Sem categoria

Hernanes: “No Brasil também treinamos a parte tática”

Ronaldinho Gaúcho, Alexandre Pato, Maicon, Robinho, Júlio César, Lúcio… nenhum desses brasileiros é o atual destaque do Campeonato Italiano. Todos perdem as principais manchetes dos finais de semana para um jogador pernambucano, de 25 anos e que há algumas temporadas figurava entre os melhores do Brasileirão. Anderson Hernanes de Carvalho Viana Lima, ou simplesmente Hernanes, pode ser considerado a grande sensação da Serie A.

Diferentemente de muitas revelações do futebol brasileiros, o ex-volante (ou meia) do São Paulo demorou a ir para a Europa. Chegou a declinar de uma oferta do Barcelona, até para não brigar com o Tricolor paulista. Hoje, no entanto, olha para trás e percebe que foi melhor esperar mesmo.

Em entrevista exclusiva à Trivela, Hernanes disse que não sentiu tantas diferenças entre o futebol italiano e o brasileiro, principalmente nos treinamentos. E demonstrou, também, confiança em finalmente conquistar seu espaço na Seleção Brasileira, há muito tempo reclamado pelos torcedores.

Há muito tempo você é considerado um dos melhores jogadores do Brasil, mas ainda não conseguiu se firmar na Seleção, tanto que fez apenas dois jogos com a equipe principal. O que falta para você conseguir isso?
O que falta… Boa pergunta… Acho que falta eu conquistar a confiança, o coração do treinador. Às vezes o treinador tem uma porção de jogadores para escolher, que tem mais contato, isso é normal. O mais importante é demonstrar em campo, para então conquistar essa confiança. Estou trabalhando para isso e sei que vou conquistar o meu espaço.

Com o Mano Menezes você foi chamado no início, mas depois ficou de fora. Acha que a concorrência na sua posição é um fator que dificulta sua convocação?
A concorrência é grande, sem dúvida, e com grandes jogadores. Por isso é preciso chegar, mostrar algo a mais e conquistar esse espaço no coração do treinador.

Acha que a derrota nas Olimpíadas de 2008 queimou um pouco aquele grupo de jogadores?
Não, porque conquistamos o bronze ainda. Muitos outros não conseguiram isso, e muitos dos jogadores que foram para lá depois seguiram na Seleção.

Muito se falava quando você estava no São Paulo que você deveria atuar como segundo volante e não como meia ofensivo. Na Itália, você tem jogado mais à frente. Qual é a diferença em relação à posição que você jogava no Brasil?
Na verdade eu percebo uma coisa: no São Paulo eu joguei algumas vezes mais adiantado, e acabava não dando certo. Por quê? Eu percebi que eu sou um jogador que, durante a partida, participo muito do jogo, tocando, recebendo a bola. E jogando mais à frente, o que acontece: a bola não chega tanto em mim, é preciso que os volantes façam ela chegar. No São Paulo nas vezes que eu joguei mais à frente e a bola demorava a chegar nos meus pés, eu acabava não tendo a participação como eu gosto de fazer. Quando eu jogo mais atrás, naturalmente toco mais na bola, mas tudo depende muito do momento da equipe também, se está bem no jogo, bem no campeonato. Então envolve isso também para eu ter um bom desempenho jogando mais à frente. Aqui na Lazio tenho jogado mais adiantado, tanto que em algumas partidas eu não participei muito, não toquei tanto na bola.

E onde e como você gosta e prefere jogar?
Olha… Eu estou acostumado a jogar mais atrás, tocando mais na bola. Organizando o jogo, levando de um lado para o outro, essa é a posição que eu prefiro.

Qual é a principal diferença que você sentiu do futebol brasileiro para o italiano?
Aqui é um futebol mais corrido e com um pouco mais de força. Mais velocidade, até porque os campos são mais rápidos também. Nos treinamentos não há muita diferença. Os tipos de treinamentos são diferentes, mas treina-se as mesmas coisas. Treinamos as mesmas coisas em estilos diferentes.

E isso diferencia-se na parte tática?
Não, porque no Brasil também treinamos a parte tática. Treinamos campo reduzido, pique, velocidade, trabalho de habilidades específicas… Aqui treinamos tudo isso, mas de maneiras diferentes. Com uma visão diferente.

Você fez parte de um time do São Paulo que dominou o futebol brasileiro por três anos, mesmo mudando muitos jogadores nesse período. Qual era o segredo? Muricy Ramalho? Estrutura?
Eu acho que o todo. Tudo ajuda. A administração estava certa, o comando estava certo, os jogadores estavam certos. Era uma mentalidade de trabalho, e não foram só três anos, foi desde 2005. E nesse período era natural que alguns jogadores saíssem, mas a reposição do São Paulo era muito boa. Demora um tempinho para conseguir isso, e acho que foi o conjunto que fez isso.

E o papel do Muricy em tudo isso?
Um grande treinador, um grande líder. Sabia dirigir o clube, tirar do jogador o máximo, era um grande líder mesmo.

Nesse período a rivalidade com o Corinthians cresceu muito também. Para vocês, jogadores, o clima antes de um jogo como esse é parecido com o clima vivido pelos torcedores, de muita expectativa e pressão?
Com certeza, porque o clássico é diferente. Mexe com a gente. Nós procuramos trabalhar da mesma maneiras, mas guardadas as devidas proporções. Entrávamos em campo querendo mais.

No final do Brasileiro de 2007, você era considerado um jogador pronto para ir para a Europa. Hoje, sendo o destaque da Lazio, acha que foi melhor ter esperado mesmo?
Foi bom, acho que foi bom ter esperado, já vim mais preparado, com minha família. Na época minha esposa não gostava muito da ideia, minha filha era pequena.

E quais foram as propostas oficiais que chegaram para você?
Barcelona e CSKA. Não posso responder bem o que é oficial, porque às vezes não chega assim no papel, mais nos bastidores.

E você ficou tentado a ir para o Barcelona?
Na verdade, claro, não vou dizer que não gostaria de jogar no Barcelona, mas o momento não era o adequado. Eu não queria sair, sempre quis deixar o São Paulo pela porta da frente, então não ia forçar. Dizer vou embora porque o Barcelona quer. E foi bom porque estou muito bem na Lazio hoje. Foi tudo no tempo certo.

E como é o clássico entre a Lazio e a Roma? Dá para comparar com algum clássico que você viveu?
Não, porque aí é mais espalhado, tem mais times. Aqui eu vivi uma coisa diferente, a rivalidade dos dois clubes da cidade, é diferente.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo