Haan: craque armando e defendendo

Se você for perguntar a um jornalista esportivo quem foi Adrianus Haan, é bem provável que esta pessoa não saiba responder. Mas, se você perguntar quem foi Arie Haan muita gente saberá. Na verdade, Arie e Adrianus são a mesma pessoa. Haan atuou na principal época do futebol holandês. Jogou de 1968 até 1984, quando se aposento. No início dos anos 70, conquistou seus principais títulos como jogador. Conquistou o tricampeonato europeu e a taça intercontinental com o Ajax e os dois vices-campeonato do Mundial. Em 1974, na Alemanha e em 1978, na Argentina.

Arie jogava como zagueiro e como meia – um indício da versatilidade quase ilógica do futebol holandês do período. Tinha um porte físico avantajado. Marcava bem. Tinha como principal característica, o chute de longa distância. Chute, que o consagrou na Copa de 1978, no seu gol contra a Itália, na vitória por 2 a 1, que valeu a vaga na decisão. Perdida posteriormente diante da Argentina.

Como jogador, ele jogou em apenas quatro equipes. Duas holandesas e duas belgas. Iniciou sua carreira aos 20 anos pelo Ajax. Jogava junto de Cruyff. Em 1971, marcou um dos gols na vitória da equipe de Amsterdã sobre o Panathinaikos, na final da Copa dos Campeões da Europa – atual Liga dos Campeões da Europa. Em 1972 venceu a Inter de Milão na final e, no final do ano, em dezembro, venceu a Taça Intercontinental em cima do Nacional de Montevidéu.

No ano seguinte, conquistou o tricampeonato europeu, vencendo outro italiano. Dessa vez, a vitima foi a Juventus de Turim. A temporada 74/75 foi à última de Haan em seu país. Foi jogar na vizinha Bélgica. Jogou seis temporadas no Anderlecht e duas no Standart. Voltou para a Holanda. Foi jogar no maior rival do Ajax. O PSV. Ficou apenas um ano em Eindhoven. Em 84 decidiu abandonar a carreira.

Na seleção, Haan disputou duas Copas do Mundo e um Eurocopa. Jogou 35 vezes e marcou 6 gols pela seleção. Recebeu apenas três cartões amarelos e nenhum vermelho. Foi comandado por Rinus Michels na Alemanha em 1974 e por Happel na Argentina em 1978. Disputou 13 jogos e marcou 2 gols em Copas.

Fez parte da “laranja mecânica”, ao lado de feras como Rensenbrink, Rep, Neeskens e do maior jogador da história do futebol holandês, Johan Cruyff. Dos 35 jogos de Haan na seleção, apenas um ele não começou jogando. E, em outros quatro, saiu no segundo tempo. De resto, jogou todos os minutos. Seu primeiro gol foi marcado contra a Islândia, nas eliminatórias européias da Copa-74, na vitória holandesa por 5 a 0. Nos amistosos de preparação para a Copa, ele marcou diante da Argentina e da Suécia, nas respectivas vitórias por 4 a 1 e 5 a 1.

Em 1978, no amistoso contra a Áustria fez seu quarto gol. Na Copa da Argentina, marcou no empate de 2 a 2 contra a Alemanha. E, seu último gol, talvez o mais bonito – e mais importante – da sua carreira. Um chute de mais de trinta metros de distância contra a Itália. Sem chances para o goleiro Dino Zoff. Gol que levou a Holanda a segunda final consecutiva.

A carreira de treinador

Dois meses após aposentar-se da carreira como jogador Haan assumiu o Antuérpia (Bélgica) até dezembro de 1985. Foi treinar seu ex-clube, Anderlecht, durante um ano. Foi para a Alemanha. Treinou Stuttgart e Nuremberg. Passou por Liege (Bélgica), PAOK (Grécia) duas vezes, Feyenoord, novamente Anderlecht, Omonia (Chipre), Áustria de Viena, seleção da China, Persepolis (Irã) e por último, a seleção de Camarões.

As passagens pelas seleções foram as mais marcantes. Não pelas vitórias, mas pelos fatos.
Haan treinou a China de dezembro de 2002 a novembro de 2004. O holandês assumiu após o sérvio Bora Milutinovic deixar o cargo. Seu primeiro jogo no comando dos asiáticos foi contra o Brasil, na reestréia de Parreira no comando da seleção brasileira. Arie levou a China até a final da Taça da Ásia em 2004.

O jogo foi contra o Japão, até então dirigido por Zico. O time treinado pelo brasileiro venceu a competição por 3 a 1. O holandês recusou receber a medalha de vice-colocado, alegando roubo arbitral, num gol irregular do meia Nakata, quando o jogo ainda estava empatado.

Em agosto de 2006, Arie Haan assinou contrato de dois anos com a federação de Camarões, mas renunciou com menos de seis meses de trabalho. A renúncia acredite, foi feita por e-mail. Ele alegou que o presidente da federação, Mohammed Iya, interferia muito em seu trabalho. “Todos na federação estão interferindo, especialmente o presidente.

Conseqüentemente, não há nenhuma necessidade para eu permanecer no cargo”, revelou o treinador à BBC. Apesar da renúncia, ele diz que poderia retornar, caso mudasse a administração da federação camaronesa de futebol.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo