Histórico: EUA superam Espanha e vão à final
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Os Estados Unidos surpreenderam o futebol, nesta quarta. Com uma atuação voluntariosa e eficiente, a seleção de Bob Bradley, que só entrara para as semifinais da Copa das Confederações ao superar a Itália, no saldo de gols, conseguiu vencer a Espanha, favorita destacada, por 2 a 0, na semifinal disputada em Bloemfontein, e disputará a primeira final em um torneio organizado pela Fifa, em sua história no futebol masculino. Além disso, a seleção norte-americana quebrou a sequência de 35 partidas invictas da Furia, que igualara o recorde antes obtido pela Seleção Brasileira.
No começo da partida em Bloemfontein, o time de Bob Bradley atuava de modo voluntarioso. Tanto que, aos quatro minutos, Landon Donovan levou cartão amarelo. O meia norte-americano impediu, com um carrinho, que Xabi Alonso continuasse com a bola, após sair jogando no campo de defesa.
Entretanto, conseguindo controlar o ímpeto, os ianques trouxeram as duas primeiras jogadas de perigo do jogo. Aos seis minutos, após cruzamento da direita, Charlie Davies arriscou uma bicicleta, na grande área. A bola passou rente à trave direita de Casillas, com muito perigo. Aos oito, o capitão da seleção, Carlos Bocanegra, cruzou. Davies escorou de cabeça e Clint Dempsey, da meia-lua, chutou rasteiro. A bola passou à direita do gol, novamente com perigo.
Com os sustos, a Espanha reagiu. Um minuto após o chute de Dempsey, Cesc Fàbregas veio, com a bola nos pés, e arriscou, de longa distância, com um chute. A bola passou por cima do travessão de Howard. Aos 12, novamente, um ataque espanhol: após triangulação com Riera e Capdevila, Fàbregas cruzou, pela meia-direita, e Fernando Torres, antecipando-se à marcação de Bocanegra, concluiu à esquerda da trave defendida por Howard.
A partir de então, a semifinal ganhou mais equilíbrio. Aos 20 minutos, Donovan arriscou novamente de fora da área, mas a bola saiu pela linha de fundo. Mesmo assim, a Furia ainda trouxe mais perigo, um minuto depois. Na região da meia-lua, Fàbregas passou, pelo alto, para Riera. O meia entrou pela direita da grande área, em posição legal, mas chutou errado, e a bola saiu pela lateral.
A primeira surpresa
Surpreendentemente, os Estados Unidos, então, reassumiram o controle das ações ofensivas do jogo. E provaram isso com o gol que abriu o placar, aos 26 minutos. Dempsey, pouco depois da intermediária, passou a Josmer “Jozy” Altidore. O atacante – que atua no futebol espanhol – se desvencilhou da marcação, com um giro, aproximou-se da grande área e, na entrada, chutou. Casillas tentou desviar, mas a bola entrou mansa, no canto direito do gol.
Só restava à seleção da Europa partir para o ataque. Foi o que David Villa fez, aos 32 minutos. Após passe longo de Riera, o atacante dominou a bola, próximo à pequena área, e chutou por cima do gol de Howard, em boa chance. Porém, os EUA reagiram, quatro minutos depois: após empurrar Altidore, Capdevila levou amarelo. Na cobrança de falta, Donovan alçou a bola na área e, de cabeça, Clint Dempsey cabeceou para fora.
Os dois lances finais de perigo na primeira etapa, contudo, foram espanhóis. Aos 39, vindo com a bola dominada, David Villa abriu para Cesc Fàbregas. Da esquerda, o meio-campista passou a Torres. Porém, a bola veio muito forte, e o atacante perdeu o domínio da bola. O zagueiro Onyewu, então, mandou para escanteio. Na cobrança, Sergio Ramos cabeceou de modo deficiente, e a bola sai pela linha de fundo.
E, no minuto final da etapa inicial, Torres, em jogada individual pela esquerda, passou por um defensor, com finta, e chutou rasteiro. No canto, Howard tirou a bola com o pé. Na continuação da jogada, foi apontado pé alto de Xabi Alonso.
Pressão espanhola
Sem muitas alternativas, a campeã da Eurocopa começou o segundo tempo procurando o ataque, com tudo. Aos dois minutos, o primeiro lance de perigo. Em chute de Villa, Howard estava atento e conseguiu espalmar, fazendo boa defesa. Torres tentou pegar o rebote, mas Bocanegra desviou para escanteio. Na cobrança do córner, em jogada ensaiada, Xabi Alonso chutou, e a bola passou por cima do travessão.
A pressão continuou aos sete minutos. Na pequena área, Villa aplicou bonito chapéu em um defensor, mas arrematou fraco. A bola quicou no chão e ficou à feição para que Howard a agarrasse. Três minutos depois, Riera, na grande área, cortou um defensor norte-americano, da esquerda para o meio, e chutou. Porém, a bola foi para fora. Aos 12, Riera passou a Villa, que arriscou, fora da área, mas de curta distância. Porém, Howard encaixou a bola.
Encurralados na defesa, os Estados Unidos tiveram um único momento de respiro aos 13 minutos, ao conseguirem um escanteio pela direita. Porém, Oguchi Onyewu cabeceou mal, e Casillas defendeu sem problemas.
Mas, na sequência, a Espanha fez nova sequência de lances de perigo. Aos 20 minutos, após cruzamento de Sergio Ramos, Riera chutou, de bate-pronto, mas a pelota ricocheteou em DeMerit. Na continuação da jogada, Fàbregas invadiu a grande área e chutou para boa defesa de Howard. No minuto seguinte, Sergio Ramos aproveitou sobra de bola na direita da grande área e chutou. O zagueiro Ricardo Clark foi quem se jogou na frente da pelota, afastando o perigo.
No terceiro minuto consecutivo, mais pressão: Fàbregas, pela direita, veio à linha de fundo e cruzou, mas Donovan cortou de cabeça. Vicente del Bosque, então, fez a primeira alteração, tirando o próprio meia do Arsenal para colocar em campo Santi Cazorla. Bob Bradley respondeu, colocando Benny Feilhaber na vaga de Charlie Davies.
O gol decisivo e a vitória incrível
E, quando a Espanha mais parecia pressionar, num contra-ataque, os ianques ampliaram o placar, aos 28 minutos. Vindo pela direita, Donovan cruzou baixo. A bola desviou levemente em Piqué, tirando as chances de defesa de Casillas, que tentara defender. Após passar do goleiro da Furia, Sergio Ramos tentou dominar, mas não percebeu a presença de Dempsey. O atacante, que já fora heroi da classificação americana às semifinais, tocou para as redes, fazendo o segundo gol do Soccer Team.
Sem perder a cabeça, mas desnorteada com a desvantagem, a Espanha ainda tentou. Aos 32 minutos, Riera saiu para a entrada de Juan Mata. Um minuto depois, Villa cobrou falta de modo fraco, e Howard encaixou no meio do gol. Aos 35, Xabi Alonso chutou para nova defesa do goleiro norte-americano.
Aos 41, momento de tensão para os campeões da Copa Ouro, com a expulsão de Michael Bradley, que entrou violentamente no tornozelo de Xabi Alonso. Para fortalecer a defesa, Bornstein entrou no lugar de Dempsey. E os Estados Unidos, enfim, conseguiram a histórica vitória e a vaga na final da Copa das Confederações.
Espanha 0x2 Estados Unidos
Copa das Confederações – Semifinal
Espanha
1-Iker Casillas; 15-Sergio Ramos, 3-Gerard Piqué, 5-Carles Puyol e 11-Joan Capdevila; 10-Cesc Fàbregas (20-Santi Cazorla, 68'), 14-Xabi Alonso e 18-Albert Riera (22-Juan Mata, 78'); 8-Xavi Hernández; 9-David Villa e 11-Fernando Torres. Técnico: Vicente del Bosque
Estados Unidos
1-Tim Howard; 21-Jonathan Spector, 5-Oguchi Onyewu, 3-Carlos Bocanegra e 15-Jay DeMerit; 8-Clint Dempsey (2-Jonathan Bornstein, 88'), 13-Ricardo Clark, 12-Michael Bradley e 10-Landon Donovan; 9-Charlie Davies (22-Benny Feilhaber, 69') e 17-Josmer “Jozy” Altidore (4-Conor Casey, 83'). Técnico: Bob Bradley
Local: Free State Stadium (Bloemfontein)
Gols: Altidore 27', Dempsey 74'
Árbitro: Jorge Larrionda (Uruguai), auxiliado por Pablo Fandino (Uruguai) e Mauricio Espinosa (Uruguai)
Cartões amarelos: Donovan 5', Altidore 28', Capdevila 36' e Piqué 89'
Cartão vermelho: Bradley 87'