, graças a Deus. É um clube que cumpre com o contrato.

Gresik é conhecida por ser uma cidade cheia de Coffee Shops chamados de ‘Warkop’. O que existe de mais impressionante na cidade?
As indústrias. Também tem uma fábrica de cimento que é uma das responsáveis por bancar o nosso time, o Gresik United.

O PSS Sleman tem uma torcida vibrante. Como foi sua passagem por lá?
Jogar lá foi um prazer, a torcida é muito apaixonada. No ano que cheguei, eles foram considerados a segunda melhor do país.

Quais as principais diferenças entre a 1ª e a 2ª divisão do país?
Tem muita diferença em termos de técnica e de mentalidade. Mas é complicado. Existe muita deficiência técnica nos jogadores da 2ª divisão.

Como é trabalhar com os técnicos indonésios?
Têm alguns que já foram para o Brasil e tem uma boa qualidade de trabalho. Mas para outros ainda falta um pouco de conhecimento. Eu não tive problemas com treinadores aqui. Tenho uma comunicação tranquila com eles.

O Sriwijaya FC, líder no cômputo geral da Liga Indonésia, tem mesmo o melhor time do país?
Para mim não. Eles tem um grupo muito bem montado como o Arema Malang, o Deltras, entre outros..só isso.

Na Liga Indonésia dificilmente alguma equipe consegue ser campeã em seqüência. Você a considera a mais equilibrada e competitiva do sudeste da Ásia?
Isso acontece porque tem equipes que montam um time forte num ano com bons estrangeiros, mas que não tem uma seqüência, vendem os jogadores. Este é o motivo de certas equipes serem campeãs num ano e no outro não.

Como os indonésios reagem as suas comemorações de gol exibindo a camisa com o nome de seu filho e de sua noiva?
Eles me perguntam o que está escrito porque eu escrevo em português. Eles ficam muito felizes por saberem que é para meu filho, minha noiva ou para qualquer outra pessoa. O que eles mais me pedem é para sambar (gargalhadas).

Você acha que os dirigentes indonésios são os únicos culpados pela situação ruim da seleção do país e pelo grande número de clubes falidos ou que sobrevivem através de fusão entre equipes?
Não sei dizer. O que posso falar é que se existe crise, é porque tem culpados. Se são somente os dirigentes eu não sei, porque uma boa administração não deixa um clube deste jeito (falido).

Fale um pouco da situação dos gramados nos estádios indonésios.
Tem campo que é um espetáculo, mas tem campos que não podem estar numa liga de futebol profissional. Isso não é só aqui não, já joguei em campos no Brasil com o mesmo estado.

Você defendeu três equipes bolivianas: Destroyers, Blooming e Oriente Petrolero. Pela sua experiência por lá, quais as grandes razões para o futebol da Bolívia estar cada vez pior com a seleção fazendo campanhas cada vez mais medíocres em torneios e eliminatórias?
Todas são boas equipes e fui muito bem tratado por todas. A única diferença é que joguei no Destroyers, que era uma equipe de 2ª divisão na época. Só isso. Mas em termos de seleção ainda tem jogadores que tem que mudar sua mentalidade e ser mais profissional. Eu atuei no Equador também e lá tem mais disciplina e força. Pelos resultados das duas seleções (Bolívia e Equador) você vê a diferença.

FICHA

Nome: Denílson Gonçalves

Data de Nascimento: 25/02/1981, em Barra Mansa/RJ

Clubes: CFZ, Destroyers-BOL, Oriente Petrolero-BOL, Blooming-BOL, Universidad Católica-EQU, Undejota-EQU, San Nicolas-ARG, Corinthians B, PSS Sleman-IND e Gresik United-IND.

* Nossos agradecimentos a Jacksen Tiago, Stéfano “Teco” Cugurra, Elisângelo “Liu” Jardim e Denilson Gonçalves por nos conduzir a esta ‘odisséia’ pelo futebol indonésio.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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